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Wicked Academy

Clube de Astronomia


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Mensagem por The Vanity em Sex Maio 08, 2015 7:19 am

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Data de inscrição : 15/03/2015

Staff

Clube de Astronomia
A sala do Clube de Astronomia poderia se assemelhar facilmente a qualquer outra sala de ensino médio. Entretanto, possui carteiras individuais arrumadas em forma de "U" frente a mesa da professora. Atrás desta existe uma lousa digital, sendo que no fundo da sala se encontra uma lousa branca do mesmo tamanho, porém comum. O que de fato diferencia essa sala das demais é a sua decoração. Por todas as paredes existem diversos posteres, espalhados sistematicamente, com imagens de meteoritos e asteroides. Pendurados no teto se encontram alguns planetas, fazendo referencia ao sistema solar e em varias partes da sala é possível encontrar delicados adereços que fazem referencia ao mesmo tema. Por ultimo, mas não menos importante, perto das janelas de vidro em forma de arco encontram-se singelos telescópios, que auxiliam no aprofundamento do curso e entretêm os alunos nas horas vagas.  



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Data de inscrição : 30/04/2015


’Cause your sky is full of stars
Nós somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo.(Carl Sagan)
Em toda minha vida eu não iria imaginar virar professora de um colégio interno na Pensilvânia. Ainda mais depois de estudar a vida todas em uma escola publica em Nova Jersey. Mas aqui estou, pronta para enfrentar vários alunos no ensino da astronomia e perdida em Pensilvânia, depois de dois anos fazendo estágio no observatório do vaticano, mas foi bom eu ter saído e conhecer novos ares.

Entro na minha sala nova e olho cuidadosamente pelas paredes, cheias de material didático, com mapas planetas e até um telescópio avançado. Fico imaginando o quanto é difícil para uma escola publica ter uma dessas e aqui, a maioria dos alunos podem ter vários. Deixo minhas coisas em cima da mesa, Jeito minha bata branca bem leve, e dou uma olhada para ver se está descente o bastante para dar aulas, como professora de vários adolescente eu seria obrigada a me comportar, coisa que parece tão difícil, mas eu era capaz desse feito. Então vou para o quadro e escrevo em bom tamanho no quadro ”Somos todos estrelas”. Me afasto e olho para o quadro, admirando meu momento Carl Sagan. Mas logo escuto uma movimentação vinda da porta e vários alunos entrando na sala. Me viro sorrindo para eles e ajeito meu cabelo atrás da orelha. – Bem Vindos, pessoal! Podem entrar e organizar a cadeira de vocês em um circulo? – Falo em bom tom, mas sem tentar aparentar assustadora e assim que todos acaba, me apoio na mesa, quase sentada nela.

– Bom dia a todos, sou Michaela Laurence, professora de astronomia e tutoras dos Greeks. Não pessoal, não irei cortar a cabeça de ninguém que não for greek, não injustamente. – Brinco. – Enfim, primeiro, não precisam me chamar de senhora, me acho nova para ser uma senhora ou senhorita, Podem me chamar de Michaela ou Micha. E eu costumo viajar muito, não estranhem se eu entrar em outra dimensão durante a aula. – Suspiro. – Pra vocês, qual o tamanho do universo? O que esperam dessa matéria? São muitas perguntas, certo? Foi com perguntas que chegamos onde estamos hoje. Olhando a frase do quadro, vocês pensam que todos somos estrelas, tipo Katy Perry? Ou Madonna? Infelizmente não, quem sabe no futuro, mas o que eu quis dizer no quadro é que somos todos estrelas no sentindo literal, ou pelo menos somos pedaços de estrelas ou parte delas. E como chegamos a essa conclusão? Perguntas e mais perguntas, Porque em um passado distante as pessoas pensaram “Do que somos feitos? De onde viemos? Para onde vamos?”. E acreditem, até hoje tentam achar respostas para essas perguntas, porque tudo que temos hoje são teorias. – Me levanto e andou lentamente em frente olhando para os alunos, um por um. – Não estou aqui para desmentir a crença de ninguém, nem para tornar o que digo uma verdade, tudo que quero fazer aqui, é mostrar para vocês o que te lá fora, não, não é lá fora, no pátio, mas é lá fora da terra. – Aponto para fora da janela, para ser mais exata, para o céu e sorrio animada. – Se pensarmos que somos todos estrelas, ou o que sobrou delas. Podemos pensar “Nossa, mas somos muito grandes”, isso depende do ponto de vista. Vamos pensar em uma escalada, nós vivemos na terra, que fica dentro do sistema solar, que fica dentro da via láctea, que fica dentro de uma rede cósmica, que fica dentro de um universo, que fica dentro de um multiverso... Ou seja, em uma escala cósmica, talvez sejamos para o universo o que um elétron é para gente. Mas... Então... Com um universo tão grande infinito, porque vocês acham que estamos sozinhos ou seguros? – Respiro depois de toda essa ligação louca e volto a me apoiar a mesa, girando o globo sobre ela. – São realmente várias perguntas... E é baseada nisso que irei fazer a primeira tarefa... Quero que vocês façam perguntas sobre o universo e a respondam, mas não qualquer pergunta, mas uma que te intriga, uma que você acha que gera uma verdade teia de aranha, bela e uma verdadeira armadilha para quem resolve em tentar enfrenta-la. Porque iremos estudar essas perguntas e não começar a observar planetas e estrelas pelo telescópio? Porque eu preciso saber a dimensão do que vocês entende de astronomia, porque eu precisa saber o nível de curiosidade de vocês, porque eu quero mostrar que astronomia não é só olhar no telescópio e dizer onde está tal estrela ou constelação.


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Keep your feet on the ground when your head's in the clouds

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Data de inscrição : 21/06/2015

Greeks
We'll be counting stars
"Não declares que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado."

Abriu seus olhos como se fosse a primeira vez que estava fazendo tal ato, a ruiva espantou alguns fios rebeldes do seu rosto e levou a mão até a cortina para que os primeiros raios do sol penetrassem em seu quarto, desejou não fazer aquilo, mas teria que ser feito já que fora comunicado que suas aulas começariam em breve, na verdade, seria hoje. Levi jogou as cobertas para o alto, e mesmo assim ainda ficou em sua cama, olhou para o teto e admirou a pintura que havia feito, se não conseguisse olha pra o céu estrelado todas as noites, ela olharia para o seu próprio "stellarium". A garota pensava, ainda com sua cabeça afundada no travesseiro branco, seus dois irmãos mais velhos já estavam muito bem sucedidos, um orgulho para a família "Eu não quero ser um orgulho, eu quero ser apenas eu", sendo a única menina, seus pais queriam que a menina fosse para um lugar que possuísse "bons modos", "boas maneiras", que a transformassem em uma Lady. Como se fosse isso que Levinsky queria.

E lá estava ela, com suas matérias pra lá de "boas maneiras", mas para seus pais era isso que ela iria fazer. Girou sua cintura para fora da cama, com o tronco ainda deitado na cama, a garota se espreguiçou seguido de um longo bocejo, caminhou até seu banheiro e lá fez o que fazia todas as manhãs, um longo e prazeroso banho e suas demais arrumações para começar o dia, e claro, agora ela teria que aguentar as ligações diárias de sua mãe... A ruiva caminhou até seu mini guarda-roupa, era difícil guardar todas as roupas que sua mãe lhe mandava, algumas Levi dava pra suas amigas, bem, não eram bem amigas, mas de um jeito ou de outro ela dava para alguém, nunca foi boa em administrar dinheiro e por isso não as vendia. Optou por uma blusa branca sem estampa, jeans preto e all stars, caminhou até sua escrivaninha... A única parte mais arrumada de seu quarto, como o quarto de um bom Greek deve ser, pegou seu material e tudo que iria precisar naquele dia.

Enfim deixou seu quarto para trás, assim como o bloco de sua ordem. Levando apenas sua mochila de lona, aproveitou o caminho para arrumar seu cabelo e procurar pelas pessoas de sua ordem, se bem que hoje a ruiva queria ficar um pouco sozinha e focar totalmente em sua primeira aula, afinal, teria muito o que discutir e aprender com os astros. A menina entrou na sala e atendeu as ordens de sua professora, que sem muita espera já foi se apresentando e para sua surpresa (nem tanto assim) já era uma conhecida, pois Micha era tutora de sua ordem, ou seja, faça bonito Levi! A fascinação por aquilo onde tudo se iniciara, tinha vindo desde pequena, seus irmãos mais velhos chamavam a irmã de pequena sonhadora, havia um lugar em sua casa onde Levi passava mais tempo, o gramado, onde a velha barraca ainda estava lá, bom, quando ela saiu de casa a barraca ainda estava lá... Talvez sua mãe estivesse esperando por isso para se livrar daquilo.

Bem, o fato é que Levi passou mais tempo com as estrelas do que com suas bonecas e todas as parafernálias de brinquedos para crianças, as perguntas sempre apareciam no jantar, sempre dirigidas para seu pai, já que sua mãe era rígida demais para tais. "Por que não moramos em uma estrela?" , a pequena Levi tinha muita curiosidade sobre o vasto universo inexplorado. "Por que as estrelas brilham tanto? Por que não moramos em outro planeta? Há vida em outro lugar?", seu pai como sempre, entendia as perguntas da filha, e sempre lhe respondia com brincadeiras. Com o passar dos anos as perguntas tornaram-se mais complexas, tão cheias de ciência que seu pai já não conseguia mais responder e por isso Sky era presenteada com livros sobre tal assunto, livros estes que levara na aula de hoje.

Uma das perguntas que sonha em fazer para os astrofísicos, principalmente para Neil deGrasse Tyson, é a seguinte: "Por que somos o que somos e não estrelas?"  , ela com certeza já consegue visualizar a resposta de mais de vinte minutos, mas é algo para se pensar, se nossa composição química se compara a das estrelas, por que não somos uma? Ou talvez sejamos. A outra pergunta seria fácil, talvez a pergunta seja bem afirmada, e Levi sabe que no fundo escondem a verdade para tal pergunta " O fenômeno que desencadeou toda a formação do universo e seus componentes fora possível a existência de vida e com certeza há outro tipo de vida fora do nosso planeta, talvez seres inferiores, ou até muito mais avançados, por que não há outro planeta da mesma esfera da Terra? Por que não há outro planeta com as mesmas características?", ela sabia que isso existia, não querendo ser uma ufóloga ou derrubar teorias, mas com todos os anos de evolução, com todos os acontecimentos que foram registrados ao longo de milhares de anos, isso seria possível, seria sim. Vivemos em uma galáxia rodeada por bilhões de outras, o que impede de ter um planeta como o nosso?    

Tinha uma única certeza em sua mente, gostaria muito mais de ficar discutindo sobre tais assuntos do que ver a beleza do céu, do que olhar em um único ponto pelo telescópio se pudesse fugir disso nessas aulas, ela fugiria, queria mais debates, que saciassem suas duvidas, queria a astronomia na sua forma mais bruta. Do esforço dos gregos em conhecer a natureza do cosmos, e com o conhecimento herdado dos povos mais antigos, surgiram os primeiros conceitos de "esfera celeste", a garota queria saber mais sobre como eles conseguiram chegar em tais conceitos sem os instrumentos certos, se bem que naquela época a Terra era o centro, mas já se tinha conhecimento sobre os outros cosmos. Ela imaginava os debates acontecendo em praça pública quando isso ainda não era um atentado à religião.  

Talvez não obtivesse todas as respostas para todas as perguntas, mas essa aula seria diferente se todas as perguntas já estivessem respondidas? Principalmente as suas, seria diferente se existissem outros planetas habitáveis, outras "vidas"? Nesse momento Levi olhou para fora, para o céu, voltou sua atenção para a professora, lançou um breve sorriso e deparou-se com o término da aula, desejou que o tempo tivesse passo devagar, para ter tido tempo de discutir sobre qualquer assunto, Levinsky deixou a sala com mais perguntas em sua cabeça e assim sentiu que aquela aula valeu a pena.      


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Data de inscrição : 30/06/2015

Nordic

Lift me up to higher ground
Don't forget you're my sister you're my brother
Inside a song, there's a hero to discover  There's no way we can try off without struggle  I'm just like you  I ain't trying to bring me down


Meu corpo se desprendia do torpor causado pelo sono enquanto meu celular entoava o começo de Lift Me Up. Durante quase um minuto eu apenas me remexi sobre o colchão até estar de barriga para cima e me mantive de olhos fechados, embolado entre as cobertas até finalmente abrir os olhos e sentir um incômodo breve pela luz solar que invadia a janela.

- Lift me up, don’t hold me down – eu cantarolei baixinho depois que o alarme já tinha parado de tocar, sorrindo devido a coincidência que eu inconscientemente causara. – Hora de levantar. – eu murmurei, jogando minhas pernas para fora da cama e encarando a porta branca do meu amado cubículo que passaria a chamar de casa.

Era o primeiro dia de aula na minha nova vida de prisioneiro – ainda que os docentes e funcionários utilizassem uma palavra diferente ao se referirem aos moradores do local: estudantes – e eu realmente não estava com muita disposição para este fardo, assim como não tinha muita vontade de bancar o garoto rebelde e mimado, furioso pelo pai tê-lo isolado do mundo dentro de um colégio, e ficar matando aula. Era verdade que mesmo não sendo um adolescente especialista em encrenca eu não era um santo, também não era mentira que tinha um apreço especial por mimos, e eu estava sim furioso com meu pai. Mas isso não mudava o fato de que se eu estava dentro daquele instituto e não tinha a opção de sair, só me restava outra alternativa: erguer-me e ir à luta.

•••

Finalmente, um descanso. Eu era forçado a admitir que as aulas até aquele momento não tinham sido tão exaustivas, seguindo o roteiro usual das primeiras aulas do primeiro ano. Apresentações, regras e uma ou outra brincadeira de algum professor que não compreendia que estava em um colégio de segundo grau. Ainda assim, dei um sorriso ao me recordar que ainda me restava uma aula, mas esta era diferente porque eu escolhera fazê-la e tinha de admitir estar razoavelmente ansioso para começar.


Não cheguei atrasado, em verdade, chegara em cima da hora, no exato instante em que alguns alunos passavam pela porta da Sala de Astronomia. Assim que adentrei a primeira coisa que reparei foi na esfera gigantesca e amarela pendurada no teto que representaria o Sol do nosso sistema solar. A segunda coisa que eu reparei foi na moça parada próxima à mesa do professor, que eu deduzi ser a docente responsável pela aula. Respirei fundo e dei um sorriso largo. “Minha nossa, ela é linda!” foi realmente a primeira coisa que eu reparei ao observá-la. Tudo bem quanto ao fato dela ser a professora e eu não estava realmente passando por aquela paixonite infantil do aluno por sua professora do primário; o fato é que eu esperava uma mulher de meia idade com cara de lunática e jeito de astrofísica, não uma jovem que poderia muito ser protagonista de alguma comédia romântica sobre sexo.

- Bom dia, professora – cumprimentei-a instintivamente ao passar perto da mesa em direção a uma cadeira localizava no fundo da sala e sorri mais largo ao ver seu sorriso.

Acho que eu iria gostar muito mais dessa aula do que eu imaginava. Permiti-me por alguns segundos desviar os olhos da professora – Santa Mãe de Deus, que professora mais gata! – e finalmente analisar a sala onde me encontrava. Ainda que a estrutura física da sala fosse idêntica à das outras do colégio, essa era ricamente ornamentada para se adequar ao tema que era ensinado ali. Pôsteres diversos tinham grandes imagens de corpos celestes estampados, eu sinceramente não reconhecia praticamente nenhum, mas fui capaz de identificar um Vênus cercado de bolinhas enumeradas que provavelmente eram suas luas, além de uma bela imagem computadorizada do Halley. Virei o pescoço para poder observar o quadro branco atrás de mim e a frase em azul escrita sobre ele. “Somos todos estrelas”. Ergui a sobrancelha e antes que pudesse refletir acerca da frase ouvi a voz da professora dando início à aula.

Apresentou-se como Michaela, nome que eu absorvi para as próximas aulas. Quando ela disse que também cumpria a função de tutorar a ordem grega do Instituto pude ver várias expressões negativas – e algumas outras positivas – enquanto a minha foi mais próxima de uma suave decepção. “Tutora da fábrica de suco de mirtilo, que droga”. O que veio em seguida, no entanto, foi capaz de afastar meus pensamentos sobre a ordem dos azuis. Uma série de perguntas, entremeadas por pouquíssimas respostas e ainda que suas palavras finais nos incentivassem a fazer perguntas que considerássemos fundamentais, eu me distanciei da principal pergunta que me agrada. Como surgiu o universo? Em verdade, eu não entrara na aula de astronomia esperando questionamentos quase filosóficos. Meu interesse era prático. A composição dos planetas, os fenômenos extraterrenos, a relação entre os corpos celestes. Mas naquele momento minha mente se distanciava de toda a área químico-física da astronomia e invadia o lado mais sublime e misterioso.

A grande pergunta que latejava em todos os cantos da minha mente era por que tudo haveria de ser tão irônico. Em uma escala universal o ser humano é apenas o fruto de um processo natural de evolução de componentes químicos. Em uma escala universal qualquer ser com inteligência de Nicolau Copérnico tem o valor inestimável que é atribuído a um nada. Existe uma área da filosofia que afirma que o mundo só existe a partir do momento que ele é sensível a alguém. O mundo existia naquele momento para a mim porque eu me encontrava nele e porque eu me tornava ciente dele, apenas porque eu era capaz de absorvê-lo através de meus sentidos. Mas há alguns milênios, os seres humanos não eram capazes de absorver nada do mundo exterior além do que seus sentidos fossem capazes de captar. Até que nasceu a astronomia.

E naquele momento, ainda que eu não fosse capaz de estar próximo a ela, eu tinha conhecimento, por exemplo, da existência da nebulosa de caranguejo. Ela estava a milhares de anos-luz distante da Terra, o que não a impedia de ser parte do meu mundo. Isso tudo, graças a homens e mulheres que foram capazes de compreender a vastidão do universo. E é exatamente essa descoberta que torna tudo tão irônico, já que no começo da astronomia os homens acreditavam que o universo girava em torno deles. Antes de Copérnico e Galileu refutarem o antropocentrismo e destituírem os seres humanos do seu posto de centro do universo, nós nos víamos como o umbigo de tudo que existia.

Ainda que ao descobrirmos o universo nós tenhamos descoberto que os seres humanos estão muito distantes de serem as coisas mais interessantes já vistas, nós também descobrimos algo muito mais interessante: Éramos parte de algo muito mais grandioso, magnífico e estonteante. Admitia que era decepcionante não ser o centro do universo. Mas era instigante chegar à conclusão de que eu não apenas estava nele. Eu era uma parte que o compunha. Mesmo que uma parte minúscula e que em nada o afetava, mas o que me diferenciava naquele momento de uma galáxia era apenas a quantidade de átomos que integravam meu corpo, os tipos e como eles se agrupavam. Mas de algum modo, eu tinha algo em comum com tudo e com qualquer coisa que existisse. Repentinamente meu pulmão se inflou e eu me senti estranho, me senti grande e muito mais do que importante. De repente eu senti realmente como se o universo que estava lá fora também estivesse dentro de mim.

Olhei para a professora de astronomia com a testa franzida, surpreso comigo mesmo pelo quanto meus pensamentos viajaram para longe. Balancei a cabeça tentando voltar ao chão e me dei conta de que alguns minutos já haviam se passado. Engoli em seco e observei o Sol que pendia do teto da sala. Em seguida olhei pela janela e observei o Sol que pendia do teto do mundo; naquele momento aquela esfera gigantesca em combustão me pareceu minúscula, mas ainda assim não me recordava da última que ela tenha parecido tão incrível.


Thanks Tess

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Data de inscrição : 07/07/2015

Stars
The light of past.
Alice saiu da sala de musica ao lado de Daniel assim que a aula acabou, estava ansiosa para a aula de Astronomia e não parava de tagarelar coisas aleatórias. Ela preferia sequer comentar sobre a performance que haviam feito – O que você espera dessa aula de astronomia? – perguntou com um tom calmo, abrindo a porta lentamente. Havia chegado em cima da hora, mesmo que ainda houvessem lugares vazios na sala de modo que Daniel e Alice pudessem sentar longe um do outro, eles apenas puxaram suas cadeiras para o círculo e se sentaram.

Alice leu a frase no quadro e fitou Daniel – “Somos todos estrelas”... bem... me parece verdade... – ela murmurou para o amigo e respirou fundo. – Bem, a professora parece legal... – ela murmurou para o loiro e pegou uma de suas canetas, começando a rabiscar o braço com algumas partituras até que ouviu a voz da professora.

Alice descaradamente revirou os olhos com a piada da professora e ameaçou deitar a cabeça no braço de Daniel – já que mesmo sentado o ombro dele ainda ficava bem longe de seu alcance – e respirou fundo – Ótimo, temos uma comediante... – seu murmúrio fora quase inaudível, de modo que apenas o loiro a seu lado deveria ter ouvido. As lembranças que haviam tomado conta dela na aula anterior ainda estavam em sua mente o que deixava seu humor terrivelmente ruim.

Infelizmente, para Alice, tudo o que a professora dizia ela já havia lido ou estudado em algum momento de sua vida. Como uma tremenda curiosa, Alice era capaz de estudar qualquer coisa – como o estudo que fizera para saber se Daniel realmente não era um psicopata – e por isso ela sabia coisas suficientes para alguém com pouca idade.

Até aquele momento a aula não havia lhe despertado tanta atenção, mas ao ouvir a tarefa que deveria fazer ela quase se engasgou. – Oh meu Deus, ela só pode estar brincando. – Alice disse com os olhos arregalados, encarando Daniel.

Pegou o caderno e começou a fitar o menino a fitar um ponto fixo no além – embora para quem olhasse, parecia que ela estava fixamente encarando Daniel já que ela estava sentada de lado –, um suspiro pesado seus lábios e ela começou a morder o próprio inferior constantemente, sentindo a pele se afinar a cada vez que ela passava os dentes pelo local. Não havia nenhuma pergunta sequer que tirasse seu sono.

Ela acreditava em todas as teorias da existência da vida humana, conseguindo facilmente unir ciência e religião, para ela era uma verdade que a ciência completava a religião e vice-versa. Por isso, no que dizia respeito a origem da vida – não só humana mas de todas as formas de seres vivos – não lhe era tão intrigante. – Daniel? Eu não sei o que colocar aqui! – ela murmurou quase como em completo desespero e quando o outro fitou-a nos olhos, ela simplesmente teve uma idéia. Poderia ela começar a divagar sobre os “tão temidos” buracos negros?

Talvez não valesse muito o fato de ela se concentrar apenas ali, mas daria sim a tão desejada teia de pensamentos que a professora queria. Ela apoiou a caneta no papel e suavemente começou a escrever:
“O que é um buraco negro? A resposta cientifica para isso seria; um local no espaço do qual nenhuma partícula, nem mesmo as que se movem na velocidade da luz, poderia escapar. Um buraco negro possui uma grande capacidade de atração e suga para dentro de si tudo que se aproxime dele. Mas há algo que até hoje não teve resposta. Para onde vão as coisas que são “engolidas” por ele? Acredita-se que haja um tipo de “buraco branco” que regurgita tudo que é engolido pelo buraco negro.
Porém, onde estão esses buracos brancos? Seriam os buracos negros, portais que nos permitiriam viajar através do espaço-tempo até outras galáxias? A teoria geral da relatividade diz que o buraco branco funciona como um buraco negro de tempo-invertido e tal como o buraco negro, nada pode lhe escapar. O buraco branco é uma região no espaço da qual nada se pode cair.
Levantam-se dúzias de teorias sobre o poder de teletransporte dos buracos negros e brancos da mesma forma que em que há várias teorias sobre o triangulo das Bermudas, mas tal como o triângulo, não há nenhuma prova concreta de que isso realmente ocorra. Resta-nos esperar por noticias de fora, vindas de outras galáxias ou planetas que não estão na órbita solar para que nos tragam respostas. Afinal, em um universo tão grande, mas ao mesmo tempo tão miserável, não é possível que estejamos sós.”

Fitou tudo que havia escrito, nada ali passava de devaneios de sua mente. Apenas pensamentos que ela já tivera milhares e milhares de vezes – Obrigada, psicopata. – ela sussurrou para Daniel e riu soprado. Era apenas por causa dele, de seus olhos para ser mais específica,  que ela, finalmente, conseguira pensar em algo.

Alice deu um suspiro pesado. Ela não conseguia se lembrar da última vez em que tivera tempo para refletir sobre aquilo que mais lhe fascinava: o universo.
O enorme sistema que lhe cercava e que era a verdadeira razão pela qual ela estava viva. Aquilo era real. Tão real, tão sólido e tão verdadeiro quanto o fato de que um dia ela morreria e voltaria a ser pó das estrelas como havia sido milhões de anos antes.

mad  
I've been living with devils. Realize you and I are in the same boat.


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Mensagem por Daniel Ludke em Qua Jul 15, 2015 5:46 pm

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Data de inscrição : 07/07/2015

First Class

Após a aula de música – cuja performance que fizera junto de Alice exigira uma explosão de energia e sentimentos – Ludke e a garota dirigiram-se para a próxima aula. Sua mente estava acalmando-se gradativamente, os ecos das últimas notas se tornando cada vez mais distantes. A voz alheia retirou-o de seu estado aéreo – Um professor maluco falando sobre o universo, estrelas, nebulosas, constelações e afins, alunos dissertando sobre assuntos aleatórios e desprovidos de qualquer sentido, a fim de soarem filósofos e bons entendedores da disciplina... – entrou na sala – Nada muito longe disso. Mas eu não poderia julgar ninguém, uma vez que sou potencialmente versado na arte de embromar.

Sentou-se ao lado da mesma, ocupando-se em colocar seus materiais à disposição, uma vez que poderiam haver notas importantes e serem tomadas. Se não tivessem, ele poderia utilizá-los para desenhar qualquer coisa. Ergueu a sobrancelha ao que a ruiva mencionou a professora, e encarou a mulher em – Mesmo se ela não for legal – observou – é preciso admitir que é linda. Me pergunto se algum dia ela aceitaria posar para um quadro...  – deixou tal ideia dissolver-se no ar e se concentrou no que ela – Michaela Laurence, segundo o horário de aulas -  dizia.

Provavelmente por ter sido admitido muito recentemente, Ludke ainda não estava inteirado no que conferia a rixa entre ordens, citada pela mulher. Pelo que descobrira por alguns relatos soltos, sua ordem era especialmente detestada. Tudo o que tinha certeza era que não compactuaria de quaisquer inimizades deliberadas. Quanto melhor fosse rua relação para com os outros alunos, mais tranquila seria sua vida escolar. Em algum momento Alice murmurara um comentário sarcástico, mas, por conhecer o gênio alheio, o rapaz não se importou.

O universo... Aquele era o momento da aula em que os alunos começariam a divagar. Daniel quase podia ouvir um conjunto de engrenagens mentais movendo-se – algumas, lentas, enferrujadas, outras, ágeis e bem calibradas. Algumas nem tinham dado conta de que estavam acordadas. - Alice parecia um pouco das três. Olhava em sua direção, mas seus olhos estavam desfocados. O hábito de morder os lábios confirmara o que estava pensando: apenas o corpo da garota estava ali. Sua mente vagava em qualquer recôndito misterioso, longe do alcance de qualquer um. Deixou sua cabeça pender para trás e pôs-se a observar distraidamente o céu que fora pintado no teto.

A voz da menor o despertara de seus pequenos devaneios. Tornou a fita-la com a mesma calma habitual – Continue pensando. – instigou-a – A resposta na maioria das vezes está bem... Madsson? – franziu levemente o cenho. Ela voltara para o estado apático, embora agora realmente estivesse olhando para ele. Sustentou seu olhar, ligeiramente desconfiado, até que a mesma subitamente começou a escrever. Ludke deu de ombros, e ergueu as orbes negras novamente para o teto.

Laurence falara em “uma (pergunta) que te intriga, uma que você acha que gera uma verdade teia de aranha, bela e uma verdadeira armadilha para quem resolve em tentar enfrenta-la”. Ele não sabia se existia realmente uma questão assim em sua mente, tão complicada. Não. Não. Havia algo, lá dentro, escondido, algo que ele sempre questionou. A ideia de grandeza era algo que sempre batia em sua mente de maneira persistente, antes mesmo de Alice começar a lhe dar aulas de astronomia. Iniciou-se quando ele era realmente pequeno, e seu avô costumava levá-lo para a piscina, no meio da noite, para observar estrelas cadentes, eclipses, o que quer que fosse.

Qual é o tamanho do universo, e qual – se ela existir – importância dos seres humanos em todo esse abissal complexo celeste?

Segundo um de seus autores favoritos, Douglas Adams, “O universo é grande. Grande, mesmo. Não dá para acreditar o quanto ele é desmesuradamente, inconcebivelmente, estonteamente grande". Um longo tempo se passou até que os seres humanos pudessem aceitar tal ideia. A questão é, e sempre foi, sentir-se pequeno. Talvez o termo certo não seja pequeno, mas insignificante. Da descoberta dos outros planetas, até a Via Láctea, depois outras galáxias, e de repente encontraram-se cercados de uma gama imensa, e talvez, infinita. O sentimento de impotência serviu de estimulante para buscar um novo jeito de restabelecer o “controle” sobre suas próprias mentes. Uma maneira de buscar um novo sentido para a existência. Era assim que Ludke via a criação do Geocentrismo e Heliocentrismo. Uma maneira de devolver um “equilíbrio”. Fixar-se num eixo.

O loiro jamais foi capaz de julgar ou culpar os antigos cientistas, diferentemente de todas as pessoas ao seu redor. Aquela era uma das principais razões pelas quais ele evitava tocar nessa questão, seja verbalmente, ou em seu âmago.

O universo talvez não seja infinito, mas que está expandindo-se cada vez mais rápido, isto é um fato. Porém, a ideia de “centro” é bastante relativa. O Big Bang aconteceu em todos os lugares, sendo impossível determinar um centro. Mas, se tomar apenas o universo "observável", neste caso, pode-se dizer que a Terra é o centro do universo. Em suma, tudo depende da maneira como se está observando, e de onde está. É intolerante e grosseiro descartar, por completo, todos os estudos feitos anteriormente, mesmo os mais errôneos. Foi por meio deles que o ser humano obteve algum conhecimento, um norte.

Daniel também discordava completamente da ideia de insignificância de Terra e dos seres humanos. Diminutos, com toda certeza, mas não irrelevantes. Sua importância não se dá por meio de conquistas materiais, morais ou quaisquer que sejam, mas pelo simples e essencial fato de que a Via Láctea é uma parte do universo, e que o conceito deste vem da ideia de conjunto, e a partir desta mesma ideia, é preciso compreender que não existem partes que se sobressaem, ou destacam-se.

Após algum tempo tomando nota de suas principais ideias, Ludke voltou a atenção para a aula. Acreditava que era possível admitir o tamanho do universo sem a necessidade de reduzir a importância terrena, estuda-lo procurando compreender um pouco de toda aquela vastidão, entender o funcionamento individual de cada parte componente do mesmo, e a importância que todas elas possuem quando unidas, para a manutenção de uma ordem e equilíbrio naturais. Era um estudo fascinante.  Riu-se um pouco ao que Alice o agradecera, mesmo sem entender como a havia ajudado – De nada, Ginger.

...

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a culpa é das estrelas, não?

O relógio em seu pulso parecia ter o peso semelhante ao de uma ancora, como se a alertasse de que estava atrasada para a primeira aula. Ainda seria muito fácil se perder e por tal motivo a garota resolveu se apressar. Sua dosagem matinal de remédios já se encontrava previamente preparada e não houve trabalho em buscar um copo de água para ingeri-las. O gosto amargo a lembrava do hospital, das enfermeiras, do soro e da morte. Mas no segundo seguinte tudo ia embora, tal como o remédio que lhe descia pela garganta. Entre os materiais escolares que estavam sobre sua escrivaninha encontrava-se um pequeno bilhete. A caligrafia caprichada evidenciava o primeiro sinal de sorte da garota. No topo da folha de papel encontrava-se escrito “mapa de Weston para iniciantes”, era um presente que recebera de alguns colegas da ordem. Dividido em pequenos quadradinhos estavam mapeados todos os lugares importantes, as salas de aulas, biblioteca e oficinas. Dobrou o pedaço de papel umas duas ou três vezes e o pos no bolso do moletom canguru. Tentou ajeitar sua franja desalinhada em frente ao espelho e checou uma última vez o relógio. Tal ação estava se tornando habitual e por ora era de grande ajuda.

Não demorou mais do que três minutos para deixar atrás de si o conforto de sua cama e a hospitalidade dos demais membros de sua ordem. Era a primeira vez que pisava em solo da Weston como aluna e parte de si queria gritar por tal acontecimento. Mas não estava com tanto tempo como gostaria e os demais alunos poderiam não achar muito adequado. Seu corpo logo deu o sinal de que teria de acordar mais cedo para percorrer todo o trajeto até as salas de aula. Seus passos ligeiros eram repetidos por muitos outros alunos que pareciam receosos quanto os atrasos para as primeiras aulas. Sua mochila estava presa por apenas uma das alças em seus braços, lhe fazendo pender discretamente para o lado oposto na tentativa de equilibrar o peso quase nulo. Engalfinhou-se no mar de gente e consultou o mapa algumas vezes para se certificar de que tomava o rumo certo. O tic tac do relógio de pulso parecia ecoar no interior de sua mente e a garota logo tinha a impressão de tudo estar começando errado. Respirou profundamente, preenchendo os pulmões com ar e subiu alguns lances de escada, por sorte se deparando com a sala de porta fechada, com os dizeres referentes à Astronomia na parede ao lado da porta. Estava ansiosa por ter escolhido tal disciplina para cursar, sempre tivera curiosidade a respeito do universo lá fora. Inúmeras vezes sua mente viajou para o lado de fora quando era pequena, principalmente quando estava no hospital, lembra-se de ter perdido a oportunidade de visualizar um lindo eclipse solar.

Os nós de seus dedos bateram duas vezes na porta, enquanto por milésimos de segundo a garota pensava no que fazer ao abrir a porta e se deparar com todos a olhando. Do outro lado da porta nenhuma resposta foi ouvida, apenas o barulho de carteiras sendo movidas e o falatório dos alunos no inicio da manhã. Hakyla girou a maçaneta da porta temerosa por receber alguma repreensão, mas nada aconteceu, para sua sorte era o inicio da aula e não estava atrasada de fato, apenas pegara um caminho mais longo para chegar ali, ao menos era o que notava finalmente ao virar o mapa improvisado na direção certa. Lançou um olhar de desculpas a docente que ministraria a aula e juntou-se ao grupo disposto em circulo - ou algo parecido - na sala. A mochila finalmente saiu de suas costas, tomando lugar junto a seus pés e a garota ajeitou-se na cadeira. Passou sua mão pela franja, tentando a tirar da frente dos olhos e concentrou toda sua total atenção para a professora. Retirou de dentro da mochila seu caderno e o estojo, tentando acompanhar rapidamente o que a Srta. Michaela dizia. Sua mente estava começando a embaralhar com tantas perguntas. Os principais tópicos eram anotados aleatoriamente pela folha do caderno, de tal forma que talvez somente Hakyla entendesse. Somente ela era capaz de se encontrar em sua bagunça.

Enquanto observava a professora andar entre o circulo de alunos, seu cérebro divagava a respeito da pergunta exponenciada no quadro negro diante da turma. Seu raciocínio logo acompanhou o da professora, e a garota se pegou sorrindo enquanto observava as nuvens no céu azulado da manhã. Seus olhos curiosos ficaram a fitar um pôster em uma das paredes e a representação do Sistema Solar pendurado acima de suas cabeças. É claro que entre bilhões de estrelas e infinidades de planetas e galáxias que deviam de existir, algum deveria ter características semelhantes as do nosso e abrigar vida. Mas o questionamento maior se passava no interior da mente de Hakyla. A menina batucou algumas vezes a caneta sobre a folha de caderno. Sua mente voltou a divagar quando houve a comparação da nossa mísera com o que há lá fora. E repentinamente houve o estalo acerca da tarefa proposta por Michaela. A garota atentava-se a não perder o foco em tão pouco tempo, devido ao que agora era requerido. Teia de aranha era o que havia se formado em sua mente. Ajeitou-se na carteira, corrigindo sua postura aproveitando para lançar um olhar de soslaio para os demais colegas de classe, todos pareciam tão concentrados quanto ela e por um segundo sentiu-se perdida. Será que havia feito uma boa escolha? Abriu o estojo retirando mais uma caneta de seu interior.

Seus olhos voltaram-se para a folha de caderno a sua frente, era somente ela e as milhares de perguntas que salpicavam por entre seus pensamentos. No fundo esperava que um dia todas suas dúvidas fossem sanadas, mas sabia que tal possibilidade era impossível. A grande questão que surgiu na mente da menina era a de como transcrever para o papel as milhares de perguntas que pipocavam em sua mente. Sua concentração total estava depositada no papel. Até mesmo sua franja rebelde resolveu não interferir naquele momento quase raro. Hakyla tentava decidir o que escreveria, mas recordou-se das palavras da docente acerca do grau requerido das questões, elas teriam que ser intrigantes. Sua admiração sempre foi maior pelo satélite natural que ao mesmo tempo parecia tão longe e tão cerca da Terra. Filmes foram feitos, teoria levantadas e a curiosidade sempre imperou, principalmente acerca do lado oculto da Lua. Assim como a aquela que brilha no céu, Hakyla também possui um lado escuro, uma faceta que ninguém jamais será capaz de ver e principalmente entender. A menina passava para o papel todas as questões indecifráveis que encontrava no interior de sua mente, claro que todas relacionadas à pequena e frágil Lua. A rapidez de sua mão ao tentar escrever competia com a maneira como as perguntas iam e vinham em sua mente. Sua caligrafia não era das melhores, mas ela tentava manter algo aceitável e legível. Pensava em questões que gostaria de saber se fosse leiga no assunto, mas ela sabia ao menos o básico para responder tais questões.

Sua admiração e curiosidade para com o universo e suas mil facetas a intrigava desde criança e agora tudo poderia ser possível de ser descoberto. Ela não perderia essa chance. . “O que há no lado escuro da Lua?” “Por que o homem não voltou mais lá?” Eram as duas frases que se destacavam na escrita da menina, ela sorria para si mesma na felicidade em saber que havia mais entre o céu, o universo e a Terra do que sua mente poderia entender. Puxou as mangas da camisa do uniforme e se acomodou novamente na cadeira, não desviando o foco de suas respostas. Sabia que custaria bilhões de dólares para que o homem voltasse à Lua uma outra vez. Havia lido um artigo cientifico a respeito e considerava uma lastima o quanto de dinheiro era investido em projetos falhos e não em algo tão intrigante. Soltou a caneta por algum tempo, estalando os dedos das mãos e pensando sobre como responder sua outra questão levantada.

Por hábito e/ou mania, verificou novamente as horas no relógio de pulso, não poder relevância, apenas por instinto. Novamente a resenha se escrevia nas folhas de seu caderno. Hakyla citava as constantes teorias de conspiração acerca do lado oculto da Lua e até mesmo as loucuras de bases secretas e bases espaciais extraterrestres. Mas tudo não passava de teorias sem fundamentação. A questão era puramente lógica: a Lua tinha sua rotação e translação basicamente sincronizada, o que nos fazia enxergar sempre seu mesmo lado. A garota soltou uma risada contida e baixa ao terminar a sua manifestação sobre tal assunto. A menina estava tão inerte em suas próprias teses e conspirações acerca do universo e tudo o que o compõe que mal pode notar o passar do tempo. Só se deu conta de sua total inapropriação ao relatar a si mesma em seus materiais sobre o tema, quando percebeu que alguns colegas já se despediam e tomavam outros rumos para fora da sala de aula. Sempre sentira-se um alguém fora de órbita, tratando de andar em seu próprio eixo e orbitar em volta de outras pessoas. Nunca fora um Sol, o centro das atenções, no Sistema Solar de sua própria vida ela não passava de um simples meteorito vagando sem direção.




Última edição por Hakyla W. Ingkenbetric em Qua Jul 22, 2015 2:25 pm, editado 1 vez(es)

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Egyptians

ASTRONOMIA

Olá, meu nome é Timothy e estou escrevendo alguma coisa aqui embaixo, provavelmente é um texto confuso que tenta ser claro, mas na ânsia por dar informação eu acabo me perdendo e deixo tudo confuso, enfim... Só queria mudar o que estava escrito aqui nas letrinhas pequenas, por isso estou escrevendo isso, bjks!
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Aquela rotina de aula mal tinha começado e eu já me sentia sedento por férias, ir de uma sala pra outra, ouvir professores falando de assuntos entediantes por horas, ter de acordar cedo apesar de dormir tarde todo santo dia. Claro que a escola era incrível e tinha matérias super interessantes, onde mais eu poderia encher uma camiseta de cola?! Mas tinha também aqueles momentos chatos, matemática por exemplo, como alguém pode gostar de matemática?! Dei graças a todas as entidade místicas que já foram adoradas por algum povo desse planeta quando finalmente aquela tortura de exatidão acabou, no corredor dei uma olhada nos meu horários vendo que a aula seguinte seria Astronomia, era uma das matérias opcionais, confesso que escolhi esta meio que como um tiro no escuro, não tinha certeza do que esperar, poderia ser uma coisa divertida de observar planetas e fazer anotações ou envolver cálculos e fórmulas, o que me faria querer desistir da matéria!

Cheguei na sala e observei que na frente da turma havia uma bela moça, eu presumi que fosse a professora, não era bem como eu imaginava que seria a professora de Astronomia. Michaela, como veio a se apresentar no decorrer da aula era linha, tinha um jeito todo meigo que contrastava bem o sorriso sapeca da mulher, pode ser um pensamento infame, mas ela me lembrava aquelas atrizes pornô, não as artificiais com peitos enormes e rosto cheio de botox, mas aquelas tipo ninfeta, que são lindas pra caralho! Conforme a professora dava continuidade a aula minha mente viajava ainda mais nessa ideia, confesso que foi difícil me concentrar no que ela dizia enquanto com todos sentados em círculo eu podia observá-la claramente desfilando para nós enquanto fala sobre sermos grandes, crenças, algo sobre todo mundo ser feito de estrelas. Pelo visto não íamos ter nada de fórmulas por aqui, a professora fazia o tipo filosofa e tals, parecia querer que nós brisássemos nas ideias mais loucas que pudéssemos acerca da astronomia.

Finalmente a professora se inclinou sobre a mesa - o que nos permitiu ver seu decote - e passou então a primeira tarefa, ela esperava que levantássemos questionamentos sobre o universo e toda essa coisa, queria dúvidas interessantes que pudessem desenvolver toda uma discussão, assim que ela passou a tarefa uma coisa veio a minha mente: Será que estamos sozinhos?! Tentei buscar algo mais palpável para discorrer sobre, mas não havia como, essa é e creio eu que por muito tempo será a grande dúvida do homem sobre o universo, existe vida além da terra? Bom, em minha opinião particular, tenho certeza que sim, acho que seria muito egoísmo pensar o contrário, afinal a terra é uma coisinha insignificante nessa imensidão toda de universo cheio de galáxias e sabe-se lá mais o que, talvez haja até um um Ultron viajando por aí.



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