Stranger Things Version
Wicked Academy

Campo de Entrada


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Mensagem por The Vanity em Qui Abr 30, 2015 9:58 pm

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Staff

Campo de Entrada
A grama verde, as árvores mais altas e frondosas, o céu mais claro e mais azul do que em qualquer outro lugar. Plantas raras em todos os lados e à direita um largo caminho de paralelepípedo serpentando por uma colina que leva à recepção. Um campo verde se espalha à esquerda e sempre pode se observar garotos e garotas praticando algum esporte ou apenas passando o  tempo agradável.





Última edição por Mean Girl em Dom Jan 31, 2016 7:34 pm, editado 1 vez(es)

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Mensagem por Kara Hoffman em Dom Jun 21, 2015 3:56 pm

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Data de inscrição : 20/06/2015


O
s primeiros dias em lugar novo nunca são os melhores...
Recem chegada á WA eu me sentia totalmente desnorteada e sem rumo, embora soubesse que em alguns dias Andrew viria pra cá também, eu estava largada a minha própria sorte, a pessoa que mais importava na minha vida morrera e quem deveria ser meu porto seguro me enfiara aqui. Então eu só tinha a mim mesma, Andrew e quem sabe finalmente o sonho de fazer amigos? Suspirei olhando o grande espaço verde que era o campo de entrada, desde o dia em que havia chegado, trazida pelo carro oficial com meus avós que me acompanharam depois do enterro.

Eu não o via meu pai desde o dia da morte de minha mãe, ele me evitava, não o vi no cemiterio nem no tempo que se passou depois do enterro. O enterro fora pela manhã e quando a noite caia eu ainda estava ali, sentada em frente ao tumulo de minha mãe abraçada em meu proprio corpo quando meu avô me puxou dizendo que era hora de começar uma nova vida. Eles me davam uma assistencia que eu não tinha de meu pai. Caminhando pelos campos de flores exoticas e coloridas eu lembrei dela, a imagem do assalto ainda viva na minha memoria, os três homens encapuçados e o mais alto atirando contra a cabeça da minha mãe... Eu ainda sentia os respingos do sangue quente de minha mãe em meu rosto.
Parei minha caminhada sentindo os olhos cheios de lágrimas, minhas pernas tremiam, eu mal me alimentava a três dias e sentia uma vontade imensa de gritar. Sentei onde estava sem me importar com nada e enfiei a cabeça entre meus joelhos... Devia ser outro ataque de pânico. Do dia em que minha mãe morreu e hoje haviam se passado 9 dias, nos dois dias subjacentes a sua morte eu estava sedada em estado de choque, quando consegui acordar sem gritar deselvolvi duas coisas que sempre temi. TOC e Sindrome de panico. Eu lembrava dos respingos de sangue e começava a me coçar, de unhas bem feitas e afiadas eu me feria, coçava até sair sangue ou simplesmente tomava mil banhos por dia e nunca me sentia limpa. Pra controlar minha sindrome do panico, por ansiedade ou eu carregava um saco de papel ou simplesmente afundava a cabeça entre os joelhos e respirava fundo. uma hora passava.

Depois de alguns minutos consegui me acalmar, limpei as lagrimas e peguei o notebook de dentro da mochila que trazia comigo, olhei meu reflexo e sorri desanimada eu não parecia nada bem...

Just Give me a reason...

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Mensagem por Andrew Carson em Seg Jun 22, 2015 12:16 am

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I've found out a reason for me and the reason is you...

Por: Andy Carson, falando com Kara Hoffman, no Campo de Entrada no cair da tarde...
A primeira semana aqui era conturbada, minhas coisas já estavam no meu quarto e adaptação seria rapida. Meu pai não estava nada contente com minha estadia no WA, ele me queria nas coisas da familia em Chicago mas eu não estava disposto a me meter nos negócios da familia. "Exportação e importação" de vinho, azeite e queijos essa era a fachada das lojas Carson & Cia, além dos advogados da família Carson e alguns senadores. O negocio real da família era a máfia. Meu pai era o padrinho mais novo de toda a Chicago e isso me perturbava, do mesmo jeito que o antigo morrera meu pai poderia morrer. Suspirei olhando em volta e olhei o celular para ver a hora, tinha uma ultima mensagem de Kara, suas palavras eram desesperadoras, não consegui chegar a tempo para o enterro da Sra Hoffman, ela apoiava bastante nós dois, em tudo. Meu pai é sempre tão ocupado com os negocios que mal liga pra mim, sentirei falta da boa senhora...
Entrei no campo de entrada reparando cada arvore ali plantada, eram coisas exoticas, dava vontade de desenhar tudo, colocar cada detalhe de cor num papel, bati algumas fotos, poderiam resultar em uma pintura outra hora... Meus pensamentos se voltaram para Kara, eu temia por sua vida, pelo que seu avô falara com meu pai o Sr. Hoffman agora rejeitava ela, graças a sua semelhança  com a mãe falecida, o que eu poderia fazer? Parei de supetão ao avistar os conhecidos cabelo loiros de longe, ela estava sentada sob uma frondosa arvore e tinha o notebook sobre o colo, me aproximei correndo fechando seu notebook:
- Tá procurando o que? O seu principe não vai estar on hoje...
Sorri atrapalhando seu cabelo.  
thanks, ♛ and ▲

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Mensagem por Kara Hoffman em Seg Jun 22, 2015 12:47 am

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T
entando manter a mente calma abri minha caixa de e-mails e desejei na hora não tê-lo feito, milhões de mensagens com o mesmo assunto: "meus pesames" "Meus sentimentos" "minhas condolências" eu não queria nada disso de nenhum desses estranhos... Eu só queria...
Antes de minha mente completar a frase ouvi o som já conhecido da mochila cheia de bottons de Andrew e sorri ao vê-lo se aproximar rapidamente e bagunçar o meu cabelo:
- Eu não estava procurando algo que já tenho sr. convencido.
Me levantei abraçando-lhe apertado. Senti as lagrimas cairem e sussurrei apertando-o mais um pouco:
- Eu não queria chorar, mas esse é o primeiro abraço que parece me acalentar desde que... desde que ela se foi.
Respirei fundo fechando os olhos sentindo o calor de seu abraço. Eu me sentia sem chão, perdida, mas eu sabia que sempre poderia contar com ele.

Just Give me a reason...

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Mensagem por Andrew Carson em Seg Jun 22, 2015 1:33 am

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I've found out a reason for me and the reason is you...

Por: Andy Carson, falando com Kara Hoffman, no Campo de Entrada no cair da tarde...
Kara ao me ver sorriu. Seu olhar não tinha aquele brilho de duas semanas atrás, ela parecia abatida, mais magra e embora sorrisse continuava com um semblante triste. Ela se levantou rebatendo minhas palhaçadas como sempre fazia e a abracei, senti ela se apertar contra meu corpo como se eu fosse desaparecer do nada e a apertei de volta:
- Shh... Calma pequena, eu estou aqui.
Ela sussurrou se desculpando, eu conseguia sentir suas lagrimas encharcando minha blusa. A tristeza era tanta que me partia o coração, eu me odiava por não ter estado com ela, minhas mãos em torno de sua cintura apertavam-na contra meu corpo sentindo seu calor. Afaguei seus cabelos enquanto me desfazia de seu abraço de urso e a puxava pela mão para sentarmos de volta onde ela estivera sentada. Era uma das maiores arvores do lugar que dava visão para um conjunto de flores azuis, violetas e vermelhas. Me sentei sobre o gramado encostando na arvore que não era tão desconfortável e sorri:
- Sempre que precisar sabe onde me achar, ou aqui do seu lado ou na minha conta no Star Wars The Old Replubic te esperando pra Upar...  
thanks, ♛ and ▲

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Mensagem por Kara Hoffman em Seg Jun 22, 2015 2:52 pm

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S
endo puxada pela mãe acompanhei Andrew de volta ao pé da arvore deitando a cabeça sobre seu colo. Ele conseguia me fazer sorrir embora estivesse destroçada por dentro. Suas mãos em meus cabelos me faziam  ficar cada vez mais tranquila, senti o estômago roncar e sorri sem graça pegando na bolsa de Andrew algumas barrinhas de cereal que ele levava a qualquer lugar. Saboreei o primeiro pedaço e quase engasguei de rir:
- Sr Carson, eu sei muito bem onde encontra-lo.
Sentei escorando apenas a cabeça em seu ombro pegando sua mão com a mão livre e fechei os olhos sentindo o vento morno que começava a soprar por ali.

O tempo passou mais rápido que o esperado, meu celular tocou e eram meus avos:
- Kay querida, seu pai deixou suas coisas em nossa casa em Chicago, então a partir das proximas ferias você ficara conosco até seu pai recuperar o juizo... Oh quero dizer até ele se encontrar em condições de ficar com você novamente.
Sorri sem graça sentindo o braço de Andrew ao meu redor que ouvia toda a conversa. Não tinha muito o que falar diante daquela situação, meu pai me rejeitava claramente e isso doia. Suspirei assim que vovó desligou o telefone  sorri para Andrew tentando parecer otimista:
- Bem nessa história toda temos um pró, vou ser sua vizinha...

Just Give me a reason...

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Mensagem por Liam P. Vause em Ter Jun 23, 2015 7:50 pm

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Egyptians


Stay High
Not on drugs.
Minha chegada ao instituto não poderia ser a mais clichê o possível, minha tia me deixara a poucas quadras do local, sem ao menos olhar em meus olhos se despediu com poucas palavras e logo deu partida em seu carro, o motivo? Ela sempre estava ocupada com os negócios de meu pai, digo, meu falecido pai.
Para um jovem de 17 anos, crescer sozinho sem a presença de um pai, e com a presença de uma mulher que deveria ao menos parecer ser sua mãe acabou por me levar a alguns vícios, a bebida e o cigarro me fariam falta nesses longos anos que passaria aqui dentro, com a irresponsabilidade desta mulher, acabei atrasando alguns anos escolares o que me resulta a um longo e tedioso fim da adolescência e um horrendo inicio da idade adulta dentro deste local.
Com a mala jogada em meus ombros, caminhava tranquilamente pelo campo de entrada, notando alguns jovens ao meu redor, não notara muito a aparência já que minha cabeça era bombardeada por uma sequência de pensamentos sem uma razão lógica, eu queria apenas descansar pelas próximas horas antes do verdadeiro inferno começar, na verdade, eu poderia encontrar alguém interessante, um amigo talvez, um estranho apenas para me fazer companhia, mas bem, eu farei parte de um dos três grupos deste local, o que me resta agora é adaptar-me. - Queria estar morto... - proferia tais palavras em meio a um leve suspiro em quanto caminhava tranquilamente observando todo o local para que assim, soubesse me orientar melhor.


Dead.


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Mensagem por Andrew Carson em Ter Jun 23, 2015 10:35 pm

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I've found out a reason for me and the reason is you...

Por: Andy Carson, falando com Kara Hoffman, no Campo de Entrada no cair da tarde...
No meio de toda essa bagunça sentimental uma noticia boa, Kara se mudaria para Chicago... Aposto que tinha o dedo do meu pai, mas nem assim ele conseguiria o que queria. Depois da ligação ficamos apenas ali, sentados apreciando o nada enquanto jogavamos no 3DS tentamos mudar o rumo da conversa, algo mais leve, vi Kara sorrir como sorria nas primeiras aulas de teatro enquanto sua mãe batia palmas e nos incentivava. A Sra Hoffman ia fazer muita falta, mas viver sem minha Kay era mais doloroso e eu precisava resgata-la daquele fundo de poço que ela teimava em se manter. Com o acender das primeiras luzes me levantei puxando Kara pela mão. Era hora de irmos:
- Vamos pequena.
Ela protestou a primeiro instante mas depois me acompanhou enquanto falavamos algo sobre jogos. Estava feliz de vê-la se alimentando, Kara havia todas as 12 barras de cereal de minha bolsa. Teria de me certificar que ela iria se alimentar.
Deixamos o lugar indo em direção ao nosso prédio.  


Encerrado para Andrew e Kara
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Mensagem por Noah Braückeroux em Sab Jun 27, 2015 4:34 pm

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Egyptians



Não aprendeu, quis inventar, desculpar pra ignorar, o fato de que sempre, deixa pra lá, as coisas que te impedem de amar.
i'm back, bitches
Certas vezes, quando você não tem ninguém que te cuide de verdade, você arranja modos de fugir da realidade. Uns cometem suicídio, outros caem matando nos livros, e bem, uns se drogam. Claro, é horrível e tal, mas eu realmente gosto, eu fujo da realidade, e ainda ganho dinheiro vendendo. Não, eu não sou um viciado, só em coisas melhores, tais como livros, música e sexo.

Meus pensamentos se agitam um pouco quando meus olhos batem nos portões do colégio interno para pessoas ricas que eu, arduamente, frequentava. Tento visualizar o melhor do local, muito embora eu só visse coisas ruins. Mais treinos do time de Rugby era o pior, me pergunto por que escolhi essa atividade, mas logo me lembro que naquela época eu não me drogava. Ensaio um sorriso debochado, colocando um cigarro nos lábios e acendendo. Dou um trago, e quase sinto a nicotina invadindo meus pulmões, diminuindo meus anos de vida e plantando quaisquer câncer de pulmão que um cigarro de menta poderia dar.

Saio do táxi, e pago ao motorista, logo indo para a traseira do carro e pegando minhas mochilas, com livros, meus equipamentos, roupas e outras coisas. O motorista do táxi dá partida no carro, fazendo um leve barulho. Viro-me para a entrada, dando um último trago no cigarro e logo jogando-o de lado. Com passos largos, entro pelos portões. Será um longo ano.



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Mensagem por The Vanity em Sab Jul 11, 2015 4:09 pm

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Segunda Competição: Concurso de Talentos
Bem-vindos, ao primeiro show de talentos da Weston Academy!

Sediado no belíssimo campo de entrada, a staff acadêmica abusou do ambiente arejado e agradável para a organização do show. Logo acima da colina fora montado um palanque – com colunas metálicas postas para o sustendo dos equipamentos como holofotes e lampadas que decorem todo o pequeno palco onde seria apresentado os talentos. Em caminho a recepção, que não fica tão distante da colina, fora armado uma tenda usada como camarim para a preparação dos talentosos alunos.

 As fileiras de bancos amadeirados foram alinhados no gramado logo a frente da colina, e por todo o resto do tapete naturalmente esverdeado encontravam-se barracas com os mais derivados lanches, sorvetes e bebidas sem álcool. Não tão distante dali fora posta uma cabine fotográfica, disponibilizada para os alunos registrarem todo o momento festivo.





____________

✝ why you gotta be so mean?
Band-aids don't fix bullet holes, You say "sorry" just for show. If you live like that, you live with ghosts. If you love like that, blood runs cold. Now we got Bad blood!

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Mensagem por Henry Daniel Grey em Ter Jul 14, 2015 2:07 pm

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Greeks
Hey Momma.
Surprised to see me?
S
enti algo pinicar minha face e meu torso, além alguma coisa ter começado a vibrar no bolso de trás de minha calça.  Levantei o rosto e mal consegui abrir os olhos, devido a claridade. “Mas que porra?”, foi meu primeiro pensamento quando notei que estava sem camisa e largado na grama embaixo de alguma árvore qualquer. Mas assim que me sentei (devagar porque qualquer coisa além disso faria o mundo girar) lembrei o porque eu estava ali, só não tinha certeza se o que eu tinha era uma ressaca destruidora ou ainda estava sobre os efeitos de .

Puxei o celular do bolso e o desbloqueei para ver pelo menos duas dezenas de mensagens perguntando onde eu estava e o porque de ainda não estar no campo de entrada para o show de talentos. Olhei a meu redor e vi minha camisa pendurada em um galho e abaixo dela o que parecia uma garrafa de vidro envolta em papel de pão, bebida barata provavelmente já que era o que eu estava cheirando.

Mais cambaleei do que andei até lá. Coloquei a camisa displicentemente, deixando pelo menos metade dos botões abertos, meu cabelo devia estar cheio de grama e parecendo um ninho de mafagafinhos... Enfiei o celular no bolso da calça e peguei o saco de papel antes de sair de onde fosse que eu estivesse.


...


Porque tinham que fazer o maldito palco no meio de uma fucking colina? Ô lugarzinho difícil de se chegar. Passei direto por uma grande tenda que borbulhava com vozes e pessoas e fui direto em direção ao palco. Alguns dos funcionários tentaram me impedir de subir mas eu os afastei com a típica intimidação de um adolescente que é rico e tem pais imponentes. Quase tropecei em um dos degraus mas consegui me recuperar a tempo de não derrubar a bebida que ainda estava em minha mão.

Parei na frente do suporte de microfone e me apoiei nele para me inclinar para frente e forçar a vista como se procurasse alguém. Quando meu olhar parou sobre o de minha mãe eu sorri e bati algumas vezes no microfone antes de começar a falar. -Olá mãe! E olá outros docentes e discentes da Weston Academy! - disse roucamente, bebendo mais um gole, que desceu queimando. Coloquei a garrafa no chão e puxei alguns papéis amassados de dentro do bolso da camisa. -Espera! Eu vim recitar uma coisa aqui para nossa querida diretora e você já já me tira. - comentei para o “who” que estava se movimentando para me tirar do palco, gerando alguns risos da platéia. Sorri para eles e abri uma das folhas da bola amassada em que encontrava.

Voltei a olhar fixamente para minha mãe e comecei a ler. -A indiferença e a negligência causam muito mais dano do que o desagrado imediato... Essa é da J.K. Rowling. - me abaixei para pegar a bebida e dei mais um gole antes de perceber que estava vazia. Suspirei triste e joguei ela para um lugar aleatório.   -Machuca deixar ir. Parece que quanto mais se tenta segurar algo ou alguém mais isso vai embora. Você se sente como uma espécie de criminoso por ter sentido, por ter quisto. Por querer ser desejado.  E te confunde, porque você pensa que seus sentimentos estão confusos e isso te faz se sentir tão pequeno porque cara... é tão difícil manter aqui dentro quando você demonstra e não recebe de volta. - nem notei que no meio da fala havia largado o papel e tirado o microfone do suporte e estava gesticulando ferozmente conforme cuspia as emoções em relação a minha mãe. -Você sabe o que é se sentir tão sozinho que não consegue nem explicar? Porra! É como se não existisse nada aí dentro não é. Eu estive aqui e você não, e eu sei que dentro dessa sua cabeça você concorda. - praticamente gritei para ela da beirada do palco.

O funcionário, professor ou qualquer que fosse seu cargo me segurou pelos braços e começou a me puxar para fora do palco. -Tchau mãe! - gritei quando chegamos nas escadas. Me chacoalhei e saí de seu aperto meio cambaleante para dentro da tenda onde estavam os alunos.

Me apoiei sobre uma mesa e olhei ao meu redor, encontrando um par de olhos azuis familiares e cabelos dourados. Fui até ela e segurei seu cotovelo. -Só me tira daqui. - praticamente implorei em forma de sussurro, torcendo para que ela não tivesse visto tudo.
robb stark

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Mensagem por Andrew H. Sibley em Ter Jul 14, 2015 7:53 pm

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talent show
fire meet gasoline
Eu tinha uma pequena mania de sempre divagar do nada com possíveis possibilidades, entretanto eu nunca poderia pensar em algum dia me preparando para cantar num show de talentos em uma academia. Eu estava em meu pequeno quarto na academia, passando música por música em meu celular, das minhas preferidas e escutadas a todo instante para até mesmo as menos favoritas, que eu mantinha no celular não sei por qual motivo. Eu queria de preferência uma música não muito calma, ao ponto de ser entediante, pois acho que ninguém iria parar para apreciar eu cantando Yayo da Lana Del Rey, ou Never Gonna Love Again da Lykke Li; eu precisava de uma cantora no mínimo conhecida, com uma canção nem tão enjoativa ou parada demais, mas que transparecesse uma sensibilidade e um leque de sensações. Foi quando parei em Sia, passei diversas de suas músicas, até achar uma satisfatória, e foi quando parei numa eu simplesmente cantarolava ela pelo pequeno espaço do quarto indo para o banheiro pentear meu cabelo cheio e castanho, arrumando-me para ir com passos rápidos até o local do show.

Eu geralmente não curtia multidões, mas ultimamente eu tinha que aprender a gostar delas, pois eu teria de me esforçar e sempre me apresentar e fazer de tudo para permanecer sendo um ótimo membro do grupo dos Nórdicos. Respirei profundamente, me dirigindo ao local da celebração do show de talentos, firmemente me dirigindo ao camarim, que era uma tenda vermelha que representava a divisão dos grupos gregos, nórdicos e egípcios. Dentro do camarim, podia avistar alguns praticando o canto, tocando instrumentos e uma pequena auréola de nervosismo pairava sobre todos ali. Lógico, iríamos representar os Nórdicos quando subíssemos ao palco, e eu não iria querer fazer feio também, assim como todos ali. Eu não fazia a mínima ideia de quantas apresentações haviam ocorrido, muito menos se eu era o próximo, porém depois de um moreno bêbado falar coisa com coisa ninguém mais subira ao palco, as pessoas pareciam esperar por algo, e foi quando senti a cutucada no ombro direito de um loiro de meu grupo, me incitando a ir em frente.

Subi ao palco, caminhando com naturalidade apesar de por dentro estar bastante nervoso. "Lembre-se, Andrew, tente respirar calmamente, se concentre e tente não perder o foco, ou isso ou vai surgir Jim, que provavelmente vai beijar quem ele ver pela frente, ou Nathan, que com toda a certeza vai mandar todo mundo ir se ferrar e vai sair andando", pensei comigo mesmo, tentando não dar espaço para os outros dois dentro de mim, pegando o microfone e abrindo meu melhor amplo sorriso.

- Olá, me chamo Andrew Grant, dos Nórdicos, e irei cantar algo para este show... - anunciei com uma voz um pouco rouca, pus o microfone para baixo segurando-o com força e pigarreando. Eu não poderia desafinar, para isso apenas estalei a língua, uma mania minha, bastante antiga e irritante. Assenti para um dos jovens e então iniciou-se a canção. Era pop, então muitos ali gostariam, que apesar da letra romântica, não era lenta demais, tinha um bom ritmo, e muitas pessoas gostavam de Sia, não era mesmo?

It's dangerous to fall in love
But I want to burn with you tonight
Hurt me
There's two of us
We're certain with desire
The pleasure's pain and fire
Burn me

As batidas começaram lentas, eu comecei a cantar a música com minha voz arrastada e levemente rouca, segurava firmemente o microfone em minha mão direita, não desafinando em nenhuma estrofe, o que para mim foi algo bom, terminei "Burn Me" baixando o tom, começando a próxima parte.

So come on
I'll take you on, take you on
I ache for love ache for us
Why don't you come
Don't you come a little closer
So come on now
Strike the match, strike the match now
We're a perfect match, perfect somehow
We were meant for one another
Come a little closer

Agora elevei o timbre de minha voz, erguendo minha mão esquerda em direção da plateia como se as chamasse, ou estivesse convocando um amante no meio deles, fechando os olhos sentindo as notas fluírem de meus lábios facilmente, de forma levemente rouca e acentuadas. Ao findar da última estrofe, prolonguei o "closer" abrindo os olhos com emoções emanando, naturalmente.

Flame that came from me
Fire meet gasoline
Fire meet gasoline
I'm burning alive
I can barely breathe
When you're here loving me
Fire meet gasoline
Fire meet gasoline
I got all I need
When you came after me
Fire meet gasoline
I'm burning alive
And I can barely breathe,
When you're here loving me
Fire meet gasoline
Burn with me tonight
Eh, Eh

O refrão era a melhor parte da canção; poderoso e simplesmente difícil de se cantar roucamente sem desafinar ou aguçar demais o timbre vocálico, entretanto, para minha surpresa a música saía tão naturalmente que não mais me sentia apreensivo, relaxando para pôr a minha mão esquerda com os dedos crispados sob meu peitoral, enquanto cantava, transparecendo a "chama do amor" que a música tanto falava metaforicamente. Em "I can barely breathe" estreitei os olhos erguendo a mão como em um sinal de súplica ou agonia, aumentando o timbre vocal, aumentando sua potência, em "tonight" um pequeno sorriso se formara em minha face, como a de um jovem apaixonado, e então a canção terminara.

Fui aplaudido pela multidão de pessoas, enquanto alguns pareciam mais interessados nas bancas de comida e nas máquinas de pipoca e sorvete, apenas assenti cordialmente, saindo do palco e dando o microfone para um outro jovem do grupo dos Nórdicos, suspirando e pondo a mão direita no coração, como que certificando-me de que ele não batia deveras rápido demais. Me sentei numa cadeira, fechando os olhos. Esperava ter ido bem, pelo menos.


I'm with people,  and i'm wearing academy's uniform,  and i'm listening this song. I'm Andrew.

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Mensagem por Pietro Bertolazzo em Qua Jul 15, 2015 9:24 am

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Everyone expects something from Pietro.

"I Love Rock and Roll!"





Era a véspera do dia do show de talentos do colégio e eu não poderia estar mais nervoso. Ensaiei a música que eu tocaria por muito tempo, desde antes de saber que haveria um show. Minha correspondência havia chegado há três dias com minha mais nova arma musical: uma guitarra que deveria ter sido leiloada ou algo assim, pois custou mais de US$ 15.000. Se tudo desse certo, logo eu também teria um autógrafo oficial de Billie Joe Armstrong gravado nela. Te amo, mamãe!

Fui para o meu quarto logo depois do jantar. Eu tinha que seguir a minha regra de não ensaiar ou estudar nada na véspera dos eventos e provas importantes. Isso sempre deu certo, então eu nunca deixaria de fazer. Só que por algum motivo, eu estava tão ansioso que eu me deitei na cama e logo comecei a me encher de uma agonia imensurável. Minha garganta parecia haver se fechado, meus olhos lacrimejavam e algo invisível pressionava o meu estômago. Em menos de meia hora, minha ansiedade fez com que eu fosse obrigado a me ajoelhar na frente do vaso sanitário e cuspir ali o hambúrguer com refrigerante inteiro que eu havia comido no jantar. De repente, a temperatura do quarto pareceu subir e eu suava tanto que minha camiseta ficara grudada no meu peitoral.

Depois de escovar meus dentes, eu voltei para minha cama e fiquei vegetando. Fiz de tudo para conseguir dormir. Escolhi a roupa que eu usaria, para poder me distrair, baixei alguns vídeos proibidos no meu celular, baixei vídeos não tão proibidos assim, tentei jogar Candy Crush... depois cogitei chamar alguma daquelas garotas que gostavam de tirar foto da minha bunda e mandar para as amigas com alguma legenda do tipo "Oh, meu Deus! Ele é tão gostoso!" (e que realmente achavam que estavam sendo discretas) para passar a noite. Só que isso feria meus princípios de nunca reduzir uma mulher a um simples objeto sexual. Por fim, me restou a última alternativa. Tomei um banho morno, me enrolei apenas com a minha toalha branca e procurei nas minhas coisas, um dos presentes que minha mãe trouxe de Fátima, em Portugal: um terço feito artesanalmente em algum material raro que parecia madeira (mas eu realmente acho que passaram a perna na minha mãe e que aquilo era um terço comum, desses que você compra com dois dólares).

Fiquei ao pé da cama e usei o que restou da minha fé católica, que era uma herança de meu pai, para pedir que a Virgem Maria intercedesse pelo meu show. Eu não sabia se aquilo realmente daria certo, mas considerei a alternativa válida. Comecei a recitar o que eu lembrava das ave-marias e pai-nossos, até acabar adormecendo de qualquer jeito na cama, com os pés elevados, sendo segurados pela cabeceira do móvel. Entrei num sono tão profundo, que quando levantei eu estava na mesma posição em que eu havia deitado, mas a minha toalha havia se desprendido de meu corpo. Naquele momento, dei graças por eu nunca me esquecer de fechar a porta. Ao me levantar, senti uma dor insuportável na região da virilha. Pelo visto, eu havia dado um mal jeito.

Tentando suportar aquilo, peguei meu celular na escrivaninha, crendo que ainda era muito cedo. Ao ver as horas, notei que faltavam menos de cinco minutos para o alarme tocar... o que já foi a primeira decepção do meu dia. O frio matinal e um corpo nu não combinavam, por isso, eu peguei a minha roupa e logo fui tomar um novo banho. Vesti uma camisa xadrez azul e preta, com a manga até a metade do cotovelo, uma calça jeans branca e um tênis meio vagabundo da QuikSilver, mas que eu nunca tinha usado. Penteei meus cabelos, encarando o espelho no meu guarda-roupa e respirei fundo, me preparando para ir à colina, onde ficava o campo de entrada e o palco para nosso show.

-------------------------

Tive que caminhar devagar, por causa da dor em minhas pernas. Assim que cheguei lá, já havia muita gente. Tive sorte de encontrar Jennifer, uma amiga minha da fraternidade Greek. Ela me abraçou e elogiou minha aparência e a fragância que eu havia escolhido para o dia. Realmente, eu me sentia mais bonito no dia do show, e isso era muito bom. Mal tive tempo de conversar com ela, logo um garoto começou a falar algo no palco que pegou todos de surpresa. Reconheci-o como Henry, um dos meus companheiros de ordem. Visivelmente bêbado, ele disse alguma coisa que tinha a ver com a mãe dele. Eu não entendi direito o que ele estava falando, porque eu estava longe do palco, mas fui me aproximando rapidamente, passando por entre os alunos amontoados. Peguei o fim da "apresentação", quando um funcionário tirou ele do palco. Com certeza eu gostaria de agradecer esse garoto estranho por fazer com que a Greek começasse o show de talentos já passando vergonha.

No fundo, eu o compreendia. Em 1999, quando eu nasci, minha família era unida. Quer dizer, diziam pra mim que meus pais só vinham cuidar de mim no fim de semana e eu passava meus dias com a governanta. Depois, em dezembro de 2000, meu pai se matou e antes de junho de 2001, minha mãe me jogou para meu tio como se eu fosse só um obstáculo na vida dela e passou a se corresponder comigo com cartas. Para evitar minha rebeldia, ela gosta de me agradar me mandando cartinhas das celebridades com que ela trabalha. A última coisa que ela me enviou foi uma caixa com todos os CDs da Taylor Swift autografados por ela e um recadinho: "Tenho certeza que você é um rapaz muito talentoso. Muito sucesso, para meu grande fã! Taylor =)". Bem, ao menos isso parece estar dando certo, porque eu não abriria mão dessas facilidades. Mas é claro, eu gostaria de não ter sido abandonado a minha vida toda.

Depois dessa pagação de mico, quem subiu ao palco foi aquele mesmo garoto da aula de música que cantou uma música de enterro. Como já era de se esperar, agora ele cantou uma música da Sia. Francamente, tem algo mais clichê do que cantar as músicas dela num show de talentos? Mais sonolenta que ela, só a Lana del Rey. Eu não vi nenhuma manifestação de alegria da Nordic ou dos Egyptians enquanto ele cantava, muito menos dos Greeks. Mas é claro que ninguém esperava isso, afinal; eu já fiz uma nota mental: pedir que esse garoto cante no dia do meu velório.

Quando ele acabou, só a Nordic aplaudiu de verdade. Os Egyptians e alguns dos Greeks aplaudiram educadamente, mas fazendo comentários maldosos entre si. Sem pensar, eu olhei para Jennifer e avisei:

-Eu acho que vou agora.

-Arrasa! - Ela disse, me dando um beijinho no rosto - Destrua carreiras e despedace os corações das garotas.

Com um risinho bobo, subi ao palco pelas escadas e quase tive um ataque de tanta dor. Assim que me aproximei do microfone, senti um frio na barriga e uma tensão incomum. Eu mal comecei a falar e os Greeks já chegaram mais perto de mim. Todos esperavam algo de Pietro Bertolazzo. Os Nordics se afastaram involuntariamente, como se estivessem com medo.

-Olá, meu nome é Pietro Bertolazzo. - Apresentei-me, finalmente e vi alguns alunos que estavam nas barraquinhas se voltarem para mim. - Parece que o clima aqui está tenso... ainda mais depois de ouvirmos esta marcha fúnebre do coleguinha anterior.

Os Greeks riram mais do que deveriam e os Nordics me encararam com muita raiva. Devolvi o ódio com um sorriso cínico e malicioso, mas sedutor. Vi mais alguns alunos chegarem mais perto e notei a impaciência e a expectativa deles. Decidi que não iria enrolar mais.

-Ok, sem mais piadinhas. Vamos agitar esse show!

Levei os dedos às cordas das guitarras e logo a inconfundível introdução de "I Love Rock n' Roll", de Joan Jett and the Blackhearts começou a ser tocada. Ao perceberem que era aquela a melodia que eu ia tocar, os Greeks logo aplaudiram-me com louvor. Por um momento, eu esqueci a dor nas minhas pernas e me afastei um pouco do microfone, para focar apenas no toque da introdução da música.

I saw him dancing there by the record machine
I knew he must have been about 17
The beat was going strong,
playing my favorite song

Comecei a cantar, não suavemente como eu costumava cantar os countries de Taylor Swift, mas sim sentindo o que os cantores de rock dos anos 80 sentiam. Era uma sensação inexplicável, praticamente impossível de ser descrita em palavras. Só posso dizer que eu não ligava mais para a dor que eu sentia, se eu me sairia bem ou qualquer coisa do tipo... eu estava cantando o verdadeiro rock e só aquilo importava.

Singin' I love rock and roll
So put another dime in the jukebox baby
I love rock and roll
So come on take some time and dance with me

Toquei o refrão, lembrando-me exatamente de todas as notas. Notei que enquanto eu cantava, os Greeks acompanhavam o refrão comigo, enquanto os Nordics mexiam os pés ou o corpo e se controlavam toda vez que eu olhava para eles e faziam uma cara feia, como se não estivessem gostando. Fiquei com medo de perder pontos se parasse de cantar e deixasse o serviço para a plateia, mas eu tinha certeza que se eu o fizesse, não sairia decepcionado, afinal; todos os meus colegas de fraternidade pareciam saber a letra da música.

Depois de repetir pela segunda vez a parte principal da música, foi a vez do solo de guitarra. Naquele momento, eu já estava gritando por dentro. Arrisquei alguns pulos enquanto tocava meu instrumento. O vento bagunçava meu cabelo e eu podia ouvir a minha fraternidade comemorando comigo. Eu me sentia como um deus do rock ou algo do tipo.

Singin' I love rock and roll
So put another dime in the jukebox baby
I love rock and roll
So come on take some time and dance with me...


Repeti essa mesma estrofe pela última vez. Por fim, finalizei a música, mas os Greeks continuaram a cantá-la por pelo menos um minuto. Depois, eles aplaudiram, assoviaram e gritaram. Para mim, a união dos membros da minha fraternidade era maior que qualquer vaia forçada dos Nordics ou a falsa cara de tédio dos Egyptians.

-Obrigado. É uma honra representar a fraternidade Greek. - Falei ao microfone, arfante.

Com o fim da adrenalina, minha perna doeu como nunca antes e, ao tentar descer a escada, eu me desequilibrei e caí do palco, no meio do meu grupo. Não pareceu tão grave até eu levantar e ver que eu não conseguia mexer o braço direito. Ouvi alguns risinhos, que pararam logo que viram que eu não estava bem. Jennifer se aproximou correndo e perguntou se eu estava bem. Eu respondi que meu ombro estava imobilizado e ela imediatamente me ajudou a ir até a enfermaria. Por sorte, acredito que os Nordics não tenham visto meu tombo. O que importava é que meu show havia sido completo. Todo mundo esperava algo de Pietro Bertolazzo, e eu havia dado o meu melhor a eles.

Observações:
A música está no template
 

valeu @ cács!




Última edição por Pietro Bertolazzo em Qua Jul 15, 2015 8:56 pm, editado 1 vez(es)

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Mensagem por Arya J. Hastings em Qua Jul 15, 2015 4:26 pm

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Mocca choco la




ta ya ya Creole lady marmalade



- Sabe de uma coisa, nunca percebi isso antes, mas a felicidade está tipo assim, bem na sua frente, está entendendo? - Alice argumentava ainda virada para sua prima  - Quer dizer, eu sei que você vai ter que trabalhar muito e tudo isso, mas é tão bom. Na verdade é muito mais fácil alcançar a felicidade do que adotar a felicidade.
Arya grunhiu tentando esquivar-se do mau humor bem antes de sua apresentação. Apertou o play de seu celular botando novamente os fones tamborilando os dedos pela cadeira em que estava sentada no quarto, os conselhos de sua prima a ajudavam porém permanecia indecisa sobre o que usar e como agir na frente da escola toda. Nem todas as tecladas desesperadas pelo Twitter salvaram a menina da plena insônia horas antes do "Grande Dia" e lá estava ela ensaiando as 3:00 da manhã sua música [Mesmo que incomodasse todas as meninas do seu andar]; não tinha parado na escola para ser amada.  


[...]


- Mocca choco la ta ya ya - Cantarolava, andando com seus amigos para o lugar que seria feito o concurso de talentos, ignorava os olhares impiedosos e os comentários até mesmo maldosos. - Está bom, hm? - Virava uma criança quando estava com Daniel e Alice e algo a incomodava; realmente os enchia de perguntas. Nem mesmo sua roupa a agradava naquele momento, havia tempos que não usava alguma peça preta com estilo colegial; uma releitura de seu uniforme. - Aigoo, esses olhares são tão desconfortáveis!

Havia muitos Nordics no lugar e infelizmente não conhecia nenhum. Poucas vezes se culpava tanto por dentro; sua mãe dizia e repetia que deveria socializar mais só que sempre entrava por um ouvido e saía pelo outro e acabava na mesma situação agonizante. As apresentações permaneciam caprichadas e até mesmo variavam do pop ao rock em questão de minutos, todos pareciam tão motivados para se apresentarem que logo a coreana também entrou no clima e já sentia o brilho e a emoção do lugar "Depois dele eu vou, certeza!" e isso se repetia a cada concorrente que parava no palco, estava tremendo por dentro. Ajeitou o chapéu sobre sua cabeça e ao fim do último refrão do menino da ordem Greek respirou pausadamente, havia chegado sua hora.
- Me desejem sorte! - Acenava para seus amigos, com um sorriso estampado. - Eu vou agora!


[...]

Subiu no palco com um risinho irônico segurando sua saia com cuidado, parou no centro onde todos podiam enxergá-la e começou a breve apresentação. - Olá, meu nome é Arya  Hastings - Deu um leve sorriso cínico, ajeitando o cabelo com a mão disponível. - E estou aqui para cantar, como já perceberam.  

A primeira coisa que puderam ouvir de sua apresentação, foi uma nota alta e aguda no "He" além de uma música baixa e num ritmo lento. A nota estendeu-se até o começo da primeira estrofe no qual cantava lentamente e com um tom de voz doce e aveludado.


He met marmelade
down in old moulin rouge
Strutting her stuff on the street
She said, hello, hey joe
You wanna give it a go, oh

 Após a quase segunda nota alta no "Go", a voz de Arya entoava muito mais facilmente do que na primeira vez cantando em público na aula de música. Conseguia sentir o olhar entediado da maior parte das ordens ainda desanimadas achando que aquilo se tornaria um festival de pop/rock com um remix eletrônico.  


Gitchi gitchi ya ya da da (hey hey hey)
Gitchi gitchi ya ya here (hee oh)
Mocca choco la ta ya ya (ooh yeah)
Creole lady marmalade (ohh)


Não podia conter um sorriso tímido em seu rosto, balançava-se suavemente antes de completar o "Marmalade" estendendo três notas altas até que o ritmo da música mudasse para o tão conhecido "hit" da Christina Aguilera. Levantou um dos braços e chacoalhou-os para cima e para a baixo. - 1, 2, 3, 4! - Seu tom mudou completamente, até se tornar aveludado e autoritário, pôs a mão esquerda em sua  cintura e voltou a cantar, apostando sempre na sua potência vocal.


Voulez-vous coucher avec moi, ce soir (oh oh)
Voulez-vous coucher avec moi (yeah yeah yeah yeah)

Ela se sentia radiante como a Beyoncé e a emoção de sua apresentação mostrava isso. Deu alguns passos para frente passando rapidamente a mão esquerda por seu corpo até chegar próximo de sua cabeça para alongá-la novamente para cima e abaixá-la lentamente. Inclinou um pouco a cabeça mantendo o vocal num tom doce e fofo conforme ia cantando cada linha.


He sat in her boudoir while she freshened up
Boy drank all that magnolia wine
On her black satin sheets
It's where he started to freak, yeah
Come on!

Balançava o corpo em movimentos giratórios que iam da direita para a esquerda, deu alguns passos para trás mantendo o tom. Deu uma pausa rápida antes de executar a outra estrofe da música recuperando-se de seu último agudo em "Creole Lady Marmalade".  

Gitchi gitchi ya ya da da (da da da)
Gitchi gitchi ya ya here (ooh yeah yeah)
Mocca chocolata ya ya (ya ya) (yeah yeah yeah)
Creole lady marmalade, uh

- Yeah! Uh - Jogou o braço para o lado balançando-se, sua voz se tornou menos aguda quando a parte da Lil Kim chegou, um rap simples e que incorporava mais alma para a música (Claro, ela não era acostumada a fazer rap em seu pouco tempo de vida, mas gostava de improvisar), sentia-se como uma "bad girl" quando repetia aqueles versos.  

Yeah, yeah, aw
We come through with the money and the garter belts
Let 'em know we 'bout that cake, straight out the gate,uh
We independent women,
Some mistake us for whores
I'm saying, why spend mine
(When I can spend yours)
Disagree, well that's you and I'm sorry
I'ma keep playing these cats out like atari
Wear ideal shoes, gettin' love from the dudes
Four bad ass chicks from the moulin rouge

(Hey sister, soul sister
Betta get that dough sisters)

We drink wine with the diamonds in the glass
By the case, the meaning of expensive taste

Pousou a mão na cintura e assumiu novamente seu tom potente e aveludado que poderia facilmente atingir uma nota B5. Fechou os olhos quando lembrou que sua apresentação estava quase no fim, para ela era quase uma honra "representar" os Nordics com uma apresentação daquelas. Inclinou-se um pouco para a frente no primeiro Marmalade.

Marmalade (ooh)
Lady marmalade (hee yeah yeah)
Marmalade (no oh oh yeah)
Hey Hey Hey~

Estava no clímax de sua apresentação, voltou a cantar de forma potente como estava acostumada a cantar nos longos verões na casa de sua prima; quando ela, Alice e Daniel ficavam horas fazendo covers. Muitos não esperavam todo aquele show vindo de uma menina asiática e baixinha.

Gitchi gitchi ya ya da da (da da da da uh)
Gitchi gitchi ya ya here (ohh)
Mocca chocolata ya ya (ooh)
Creole lady marma
Creole lady marma
Creole lady marmalade~

Curvou-se num ângulo de 90º  enquanto sorria ainda cansada da apresentação, tudo era um sonho. Nunca tinha sido aplaudida daquela forma, não ligava se eram apenas Nordics ou Greeks ou Egypts, estava muito empolgada para isso. - Muito obrigada. - Retirou-se do palco rindo, indo ao encontro de seus melhores amigos. Suas pernas tremiam e o coração pulsava, muitos iriam lembrar da pequena Arya.


------------------------



Wearing This  -  Singing: Lady Marmalade - At: Concurso de Talentos
Apresentação inspirada em:
♥inspired
♥credits

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Egyptians

Show Yourself
D, C, A, G


M
eus dedos passavam trêmulos para cada tecla do teclado na sala de música enquanto eu ensaiava pela milésima vez naquele dia. Horas mais cedo alguns alunos também estavam ali, cantando, dedilhando, batendo...cada um com seu talento e instrumento. Eu era a única ali naquela sala vazia que sem o som do teclado ficava um tanto quanto sombria. O show de talentos já estava acontecendo, ao longe eu podia ouvir vozes cantando, instrumentos solos e os aplausos e gritos da platéia. Passei o ultimo compasso antes de deixar as mãos repousarem na coxa e irem para o copo de café, eu não dormia fazia exatos dois dias por causa desse maldito show, estava viendo basicamente de café.

Me levantei delicadamente, ajeitei o vestido e o chapéu que eu havia colocado paenas como um charme à mais. Dei um leve sorriso encorajando a mim mesma enquanto saia da sala de música e jogava o copo de café e se dirigia ao local do show de talentos.

[...]

O lugar estava lotado, poderia ser chamado até de formigueiro humano. Eu me dirigi a tenda onde os alunos que se apresentariam estavam para relaxar e ensaiar uma ultima vez antes de pisar no palco, eu nem sabia se teria coragem de subir lá ainda. Ao chegar eu apenas me sentei e fechei meus olhos batendo os dedos na pasta com minha partitura ao ritmo da música enquanto repassava o meu próprio mantra de concentração que mamãe vivia repetindo para mim quando eu me apresentava quando criança. ''Não pense, relaxe e faça. Dê o seu melhor, com fogo e sangue.''

Fogo e sangue. Muitas famílias tinham um lema na Alemanha, o lema da minha mãe era esse, e por mais estranho que pareça, faz todo sentido para mim. Meu pai brigava comigo quando eu proferia esse lema antes de algo importante. ''Apenas os seus avós dizem isso, você não'', ele dizia. Ele podia controlar o que eu falava, mas não o que eu pensava. Minha mente era o único lugar que era livre de suas ordens.

Um a um foi subindo, se apresentando e descendo daquele palco sendo aplaudido pelos seus colegas de ordem e parabenizados quando estavam seguros no chão. Eu fiquei um tanto quanto irritada com um menino da Greek, o que ele disse sobre o Nordico que se apresentava antes dele me irritara profundamente, e a música que a menina de mesma ordem que eu cantara havia me acalmado um pouco.

Quando essa mesma menina saíra do palco, era a minha vez. Fui até o palco conferindo o vestido e ajeitando a chapéu, tendo cuidado para não cair do salto que me deixava alguns centímetros mais alta. Subi no palco e respirei fundo.

-Meu nome é Daenerys Targaryen, e vou tocar uma música um tanto quanto significativa para mim, espero que gostem.-Olhei para os Nordics, os únicos aplausos que me interessavam eram deles.

Caminhei até o piano com calma, me sentando sutilmente e abrindo a partitura, posicionando meus dedos nas teclas e finalmente, começando. Meus dedos corriam pelas teclas suavemente, e continuavam suaves quando o ritmo acelerava ou desacelerava. Eu não olhava para a partitura mais, meus olhos estavam fechados e meus dedos apenas seguiam o que já haviam ensaiado trocentas vezes nos últimos dias, a sensação de estar ali me reconfortava enquanto eu sorria sempre que o som do piano preenchia os meus ouvidos.

Na ultima parte da música, o ritmo se acelerou e me coração também. Abri os olhos e coloquei todo meu coração naquela parte, até ela ir desacelerando e acabando de vez. Esperei dois segundos e os aplausos e assobios preencheram o espaço. Sorri e peguei a pasta, olhando para os nordics que aplaudiam. Coloquei um pé cruzado no outro e fiz uma reverência que as bailarinas costumam fazer, logo acenei para meus amigos de ordem e desci do palco, tremendo mais do que eu queria.

{Músic - aqui | Clothes: Aqui!}      



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Nordic

You can see me now
Gotta keep myself calm, but the truth is you're gone and I'll never get to show you these song
And there are days when I'm losing my faith, because the woman wasn't good, she was great [...] I'm tryna make you proud, do everything you did; I hope you're up there with God saying "that's my kid"


O vento soprava e invadia a janela do meu quarto, arrepiando os pelos da minha nuca. Era uma brisa fria um tanto incômoda e até mesmo aquilo me fazia lembrar do que estava prestes a fazer. Não poderia acreditar que estava realmente disposto a remexer aquela história de novo, ainda mais daquela forma, em frente a todo mundo. Mas eu tinha de fazer aquilo, devia isso a ela depois do que acontecera. Respirei fundo quando ouvi os três toques na porta. Sabia que era meu pai.

Assim que abri a porta eu visualizei o violão escorado sobre o chão ao lado do seu pé, dentro da capa. Engoli em seco ao ver o instrumento e me lembrar que não o tocava – não apenas no sentido musical, fazia tempos que meus dedos nem ao menos sentiam a superfície de madeira do objeto, nem um único acorde – havia realmente muito tempo. Nós tivemos uma conversa que eu me esforcei muito para que fosse o mais breve possível. Não havia contado a ele qual música iria cantar, até porque ele provavelmente nem a conhecia, mas caso se desse ao trabalho de procurar a letra, entenderia imediatamente do que se tratava. Mesmo porque eu fui capaz de enxergar em seus olhos que ele tinha consciência da situação e provavelmente supunha o que eu sentia naquele momento. Ainda assim, o final de nosso diálogo foi no mínimo tenso.

- Eu posso assistir? – a pergunta era ambígua. Ele poderia estar querendo dizer “Os pais podem presenciar o show de talentos?” ou “Se incomodaria se eu ficasse para ver meu filho tocar violão depois de anos?”, a primeira oração era uma pergunta superficial e distante; já o segundo significado daquelas palavras poderia ser uma forma de tentar se reaproximar de mim. A pior parte é que eu não poderia dizer qual das duas opções era a certa.

- Creio que sim. – fui vago também. “Provavelmente a escola não proíbe os pais de assistirem” ou “Eu acho que posso te dar essa chance”. Ele também não poderia dizer qual das duas opções era a certa, felizmente.

Na dúvida, ele se limitou a assentir e acho que pude ver um esboço de sorriso no modo como o canto esquerdo de seus lábios pareceu se contrair. Apenas pareceu. Meu pai ultimamente era assim, as coisas apenas pareciam quando se tratava dele – e aparentemente eu também estava ficando assim.

•••

Eu me posicionei sobre o palco e coloquei o violão sobre minha coxa. Um detalhe interessante é que eu nunca fora muito fã de música. Era verdade que eu gostava, como a grande maioria dos adolescentes, e me divertia tocando violão, mas não me recordava de algum dia ter a música como o centro de todo o meu futuro, nem ao menos era um modo comum que eu encontrava de extravasar meus sentimentos. Entretanto, naquele momento tocar aquela música parecia o melhor modo de retirar de sobre mim o peso que me sufocava. Apenas esperava que esses sentimentos não ficassem muito expostos.

A música era de uma banda irlandesa, uma das mais famosas do país, The Script. Pelo que sabia, a canção havia sido escrita em homenagem ao pai do vocalista e aos pais do guitarrista da banda, com diversas referências a eles e a letra me trazia muitas lembranças que eu me esforçava em sufocar boa parte do ano, menos em um único dia que eu reservava especialmente para isso, especialmente para ela. Mas pela primeira vez havia sido diferente, no dia eu estava preso dentro do colégio, meu pai não comunicara a academia com antecedência e nós não viajamos para São Francisco para visitar seu túmulo. O túmulo da única pessoa que conseguia me fazer manter minha mente no eixo. E tudo isso começou a se revolver em meu estômago quando eu dei início às primeiras notas de If You Could See Me Now.

It was February fourteen, Valentine's Day
The roses came, but they took you away
Tattoed on my arm is a charm to disarm all the harm
Gotta keep myself calm but the truth is you're gone


Ela não se fora dia 14 de fevereiro, mas eu ainda me lembrava do vermelho daquelas flores sobre seu caixão, o vermelho na mão das pessoas, o preto em suas roupas. No dia do enterro eu já não chorava mais, mas eu era incapaz de me lembrar de detalhes.

Dad, you should see the tours that I'm on
I see you standing there next to Mom
Both singing along, yeah arm in arm
And there are days when I'm losing my faith
Because the man wasn't good he was great
He'd say “music was the home for your pain”
And explain, I was young, he would say:


Quando eu proferi dad eu me esforcei em manter meus olhos onde estavam desde o início da música: para baixo. Não tentei procura-lo, mas sabia que meu pai estava em algum lugar pela plateia, me observando, e sabia que naquele momento ele já tinha ciência do que se tratava aquilo e que repentinamente ele se dera conta de que não visitar o túmulo da minha mãe no aniversário do dia que ela morreu talvez tenha me feito mal. Minha voz falhou no mom e eu errei a nota, o que me fez culpar-me mentalmente. Dizer tudo aquilo fazia um bolo de angústia se materializar em meu estômago, mas eu apenas me concentrava, tinha de conseguir.

"Take that rage, put in on a page
Take the page to the stage
Blow the roof off the place"


Não eram exatamente essas as palavras que ela usava, mas minha mãe sempre fora a única pessoa capaz de conter minha instabilidade. Eu não tinha nenhum distúrbio de personalidade, era simplesmente um garoto complicado de se lidar. Mas não para ela.

I'm tryna make you pround
Do everything you did
I hope you're up there with God
Saying that's my kid


Eu ergui o tom no kid e busquei manter a nota com a minha voz o máximo possível antes de dar continuidade ao refrão. Naquele momento eu já fazia um esforço destrutivo para não chorar e só a possibilidade de fraquejar diante de uma plateia me fez pensar em não continuar. Mas eu simplesmente precisava.

I still look for your face in the crowd
Oh, if you could see me now
Would you stand in disgrace or take a bow
Oh, if you could see me now

Oh, if you could see me now


A primeira frase entrou quase como um suspiro de minha parte. Ela era dirigida a ambos os meus pais. Só naquele instante eu entendi que aquela letra me atingia não apenas pela falta esmagadora que eu sentia da mulher que me trouxe ao mundo; algumas vezes – e eu jamais admitiria isso de outra forma – eu também sentia falta do homem que chamava de pai, mesmo ele ainda estando vivo. Originalmente, após cada uma das duas primeiras vezes em que o título da música era cantado ele era repetido ao fundo, mas eu excluíra de improviso essa parte, continuando apenas no violão e aproveitando para buscar autocontrole.

You used to say I won't, know I will until it cost me
Like I won't know real love till I've loved then I've lost it
And if you're lost a sister, someone's lost a mom
And if you're lost a dad, then someone's lost a son
And they're all missing now, ya they're all missing now
So if you get a second to look down at me now
Mom, Dad, I just missing you now


Eu estava mais calmo, eu estava novamente no controle. Ainda havia um caos de sentimentos dentro de mim, mas pelo menos eu conseguia ter certeza de que não iria chorar. No quarto verso eu me permiti buscar apenas uma vez o olhar dele na plateia, porque de algum modo aquela frase se relacionava com a nossa ligação que parecia se dissipar. Se você perde um pai, então alguém perde um filho; e algumas vezes eu sentia que nós dois estávamos simplesmente nos perdendo. Eu o encontrei quando entoava a metade do último verso e havia algo no seu olhar que me fez fraquejar e minha voz beirou um novo erro perceptível quando eu senti que ele também continha uma avalanche de sentimentos.

I still look for your face in the crowd
Oh, if you could see me now
Would you stand in disgrace or take a bow
Oh, if you could see me now

Oh, if you could see me now


Ver Mr. Cavanaugh me olhando daquela forma me deixou um pouco sem graça, mas ao mesmo tempo aliviou uma sensação detestável que eu tentava a todo custo ignorar: um sentimento asqueroso de estar sozinho. Mas aquilo durou apenas o refrão quando eu olhei para a pessoa sentada a seu lado direito. Boa parte da tristeza, luto, angústia, compreensão e solidão foi substituída por ódio.

Oh.. oh..

Would you call me a saint or a sinner?
Would you love me a loser or a winner?


Eu já não olhava para ele nem para ela. O que aquela mulher fazia ali? Por que ele decidira convidá-la para ver a mim? Eu não acreditava que ele ainda estava com ela, não poderia conceber que aquela mulher não passara de uma vagabunda que, como muitas outras, sabia transar bem. Depois de tudo, ele ainda insistia naquela babaquice.

Oh.. oh..

When I see my face in the mirror
We look so alike that it makes me shiver


Eu fechei os olhos logo ao primeiro verso e inesperadamente o rosto da minha mãe veio à minha mente. Duas imagens dela, na verdade. A primeira, era a sua época saudável, seu sorriso largo e alegre, seu olhar acolhedor, sua expressão pacificador e forte. A segunda era dela na cama, ainda sorrindo, ainda tentando de algum modo me aquecer apenas com os olhos, mas ela parecia prestes a desmontar caso eu, um garoto de onze anos, a tocasse, consumida por suas próprias células. Por isso minha voz ficou angustiada no segundo verso e eu prolonguei a nota e ergui minha voz até seu máximo na última palavra, que saiu da minha garganta mais como um grito de desespero.

Oh, if you could see me now
Would you stand in disgrace or take a bow
Oh, if you could see me now
Oh, if you could see me now


Prolongar o shiver da estrofe anterior fez com que eu entrasse no refrão já no segundo verso, conectando ambas e ainda mantendo os mesmos sentimentos de antes. Meu coração estava quente e eu não sabia exatamente o porquê, mas minha voz transmitia uma certa ira. Eu respirei fundo no momento da canção em que cantaria a segunda vez consecutiva o título, buscando me controlar.

Would you stand in disgrace or take a bow
Oh, if you could see me now
Oh…

Na segunda vez que deveria cantar o refrão eu novamente continuei apenas no violão durante a primeira metade enquanto tentava, com o olhar vidrado no chão, me acalmar, sentindo meus olhos arderem intensamente diante de minha tentativa felizmente válida de não cair ali, de não chorar. Por fim, quando percebi que era capaz de cantar sem errar todas as notas, eu entoei a segunda parte do refrão e voltei a erguer o olhar em busca do meu pai, torcendo para não cair.

•••

You could see, you could see me now
You could see, you could see me now...

Enquanto eu pressionava com força a beirada da pia eu lembrava do final da canção, quando meu olhar, por uma segunda vez, caiu sobre meu pai. Seus olhos estavam vermelhos, intensos, mas frágeis por trás de uma camada de resistência. A expressão certa seria You can see me now, pois naquele momento eu me senti novamente completamente exposto a ele. Mas assim que terminei de tocar a canção eu me ergui do palco apressadamente, levando o violão o comigo e me adiantei até o banheiro.

Lavara o rosto, respirara fundo, olhara-me no espelho. Nada disso havia conseguido atenuar minha vontade de chorar. Aquilo tinha sido uma má ideia desde o começo, eu sabia, mas a sensação de culpa – pelo menos esse sentimento negativo – havia se dissipado completamente. As juntas dos meus dedos estavam brancas devido a força com a qual eu pressionava a beirada de mármore. Sentia receio de alguém entrar no banheiro, me encontrar frágil, aos prantos. Eu estava de cabeça baixa quando ouvi a porta se abrir atrás de mim e suspirei de alívio por não ter cedido, caso contrário naquele exato instante um funcionário ou aluno – talvez até um geek – teria me encontrado chorando feito um bebê fraco.

- Peter? – eu estremeci e ergui o olhar para o espelho diante de mim. Atrás da minha figura inclinada sobre a pia estava um homem alto e de terno, com linhas duras no rosto, um olhar que eu ainda buscava decifrar por completo e as mãos no bolso.

Teria sido melhor um greek ter me visto chorando do que ter meu pai ali naquele momento.



Thanks Tess

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Nordic
The show
Sentia algo vibrando perto de mim, não fazia a mínima ideia do que era. Abro os olhos lentamente soltando um grunhido. –uh? – era meu celular. Tinha posto para despertar cedo hoje. Finalmente iria acontecer aquele show de talentos, valendo a liderança da Nordic. Soube que quase ninguém está participando então me inscrevi. Ainda não sei porque diabos fiz isso, não consigo nem me auto liderar, como lideraria uma ordem inteira? Mas tudo bem, eu dou meu jeito. Desativo o despertador e me sento na cama lentamente, deixando o celular de lado e me espreguiçando. Não me lembro de acordar tão cedo em um dia que eu não teria aula. Definitivamente, eu ODEIO acordar cedo.  Me levanto e vou para o banheiro tomar um banho bem quente para logo depois já começar a me arrumar.
[...]
Depois de alguns longos minutos se passarem eu saio do banheiro enrolada na toalha, com os cabelos encharcados soltos. Me visto rapidamente com uma calça jeans, uma blusa branca comum, uma gravata feminina e um all star preto de cano logo. Sei que essa não era a roupa adequada para cantar em um show de talentos, mas este era o estilo que Avril tinha quando lançou a música. - Isn't anyone trying to find me? Won't somebody come take me home....  – Cantarolo. Sei que minha voz não é lá grande coisa, mas mesmo assim gostaria de cantar minha música preferida.  E, afinal, da minha cantora preferida, Avril Lavigne.

Pronto, eu já estava “arrumada” no padrão da cantora. – “ótimo.” – Penso. Solto um leve suspiro encarando minha face no espelho e tiro minha franja do rosto, deixando somente uma parte perto do olho. Saio do meu quarto empolgada e vou em direção ao local do show. Já haviam muitas pessoas pelo local, inclusive os participantes do concurso.  Não via quase ninguém pela Nordic. O que era bom e facilitava um pouco o meu lado, eu acho.  Pelo menos não havia tanta concorrência assim.
[...]
Finalmente havia chegado a grande hora. Estava sentada em um camarim com algumas outras pessoas que concorriam para líder de suas ordens esperando minha vez, que pelo visto já estava próxima. Assisto atentamente as apresentações dos outros alunos acontecendo por um pequeno espaço da cortina atrás de mim. Já haviam algumas garotas cantando, tocando instrumentos e dançando. Depois de um tempo chegara a minha vez. Meu coração estava a mil naquele momento e eu podia sentir isso de alguma forma. Não sei se isto era normal ou se precisava achar um médico pra ver isso mas nada importava agora, só o que me interessava era acabar logo com isso.

Caminhava com passos lentos até o palco quando ouço meu nome sendo chamado. Deixo meu celular em cima da mesa em que estava apoiada até agora e ajeito meus cabelos. Eu não gostava muito de alisar meu cabelo, mas precisava ficar o máximo parecida com a cantora possível, mesmo que eu não tenha nada haver com ela. – Olá... – Digo, logo limpo a garganta e continuo. – Me chamo Anna Hool, e vou cantar pra vocês a música I’m With You, da Avril Lavigne.- Alguns aplaudiram, outros não tiveram reação nenhuma e só continuaram assistindo atentos. Pego meu violão e começo a tocar a introdução da música. - I'm standing on the bridge I'm waiting in the dark I thought that you'd be here by now There's nothing, but the rain No footsteps on the ground I'm listening but there's no sound…. – Canto a primeira parte da música, fazendo  uma pausa para continuar a próxima parte. Meu coração batia cada vez mais forte e isso me incomodava.  
[...]
Havia finalmente terminado a canção. Estava muito nervosa, admito, mas não é de meu costume cantar em público, ainda mais em uma apresentação. Mas precisavam de alguém para estar lá pela nordic, talvez eu ganhe, talvez não... Mas tanto faz. Pelo menos participei e estava feliz com isso. Logo me levanto do banco aonde estava sentada e ouço os aplausos, e alguns assovios. Faço uma reverência abaixando a cabeça e sorrio para todos, saindo do palco e voltando para o camarim esperar o resultado.



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Mensagem por Timothy G. Keynes em Dom Jul 19, 2015 1:21 am

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Data de inscrição : 08/03/2015

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TRASH!

Olá, meu nome é Timothy e estou escrevendo alguma coisa aqui embaixo, provavelmente é um texto confuso que tenta ser claro, mas na ânsia por dar informação eu acabo me perdendo e deixo tudo confuso, enfim... Só queria mudar o que estava escrito aqui nas letrinhas pequenas, por isso estou escrevendo isso, bjks!
__________________________________________________________________________________
Quando cheguei na Academia a maioria das minhas coisas já estavam no quarto, porém trouxe alguns itens comigo na mochila, alguns eram por necessidade básica mesmo, como escova de dentes e hidratante labial, mas outros estavam lá por pura besteira minha, eu acho, algumas pessoas chamariam de razão sentimental, mas não acho que seja pra tanto. Estou me referindo mais especificamente a um par de sapatilhas velho, não amo essas sapatilhas, é só outro par de sapatilhas, mas quis mantê-los comigo. Vir pra Weston foi ótimo, mas se tinha algo que me doía no fundo da alma era saber que aqui não teria aulas de dança, o mais perto disso seria líder de torcida e talvez seja um pouco ignorante da minha parte, mas não acho que pompons façam meu estilo. Mas a questão é que eu trouxe as malditas sapatilhas, originalmente brancas, hoje tinham uma tonalidade mais próxima do meu tom de pele devido as ausência de anil, água ou sabão.
Falta de higiene a parte, quando soube que haveria um show de talentos essas sapatilhas estavam jogadas no fundo do guarda roupa do meu minúsculo quarto na ordem egípcia, no primeiro momento confesso nem ter pensado nelas, por dança não ser uma disciplina da escola eu tentei elaborar algo que fosse mais a cara da Weston, poderia combinar artes plásticas e astronomia pra construir um modelo do sistema solar, mas era um show de talentos, não a feira de ciências. Foi na noite anterior ao show, quando tentava fazer minha voz se encaixar em alguma música pra poder apresentar de alguma forma que meu corpo me deu a resposta de forma absolutamente espontânea, era a música perfeita! Corri até o armário arrancando tudo de lá até encontrar aquelas sapatilhas velhas, vesti-as e dei fiquei em pé em frente à cama dando play no celular que logo fez a música recomeçar nos fones. O espaço era mínimo, impossível ensaiar num quarto daquele tamanho!
[...]
Era o dia do show, na minha cabeça cada movimento estava prontamente definido, mas o problema era que quem tinha que se mexer eram os braços e pernas. Atrás do palco eu estava com os fones ouvindo repetidas vezes as batidas firmes da música que marcavam o que deveria ser feito em cada momento, meu olhar se mantinha firme enquanto eu repetia inúmeras vezes a mesma sequência, tomado por aquela típica insegurança pré palco. Logo o apresentador do show começou a chamar as primeiras atrações, quando se está na coxias geralmente você não entende muito bem o que está acontecendo lá em cima, mas aparentemente a primeira apresentação teve um certo ar de protesto, protagonizada pelo filho da diretora, que parecia um pouco bêbado ao subir no palco, em seguida vieram algumas performances musicais, acabei perdendo a conta de quantas, mas sei que em algum momento teve um cover incrível de Lady Marmalade, curtir aquela performance em especial me fez relaxar um pouco.
Enfim chegou minha vez subi ao palco cruzando com uma garota parecida com a Hermione, ela havia cantado da Avril, confesso que não prestei muita atenção na performance dela, naquela hora já estava sentindo que ia vomitar todos os meus órgãos de nervosismo. Caminhei até o centro do palco vestido apenas de uma calça de algodão egípcio branca, meus braços se mantinham firmes e rentes ao corpo e olhava de forma inexpressiva pro público esperando pela primeira nota que em algum momento deveria soar nas caixas de som, era incrível como uma música podia demorar pra começar quando você estava no palco, chegava a ser frustrante, pode ter dado alguma falha técnica, podem ter perdido a música, será que ninguém quer aproveitar que estou aqui parado igual uma estátua e apresentar os patrocinadores também?
E quando você menos espera aquele piano começa a repetir a mesma nota de forma insistente, dando base para Say Something, cada vez que aquela nota ecoa pelo campo meu corpo assume uma forma diferente rumo ao chão, já com as mãos no palco surge um novo acorde complementando a nota que marca o tempo da música, minhas pernas se esticam pra frente voltando a dobrar na frente do meu tronco e faço um swing lento pra esquerda, então pra direita, levando este até além e parando o corpo numa prancha, meus pés se arrastam para frente ficando quase em posição fetal e lentamente me levanto virando a cabeça pro público quando a música tem suas primeiras palavras ditas “Say something” caminho lentamente para a margem do palco durante o “i’m givin’ up on you”.
Meus braços se abrem firmes na lateral do corpo e a perna direita assume a frente permitindo que meu corpo se apóie nela por alguns instantes, passando todo o peso para a meia ponta dos pés viro para a lado esquerdo do palco com os braços bem abertos e dou um giro, sem que nenhum dos pés perca o contato com o chão, fazendo meus braços se juntarem ao peito e parando de costas para o público após uma volta e meia.  Inclino meu corpo para minha esquerda estendendo o braço direito que seguido pelo esquerdo guiam meu corpo para a direita, meio giro me põe de frente pro público e repito o movimento para o lado oposto, findando com uma pirueta enquanto o refrão é cantada de forma mais rápida pelo vocalista de A Great Big World nas caixas de som.
Já dá pra ter uma ideia de como se desenrolou todo o resto da coisa...
Ao findar da música fui até a frente do palco fazendo uma reverência ao público e desci do palco nenhum pouco feliz com o que tinha feito ali.



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Mensagem por Noah Braückeroux em Dom Jul 19, 2015 6:54 pm

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Data de inscrição : 20/06/2015

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Somos um eco do que imaginamos ser
Ai mais uma pane no painel, quem mandou abrir as escotilhas, no fundo do mar?

Meus passos são leves, embora eu esteja realmente nervoso. O clima parecia ótimo na primeira vez que eu olhara, mas fazia certo tempo que eu não olhava para cima, então o fiz. O céu azulado com pequenos pontos brancos, de nuvens, claro, parecia monótono. A Philadelphia nunca parecera tão entediada.

O ato teria de ser apresentado sem camisa, e descalço, eu usava apenas usa calça jeans escura, que não ficava nem muito colada nem muito solta, com alguns detalhes de rasgos, não muito profundos, para que não ficasse parecendo que eu fui atacado por um urso antes de vir para o show. Meus pés estavam muito gelados, eu deveria ter trazido chinelos, mas saíra atrasado, como sempre. Olho por trás das cortinas, e a apresentação de dança de Timothy estava realmente fantástica, sorrio de leve. Os nós dos meus dedos estavam relativamente pálidos, era algo comum, nervosismo pré-atuação, eu deveria ter fumado uma antes de subir até aqui. Não, não deveria. Seu negócio é vender, e não usar. penso.

A apresentação do meu colega de ordem termina, fecho meus olhos, respirando fundo. Então, após Tim sair do palco, eu deixo os papéis do roteiro de lado.

Ando até o centro do palco, sentando-me no chão, de pernas cruzadas e de costas para a platéia. Se eu começasse olhando para todos, eu desistiria.
— Luz. — Levanto a mão direita, em posição de receber. Eu falava alto, e o silêncio predominava a plateia. Uma das vantagens de não poder vê-la, era poder ouví-la. Deixo minhas costas em posição ereta, para que não ficasse dolorida. — Escuridão. — Dessa vez levanto a mão esquerda, na mesma posição de receber em que estava a mão direita, só que um pouco mais abaixo, como que uma balança. — O que escolher? O que ser? Será, que somos apenas o que os outros dizem que somos? Ou será, que somos algo a mais? — Levanto-me, sem precisar do apoio das mãos para isso (havia treinado bastante o movimento, ainda tenho os vergões pelas diversas quedas). Viro-me para a plateia, não focando em ninguém em especial, apenas olhando além, então digo, como se conversasse com alguém bem na minha frente: — Você pode me dizer o que sou? Que loucura, é claro que não pode. Eu sei o que sou. Sei o que todos são. Somos um eco do que imaginamos ser. — Sorrio, mas é um sorriso contido, de lábios fechados e olhos quais, não combinam com a espressão facial que eu fazia. Busco uma entonação de voz mais grave, claro, isso é totalmente tangencial, mas eu preferia assim — Certas vezes, você se pergunta: Por que eu nasci assim? Ou, por que eu sou assim? Provavelmente, é algo relativo. Nós somos o que somos, não importa como a sociedade nos vê. — Viro-me, ficando de lado e olhando para fente, de cabeça erguida e costas eretas. — Porque a vida é como uma balança — Abaixo a cabeça, agora, de olhos fechadas, com uma espressão séria. — e nós, somos as frutas pesadas. — Dito isso, viro-me para a platéia, fazendo uma reverência, e sorrindo. Eu já não tremia mais. Estava tudo bem. Desço do palco, respirando tranquilamente agora.




Última edição por Noah Braückeroux em Dom Jul 19, 2015 9:29 pm, editado 1 vez(es)

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Mensagem por Riley Stravinski em Dom Jul 19, 2015 8:29 pm

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Data de inscrição : 22/06/2015

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Man! I Feel Like a Woman!
Estudar na Weston Academy acabara implicando em grandes mudanças na rotina de Riley. A egyptian tinha aulas no período diurno, e ao encerrá-las, retornava para seu dormitório, dentro da própria instituição. "Não era bem isso que eu tinha em mente quando pensava em sair de casa", ela refletia enquanto preparava uma xícara de café preto em seu quarto.

Em seu pijama, abriu a janela e sentou-se na bancada, observando o pátio ser tomado, pouco a pouco, pela claridade matinal. Naquele dia, um show de talentos tomaria lugar no colégio. Riley inscrevera-se para cantar uma música que expressava bem um dos lados da personalidade dela; o lado sociável, divertido, provocante... características que nem sempre estavam presentes no cotidiano da garota. Mas a música era sua válvula de escape, e ela planejava trabalhar seus defeitos e inseguranças utilizando esta ferramenta.

Sabia que, por fins de pontuação na apresentação, faria mais sentido ter escolhido tocar piano, instrumento que acompanhava-a desde os cinco anos. Mas Riley preferira deixá-lo de lado, momentaneamente. Ainda não estava muito preparada para lidar com as lembranças que o piano lhe trazia... momentos de laborosa prática, concertos familiares... broncas, brigas, castigos. Balançando negativamente a cabeça, ela abriu a primeira gaveta da bancada e puxou um maço de cigarros e seu isqueiro. Acendeu um cigarro, tragou e soprou a fumaça para fora do quarto.

Enquanto ocupava-se em fumar e tomar café, ela finalizou o pensamento sobre seus pais, agradecendo-os por serem abastados financeiramente: como poderia manter seu viciozinho secreto em nicotina se os dormitórios fossem compartilhados? Um meio sorriso irônico, mas triste, desenhou-se sob os lábios de Riley, antes de apagar o cigarro em seu cinzeiro e, de um pulo, partir para o chuveiro.

•••

Antes do início oficial das festividades, a Stravinski ocupou-se em levar seu figurino para os bastidores do show de talentos. A roupa que iria usar para apresentar-se não era indicada para circular no meio de tantos adolescentes, sujeitos com os hormônios ferventes. Também certificou-se de que os músicos recebessem as partituras, e os produtores, instruções para a iluminação. Ao terminar, percebeu que estava ansiosa para subir ao palco, sintoma que se manifestava no tique de bater os dedos ritmadamente na coxa.

A ansiedade logo transmutara para nervosismo, pois seria a primeira vez que Riley mostraria-se para o colégio inteiro. Tal atitude era mais do feitio de um nordic do que de um egyptian, mas, ao mesmo tempo que a deixava nervosa, também estimulava-a. De qualquer forma, poderia atrapalhar seu desempenho caso atingisse níveis alarmantes. Traduzindo: Riley estava louca por um cigarro.

Segundo sua programação, ela tinha tempo para meio maço antes de apresentar-se. Mas, ao retornar para seu dormitório, decidiu resolver seu problema de outra maneira. Abriu a gaveta onde guardava seus maços e escolheu um Marlboro Red amassado. Dentro, um baseado bolado aguardava ser consumido. A garota extraiu-o de seu esconderijo e ficou admirando sua obra de arte, antes de acendê-la e saborear lentamente seu conteúdo.

•••

Haviam se passado quinze minutos, no máximo, do momento em que voltara para o campo de entrada. Se não fosse pelo relógio em seu celular, ela teria perdido a noção do tempo, porque já encontrava-se, bem, chapada. Sua mente estava praticamente vazia, e carregava um sorriso no rosto, sem nenhum motivo. Digo, todos conhecem o motivo. q Riley sentara-se no gramado, junto com outros egyptians, para conferir as apresentações dos outros estudantes. Alguns eram bom músicos, e uns e outros estavam lá apenas pelo lulz - comprovável pelo fato de serem retirados do palco após algumas risadas.

Logo recebera uma SMS; solicitavam sua presença no camarim. Riley respirou fundo e dirigiu-se para o local. Seu nervosismo desaparecera, levando junto um pouco de sua capacidade de reação e raciocínio, mas tudo bem. Ela preparara-se para aquela apresentação há muito tempo. Ao terminar de aplicar a maquiagem, verificou seu figurino no espelho do camarim improvisado e sentiu-se satisfeita.

Depois de conferir alguns detalhes com o responsável pelo som, iluminação do palco e os músicos, sentia-se pronta para começar a cantar. Foi com uma atitude confiante que subiu pela escada lateral e posicionou-se na parte central do palco, sob os holofotes brancos. Segurou o microfone em seu pedestal com ambas as mãos, conferindo a banda, atrás de si, com um movimento de cabeça.

― Oi, eu sou a Riley. ― Com esta frase, ela apresentara-se para o corpo discente e docente da instituição, com aquele sorrisinho ainda a perpetrar-lhe o rosto. Ajustou o sobretudo negro sobre o corpo, levemente encalorada. Sem conseguir controlar o fluxo de pensamentos, divagava sobre o quanto queria tirar a roupa, ali mesmo. Passou displicentemente a língua sob os lábios, encarando a vasta multidão que a observava. Gostou do que viu, sorrindo antes de finalizar. ― Aproveitem o show.

Com um pequeno passo para trás, Riley puxou a cartola para cobrir-lhe parcialmente o rosto. As luzes apagaram-se, e ela permaneceu imóvel. Antes que alguém pudesse dizer algo, as notas iniciais de trombone preencheram o local. Se ainda houvesse alguma dúvida sobre a música que iria performar, ela fora dissipada naquele momento. Afinal, o pop-country de Man! I Feel Like a Woman! era conhecido mundialmente, e não por qualquer razão. Era a música de uma diva.

Um foco de luz centralizou a garota, e um mais fraco, os integrantes da banda. Imediatamente, com a voz rouca e grave, ela iniciou a cantoria, levantando a cabeça e observando a plateia com um olhar penetrante.

Let's go, girls.

Uma repetição de acordes na guitarra, depois um toque na bateria, junto com a próxima parte a ser cantada, de forma mais rápida. Riley fez um movimento com a mão direita, agora livre, como se brandisse um chicote – o som ficou parecido, quando o baterista atingiu um prato e o bumbo.

C’mon, now!

Por enquanto, mantinha a posição no meio do palco, com as pernas levemente separadas. Os pés moviam-se ritmadamente da esquerda para a direita, garantindo ao corpo que sustentava um balanço animado, assim como a música que estava sendo tocada. Com uma das mãos, ela segurava o pedestal a sua frente, na altura da base do microfone. Marcava mentalmente o ritmo antes de tomar fôlego.

I'm going out tonight, I'm feelin' alright
Gonna let it all hang out
Wanna make some noise, really raise my voice
Yeah, I wanna scream and shout!

Ainda mexendo o corpo de maneira leve e ritmada, continuou com um tom de voz grave, tentando imprimir uma certa sensualidade no jeito rouco e calmo de cantar. Ao final da segunda e quarta frases, Riley segurou por mais tempo as últimas palavras, aumentando levemente o tom nelas. As mesmas notas de trombone que marcaram presença no início voltaram a se repetir. Após isso, ela retirou o microfone de seu suporte e agachou-se, apoiando a mão livre no joelho do mesmo lado. Antes de cantar a próxima estrofe, contraiu o abdômen para ofegar um ah, um pequeno charme da música.

No inhibitions, make no conditions
Get a little outta line
I ain't gonna act politically correct
I only wanna have a good time

Durante a primeira e a segunda frases, ia subindo o corpo e voltando a posição inicial, com a mão livre subindo pela coxa. Voltou a encaixar o microfone em seu suporte, mexendo a cabeça e o tronco em sincronia. Cantava nas mesmas condições de tom e volume da estrofe anterior, sempre mantendo um sorriso sedutor nos lábios.

The best thing about being a woman
Is the prerogative to have a little fun, and

Agora ela cantava mais animadamente, proferindo as frases em um tom animado e mediano, enquanto segurava o pedestal caminhava até a borda do palco. Teve que fazer um esforço extra para caminhar em cima dos saltos finos, mas manteve a postura. Ficou de perfil para a platéia antes que o refrão começasse e respirou fundo para poder aumentar o tom da voz.

Oh, oh, oh, go totally crazy, forget I'm a lady
Men's shirts, short skirts
Oh, oh, oh, really go wild, yeah, doin' it in style
Oh, oh, oh, get in the action, feel the attraction
Color my hair, do what I dare
Oh, oh, oh, I wanna be free, yeah, to feel the way I feel
Man! I feel like a woman!

No começo, temia subtonar os oh, oh, oh, mas permaneceu no controle. Na terceira frase, ela rebolou duas vezes no ritmo rápido da bateria. Na última, todos os instrumentos são silenciados, com exceção da bateria, e a garota volto a repetir a frase com a voz rouca e sensual.

Antes que a segunda parte da música se iniciasse, Riley deu um pequeno passo para trás e retirou o sobretudo que escondia-a, junto da cartola. Jogou-os para fora do palco; sabia que algum assistente iria recolher as peças. Seu cabelo claro caiu em cascata pelos ombros, alguns fios intrometendo-se no atrevido decote do tubinho de couro que vestia. Aquela roupa não fazia parte do look diário da egyptian, mas combinava perfeitamente com a apresentação. Mais estimulada, prosseguiu.

The girls need a break - tonight we're gonna take
The chance to get out on the town
We don't need romance - we only wanna dance
We're gonna let our hair hang down

Não era a melhor dançarina do colégio e isso era óbvio, mas sabia mexer o corpo quando necessário. Após retirar o microfone do pedestal, movimentava-se mais livremente pelo palco, voltando a cantar com a voz mais grave e sedutora.

The best thing about being a woman
Is the prerogative to have a little fun and
Oh, oh, oh, go totally crazy, forget I'm a lady
Men's shirts, short skirts
Oh, oh, oh, really go wild, yeah, doin' it in style
Oh, oh, oh, get in the action - feel the attraction
Color my hair - do what I dare
Oh, oh, oh, I wanna be free - yeah, to feel the way I feel
Man! I feel like a woman!

Estava divertindo-se bastante, as cores e sons ainda levemente distorcidas pela maconha em seu organismo. Cantou novamente o refrão, após esse, interagindo com os músicos durante o solo. Em sua concepção, ele passara rápido demais. Depois, cantou o refrão, pela última vez, e seguiu para as últimas frases da música.

I get totally crazy
Can you feel it
Come, come, come on baby
I feel like a woman

Riley terminou a apresentação, ofegante. O coração acelerara enquanto ela descia as escadas para voltar ao gramado, sob os aplausos dos outros alunos. Enquanto refletia sobre o porque de sua apresentação -  e tentava-se convencer de que não, não queria se mostrar em pouca roupa para a Weston inteira -, decidiu que não importava. Retornou para onde os de sua ordem aguardavam, não sem antes parar para pegar um sundae de morango, o seu preferido.



Última edição por Riley Stravinski em Dom Jul 19, 2015 9:28 pm, editado 1 vez(es)

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Nordic

"Hanna, acorde. Hanna, o show vai começar! Hanna, estão usando a maquiagem de seu estojo da MAC."

Os primeiros gritos de quem quer que fosse ali soavam como um ruído bem abafado ao fundo de minha mente, de alguma forma não parecia real. Mas bastou que aquelas últimas palavras fossem ditas para que minhas pálpebras desfalecessem e eu despertasse — ainda que não tivesse notado que eu havia realmente cochilado. "Finalmente. O show de talentos começou, prepare-se." Ouvi mais uma vez, por fim atentando-me ao cenário ao meu redor. A cadeira bem acolchoada posta em um canto era minha localização em meio ao aglomerado de pessoas que corriam de um lado ao outro ali. Maquiagens. Cabides com fantasias. Gritos ansiosos e aquecimento vocais. Eu estava na tenda instalada para o camarim dos participantes para o show de talentos da Weston Academy. Cocei os olhos, saltando o assento e olhando para a pessoa que insistiu em ficar ao meu lado, aguardado meu despertar. Tardei em reconhece-la, mas era uma das meninas que me ajudariam na minha apresentação, uma nórdica desconhecida sedenta por um pouco de popularidade e que tinha bons dotes para a dança. — Por quanto tempo eu dormi? — Sussurrei para ela, apressando-me para sentar num banco alto defronte a uma mesinha de maquiagem com lâmpadas fixadas ao redor do espelho. Encarei a menina pelo seu reflexo, esperando alguma resposta de sua parte, mas não só ela como muitas outras pessoas ali pareciam ter a atenção focada em outra coisa; coisa esta que seguiu aos tropeços na minha direção, capturando meu cotovelo, sussurrando em meu ouvido um pedido súbito. O ar quente de seu hálito voou a minhas marinas e eu senti o aroma de pasta de dente com pouco de ... álcool? — Você está bêbado? — Perguntei, mesmo que já soubesse a resposta. Desejei saber também porquê Henry Grey havia se esgueirado até a mim e pedido ajuda. Ele era um grego, eu uma nórdica – e ainda que fosse um dos garotos interessantes dentre os já visto por mim naquele instituto, eu deveria assumir a competitividade e ignora-lo? Encarei seus olhos caídos e seu estado nada agradável. Por que diabos ele estava daquele jeito? Desejei saber, antes de me levantar e segura-lo pelos ombros. — Eu não posso sumir com você daqui. Tenho um apresentação para fazer. Mas, eu tenho uma solução. Ande, não tenho tempo. — Rolei os olhos, empurrando-o a minha frente, apenas fingindo não estar tão preocupada com o quê o havia deixado daquela forma; fiz questão de mover meus lábios para a menina que me acompanharia na performance um "Eu volto já. Esteja pronta", antes que continuasse empurrando ao menino alcoolizado para a saída da tenda.



***



— Estou quase pronta! — Gritei para as duas morenas que pareciam mais que impacientes detrás de mim, enquanto eu passava pela última vez os dedos contra o coque embutido a duas tranças laterais em meus fios alourados. Ajeitei a tiara com orelhas negras de felina fixadas em sua haste e observei uma última vez a maquiagem e minhas vestes; um vestido de tulle escuro totalmente transparente era usado como uma camada superior a um corpete negro que apertava meu torso e um short também escuro de cintura alta. Meus pés eram entornados por um par de botas Versace, com detalhes em dourado bem a frente. Sorri satisfeita com o resultado, as meninas detrás de mim trajavam o mesmo modelito e pareciam agora aliviadas ao me ver de pé, caminhando de modo reto para a saída da tenda que dava para  palco. — Os meninos estão prontos? — Questionei por cima dos ombros, obtendo uma resposta positiva. Excelente. O palco estava vazio de pessoas e as cortinas fechadas, aguardando a mim e as meninas. Não quis saber como, mas a pequena plataforma com três postes de pole dance já estavam ali ao meio do palco. Junto as outra duas – que eu sequer recordava o nome – caminhei na direção dos degraus que davam acesso por detrás do palco e corri junto as dançarinas para seus respectivos locais; cada uma assumindo um poste nas pontas e eu no centro. O microfone de orelha fora posto em segundo, um holofote de cor rubra iluminou o palco e ao meu sinal as cortinas se abriram e a  introdução instrumental da canção entoasse nas caixas de som. Mantive-me parada junto a um poste enquanto as duas garotas giravam ao redor de seus postes, em rebolados lentos; o palco era encoberto por uma fumaça densa que conseguia esconder nossos pés. Olhei uma última vez para mais adiante da plateia, para a cabine fotográfica; como se soubesse de meu olhar, o rosto de Henry surgiu por entre a cortina dali e acenou com um sorriso embriagado; pelo menos não havia saído do esconderijo temporário. Suspirei, fechando os olhos antes dos últimos segundos antecedentes ao inicio da letra da canção. Você consegue, você pode fazer isso; pensei, abrindo aquele sorriso presunçoso e assim meus olhos acompanharam, encarando ao público.



Ooh I got a body full of liquor with a cocaine kicker
And I'm feeling like I'm thirty feet tall
So lay it down, lay it down
You got your legs up in the sky
With the devil in your eyes
Let me hear you say you want it all
Say it now, say it now



A canção tinha um toque de sensualidade e não poupei que tal coisa estivesse extinta em minha voz. Enquanto remexia levemente do quadril iniciei a estrofe usando de um timbre vocal mais grave e rouco do meu habitual. Meus braços estavam erguidos e as mãos seguravam a haste metálica enquanto segui rebolando sensualmente. Por todo o palco luzes vermelhas piscavam, revelando somente o que precisava ser revelado, eu e as duas dançarinas ali, ao centro.

Look what you doing, look what you've done
But in this jungle you can't run
Cause what I got for you
I promise is a killer, you'll be banging on my chest
Bang bang, gorilla

You and me baby making love like gorillas
You and me baby making love like gorillas


Com o início da estrofe, nós começamos a rebolar de costas para poste de ferro enquanto lentamente dobrávamos os joelhos e a cada verso que era cantado por mim o ritmo do rebolado diminuía e harmoniosamente agachávamos até que eu cantasse "But in this jungle you can't run", foi quando alcançamos o chão e quicamos com o inicio de "Cause what I got for you"; com o seguimento da letra nos erguemos num pulo, já girando entre o "I promise is a killer, you'll be banging on my chest"— passando a ficar de frente a haste metálico -, dobramos a coluna de modo que pudêssemos olhar para a além do palco de cabeça para baixo. Tornamos a ficar ereta no último verso da estrofe e batemos contra as hastes junto a batida do "Bang, Bang". As meninas ao meu redor se penduraram no poste com o início do refrão e começaram a exercer movimentos lentos e sensuais dignos de dançarinas experientes de pole dance enquanto eu cantava, mantendo o tom sexy e rouco, girando ao redor do ferro.



Yeah you got a fistful of my hair
But i don't look like you're scared
You're just smiling telling me this daddy it's yours.

'Cause you know how I like it
Use a dirty little lover

If the neighbors call the cops, call the sheriff
Call the swat we don't stop, we keep rocking
While they knocking on our door
And you're screaming give it to me baby
Give it to me m*ther f*cker


Após deslizar pela haste de metal, me pus de pé e comecei a caminhar pelo palco indo em direção a primeira garota a minha esquerda. Um holofote vermelho me iluminava e me seguia na medida que caminhava. Juntei-me a primeira morena e ficamos de costas uma para outra, descemos até o chão juntas , quicando em "Cause you know how I like it use a dirty little lover". Me levantei lentamente tratando de empinar o bumbum enquanto fazia o movimento e a menina segui agachada e imóvel. Tornei a caminhar, desta vez passando pela segunda menina que dançava lentamente no poste da outra extremidade; passei pela mesma e dei um tapa em seu bumbum ao cantar "we don't stop, we keep rocking" e a mesma deslizou pela haste até escalar no chão. Girei no momento em que alcancei meu poste e balancei o quadril lentamente no último verso, em "And you're screaming give it to me baby
Give it to me ..."
; Com o final da estrofe as meninas se levantaram e eu me preparei para seguir cantando, deixando-me levar pela melodia envolvente da canção.

Oh, Look what you doing, look what you've done
But in this jungle you can't run
Cause what I got for you
I promise is a killer, you'll be banging on my chest
Bang bang, gorilla

You and me baby making love like gorillas
You and me baby making love like gorillas


Com a repetição da estrofe, repetimos também aos movimentos feitos da primeira vez; as meninas que me acompanhavam trataram de me acompanhar em um coro baixo. Nesta estrofe passei a estender algumas palavras enquanto as cantava e fechei os olhos enquanto seguia rebolando sedutoramente. As luzes haviam se apagado e meus olhos se abriram, eu encarava a plateia com o sorriso mais maldoso que tinha, e ao cantar "But in this jungle you can't run"deslizei as mãos pelas coxas de forma crescente, parando-as até alcançar abaixo do meu busto, foi quanto eu estava entoando ao "Cause what I got for you",  já erguendo. Girei e lancei o corpo como já havia feito, e quando tornei a girar prendi uma perna ao poste; apontando para as morenas  no inicio de "you'll be banging on my chest" e bati contra o peito duas vezes ao som do "Bang Bang". Sibilei ao "Gorilla" e as luzes varreram todo o palco até pairar sobre mim e minha acompanhantes outra vez revelando a nossa dança sensual e coreografada com os dois versos finais do refrão: "You and me baby making love like gorillas".



I bet you never ever felt so good, so good
I got your body trembling like it should, it should
You'll never be the same baby once I'm done with you



Seguindo a batida da melodia da canção naquele momento, o holofote acendia e apagava sobre cada uma de nós e com o fim da batida se fixava em mim que cantava ao trecho com o tom bem mais elevado e sem perder a afinação; minha voz soava quase como um grito nos versos. Rebolei lentamente e me pendurei na haste metálica indo a uma altura considerável no início de  "I got your body trembling like it should, it should", somente para deixar que meu corpo fosse escorregando na haste com o findar do verso. E a cada batida na melodia quando cantei ao "You'll never be the same baby once I'm done with you" eu lançava meu quadril para um lado, já estava de pé defronte ao poste, e antes de cantar ao final do verso,  a cada repetição do "you" eu tremia o bumbum no ritmo em que entoava a palavra, elevando pouco mais o timbre vocal ao estender o agudo como um grito afinado e rouco ao findar as repetições do you.

Oh you with me baby making love like gorillas
You and me baby we'll be love like gorillas
You and me baby making love like gorillas


Novamente o coro das meninas que me acompanhavam se tornou presente e desta vez um pouco mais alto; elas cantavam aos versos enquanto eu seguia elevando o tom vocal, estendendo algumas palavras, semelhando a performance original. No último verso em que repeti o "You and me baby making love like gorillas" meu timbre foi suavizando e junto as meninas me pendurei na haste e mantive ao meu corpo sustentando pela força que fiz com a dobra de minhas pernas na haste – firmando as coxas e a panturrilha contra o metal. Daquela forma mantive meu corpo suspenso ao ar enquanto eu balançava as mãos lentamente, seguindo ao ritmo instrumental da canção em estalos do meus dedos. Pouco depois segurei ao poste com ambas as mãos e com as batidas finais da música pulei da barra de ferro e girei meu dorso para o público fixando uma pose final – segurando ao quadril e olhava para as plateia por cima dos ombros.

Eu arfava, as batidas de meu coração eram facilmente ouvidas por mim e os aplausos naquele momento pareciam um som abafado. As luzes se apagaram e eu puxei as duas garotas que estavam ao meu lado para um abraço enquanto saíamos para detrás do palco; um terço de minha mente conectada aos gritinhos comemorativos das duas nórdicas enquanto um outra boa parte se concentrava em Henry e em como eu iria ajuda-lo após aquilo.




g o r i l l a
TALENT SHOW

### SHOW DE TALENTOS // Hanna estava no Palco com duas nórdicas apresentando-se. Vestia isto, e está tão focada em ganhar pontos para sua ordem como está focada em ajudar um amigo.
[/i]


____________

❝ baby be the class clown. i'll be the beauty queen in tears.

H BY H.

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