Stranger Things Version
Wicked Academy

Sala de Artes


Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Mensagem por The Vanity em Sex Jun 05, 2015 2:34 am

avatar
Mensagens : 199

Data de inscrição : 15/03/2015

Staff

Sala de Artes
A sala possui mesas que ocupam quatro lugares cada, dispostas uniformemente, e suporta cerca 32 alunos por vez. Além disso, há armários enormes com portas de correr com cavaletes, diversos tons de tintas, canetas coloridas, lápis de cor e materiais para desenho e pintura, gesso, ferramentas para escultura, tinta spray, argila, etc. Cada aluno deve ter seu próprio avental, mas, fora isso, o local está equipado para fornecer todo o resto. As mesas podem ser movidas há qualquer instante, caso o professor encarregado deseje realizar uma dinâmica diferente.



Voltar ao Topo Ir em baixo

Mensagem por Antonella Lorenzzi em Qua Jul 08, 2015 3:36 pm

avatar
Mensagens : 6

Data de inscrição : 22/06/2015


Ipsum te reperies
By: Ella Lorenzzi




O primeiro dia de aula era sempre o pior não importava se você era um aluno ou uma professora, no meu caso eu sentia um frio na barriga, não era nada parecido com dar aulas em um ateliê para 5 pessoas. Eu estaria diante de uma sala cheia. Depois de muito pensar resolvi explorar o conhecimento dos meninos hoje. Eu queria saber o que eles desenham, como desenham, se desenham... Pode fazer de tudo exceto escrever na minha aula. Ri comigo mesma enquanto ajeitava a blusa preta sobre o corset e uma calça também preta. Comportada, mais do mesmo que era tudo que eu tinha conseguido comprar.

Entrei na sala ainda vazia mordiscando o lábio, e empurrei as grandes portas dos armários maravilhada com o material a disposição. Suspirei ressaltada de susto quando ouvi os primeiros alunos entrando, voltei para frente da sala enquanto os recepcionava com sorrisos ou leves acenos de cabeça.  Depois de alguns minutos levantei parando no meio da sala olhando para cada rosto ali, eu me sentia estranha, sorri e tentei não gaguejar:

- Olá a todos! Sou Antonella Lorenzzi e serei sua professora de artes. Hoje vamos começar a aula antes de qualquer coisa com uma pergunta: A arte é para todos? Mas não me respondam. Pensem nisso e mais para o final da aula lhes direi o que fazer com a resposta.

Sorri voltando a me aproximar das portas dos armários procurando por canetas, lápis, giz e tinta e tesouras. Equilibrei algumas coisas nos braços e as depositei sobre a mesa mais próxima ao lado de uma pilha de camisas brancas de todos os tamanhos:

- Pra essa primeira aula eu quero que me mostrem o que sabem: e vamos testa-lo em roupas. Não vocês não entenderam errado: iremos fazer arte em blusas. Cada um pode pegar uma blusa branca e você pode desenhar,  pintar, escrever, cortar... O que você vai fazer é por sua conta em risco. Não se acostumem só na aula de hoje não teremos teoria apenas prática. Porque ninguém é de ferro pra começar o ano letivo comendo caderno!

Enquanto eles começavam a se preparar para fazer bagunça, olhei em volta sorrindo era uma aula interessante. Peguei uma das camisas e me sentei a mesa fazendo algo também, peguei tintas e comecei a fazer algo que sempre fazia com tintas escuras. Depois de um tempo ergui a cabeça olhando pela sala e sorri com os resultados. Inclusive com a minha camisa. Eles eram criativos, já era um ótimo inicio.

- Bom quanto a pergunta que fiz a vocês espero recebe-la por escrito, quero que você me fale tudo o que pensa sobre a Arte ser ou não para todos. Bom creio que é isso. Essa foi nossa primeira aula, até a próxima estão dispensados.


Ella escreveu:Sobre a pergunta que deixei em aberto: Coloque sua resposta ao final do post, a mesma será avaliada para nota. Coloquem tambem como ficou sua camisa ao final do trabalho. Grata.




Take the chance.
Design your universe




Voltar ao Topo Ir em baixo

Mensagem por Timothy G. Keynes em Qui Jul 09, 2015 12:55 pm

avatar
Mensagens : 21

Data de inscrição : 08/03/2015

Egyptians

CAMISETA

Olá, meu nome é Timothy e estou escrevendo alguma coisa aqui embaixo, provavelmente é um texto confuso que tenta ser claro, mas na ânsia por dar informação eu acabo me perdendo e deixo tudo confuso, enfim... Só queria mudar o que estava escrito aqui nas letrinhas pequenas, por isso estou escrevendo isso, bjks!
__________________________________________________________________________________
Depois da festa mais desanimada da história das festas pra abrir o ano letivo, eu não esperava por muita adrenalina na minha rotina pelos corredores da Weston. Era uma manhã fria e monótona, o uniforme padrão e também monótono acabava sendo ornamentado por um suéter verde que eu usava sobre a camisa, após algumas primeiras aulas que foram legais por serem primeiras, mas por certo viriam a se tornar entediante no decorrer do ano letivo, finalmente o currículo escolar apresentava algo que parecia ser legal de verdade. Uma das coisas que me fez querer vir pra Weston foi a forma como esse colégio tem um envolvimento forte com a arte, basta uma olhada nos folhetos e você percebe que o foco da escola não é exatamente formar gênios ou cientistas que vão revolucionar as teorias atômicas, como a maioria faz, aqui é como se eles focassem você em determinada área, seja um artista, seja um atleta, então exploram isso ao máximo do aluno.

Entrei na sala de artes e mesmo já tendo estado lá antes quando fiz a visitação não pude deixar de ficar maravilhado com aquilo tudo, o estilo que misturava um pouco daquelas galerias luxuosas de Miami com o grunge de uma oficina de olaria, talvez ainda com o romance de Unchained Melody. A reação da professora sempre que um aluno novo entrava na sala acentuava ainda mais o clima, era como se ela visse um fantasma diferente em cada um. Não tardou até que todos estivessem ali sentados em lugares aleatórios nas mesas, a maioria não se conhecia ainda, talvez essa tensão mútua tenha dado brecha pra professora se sentir mais a vontade que nós, logo nas primeiras palavras ela já parecia ter superado o espanto todo e estava esbanjando simpatia.

No decorrer da sua fala Antonella levantou um questionamento interessante - a arte é para todos? – sem dúvidas algo que gerava muita discussão, eu já tinha lido diversos textos sobre isso, pessoas que acreditam que a arte deve ser mantida num pedestal pra ser genuína contra pessoas que defendem que aquilo deve estar ao alcance de todos. Talvez seja um devaneio louco, mas era incrível como a maioria das discussões do mundo giravam em torno disso, exclusividade, todo mundo quer ser exclusivo em alguma coisa, mas ninguém quer ser excluído de nada, o que deixa a coisa bem desequilibrada, aparentemente eu teria que dissertar sobre esse assunto pra aula, acho que dava conta de algo assim.

Porém é claro que a professora de artes não queria ser amada, então iríamos por a mão na massa sim! Afinal o que é mais deprimente do que ir pra aula de artes e só sentir sono? Mas Antonella logo foi até um armário e voltou de lá com uma pilha de material maior do que ela parecia conseguir carregar, em geral eram coisas bem simples, coisas que você encontra numa escola primária, tinha canetinhas, tesouras sem ponta, giz de cera. A mulher então nos disse pra pegarmos uma camisa branca, visto que havia um pilha delas junto dos outros materiais e deixarmos nossa criatividade fluir, usarmos a peça como tela... A ideia era bem interessante, logo todos estavam absortos em seu próprio trabalho, inclusive a professora. Eu olhava em volta e via todos cortando, pintando, costurando. Eu já sabia exatamente o que queria fazer, assim que ela falou das camisetas a ideia me veio à mente, mas ainda não tinha certeza de como fazer. Num dos cantos da sala haviam alguns manequins, não tinham certeza de qual era a finalidade deles ali, talvez fossem mesmo pra expor esse tipo de trabalho feito em roupas, mas agora eles me serviriam de molde. Vesti a camiseta dos bonecos masculinos que havia ali, eu já vinha reparando isso nas vitrines, mas de uns anos pra cá esses modelos de plástico se tornaram mais bombados. Deixei a camisa no manequim e fui revirar o armário procurando algum tipo de tinta, cola ou verniz que me desse o efeito desejado. A idéia era petrificar o tecido com a forma do corpo do boneco, lembrei que uma vez usei cola de madeira pra prender uma vela à um barco que construí, a parte do tecido que tinha cola ficou bem dura, mas não queria que a camisa prendesse no corpo do manequim. Jornal! Havia ali uma caixa cheia de jornais antigos, acho que toda sala em que trabalhe com tinta, cola e coisas que sujam existem muitos jornais velhos. Peguei alguns cadernos, de economia, esportes, variedades, não que eu fosse lê-los mas era inevitável dar alguma atenção pros títulos. A pilha que eu levava pra perto do manequim chegava a ser pesada, os jornais me permitiriam usar cola branca escolar, o que era bem mais fácil de trabalhar.

Jornais, uma garrafa de cola, um pincel largo e a camiseta. Tirei-a do manequim virando no avesso e fui colando tiras de papel encharcadas de cola por todo o tecido, foram uma  quatro ou cinco camadas bem úmidas, o jornal era rasgado nas mais diversas formas e tamanhos, então colado, tentei não demorar muito nesse processo, se alguma parte secasse antes da hora não seria legal. Finalizei o interior da peça com pedaços secos de jornal pra evitar que a cola entrasse em contato com o manequim, com cuidado pra não desmanchar a coisa toda vesti o boneco novamente, a grande vantagem de trabalhar com esses bonecos é que os braços saem, isso facilita em muito o trabalho, se fosse um modelo vivo eu não poderia me dar a esse luxo, o que provavelmente estragaria parte do trabalho.

Algum tempo depois a peça podia não estar completamente seca, mas já estava firme o suficiente pra se sustentar sem o manequim, removi a camiseta do boneco, pondo-a sobre a mesa como uma o busto de uma armadura. Por dentro era possível ver os pedaços de jornal, o que não me deixava muito feliz, porém não iria pintar agora, talvez voltasse amanhã ou depois pra fazer isso, ela precisava secar completamente antes, o projeto final seria aquilo pendurado de alguma forma, talvez fios de nylon, pra parecer que flutua no espaço, poderia se chamar homem invisível sem cueca ou algo do gênero, acho que o título deixa claro qual a ideia da coisa toda.

A ARTE É PARA TODOS?:

Existem muitas linhas de raciocínio que podem ser exploradas dentro de uma pergunta como essa, talvez pareça simples num primeiro olhar, mas é provavelmente um dos maiores questionamentos que se pode ser feito. Vou tomar como ponto de partida o que considero como melhor definição de arte, então pensemos que arte é tudo aquilo que o homem faz com a finalidade de se expressar. Dessa forma todos podem ser artistas, basta querer fazer, ouso ir além, defendo que todos nascem artistas, vejo a arte como um instinto do ser humano, afinal todos tem necessidade de se expressar, todos tem a arte em si.
Porém, quando dizemos que a arte é para todos, devemos nos perguntar “que arte?”, pois não é segredo pra ninguém que nos dias atuais a arte é um meio de consumo, portanto nem todos podem ter, não são todos que conseguem assistir uma ópera, um musical na Broadway ou até mesmo comprar uma música no Itunes, isso nos leva pra uma hierarquização da arte, o que faz surgir preconceitos dentro do meio artístico, pois se todo homem tem necessidade de se expressar, e algumas expressões são mais valorizadas que outras, a expressão menos valorizada é vista com maus olhos, associada até mesmo ao crime, temos então o contraste social de estilos musicais periféricos, pichação, que são formas de arte com um conteúdo histórico e cultural riquíssimo, porém não tem esse reconhecimento.
Outro fator que deve ser analisado é a massificação de certos conteúdos artísticos, talvez pareça que eu estou me contradizendo num primeiro momento, mas me refiro ao fato de grandes clássicos da música serem usados e reproduzidos loucamente por aí, é normal você ouvir Vivaldi, Bethoven ou Bach enquanto assiste algum desenho animado ou vê um comercial de carro, mas não faz ideia do que está ouvindo. Isso é um pouco entristecedor, não é problema as músicas serem divulgadas, elas são geniais, devem sim estar em toda parte, o problema estar em as pessoas não saberem o quanto conhecem e muitas vezes gostam desses autores clássicos, que também são vítimas de preconceito artístico, vistos como chatos, velhos, antiquados.
Então a arte é para todos? Sim. Todos tem o mesmo acesso à arte? Não.



Voltar ao Topo Ir em baixo

avatar
Mensagens : 98

Data de inscrição : 22/06/2015

Nordic
C
ome to
Art !
If you catch me in my zone it may be you lucky day
Eu não podia ver, nem mesmo se olhasse, tudo era escuridão. Sentia algo molhar meus dedos, talvez meu próprio sangue. As pontas dos mesmos ardiam. Tentei gritar, mas nenhum som saía da minha garganta seca. Tentei me mover, mas parecia estar acorrentada, acorrentada em algo duro, talvez uma árvore. Tudo o que eu podia ver era a fumaça que saía da minha boca entreaberta quando expirava. De repente, ouvi um rugido ou algo parecido e foi então que eu o vi. Parecia um leão, mas brilhava. Sua juba pareciam chamas que ondulavam sobre sua grande cabeça. De início assustei-me, porém sua beleza era tão grande que fazia com que eu me sentisse calma, talvez até protegida. O animal se aproximou da presa acorrentada, no caso eu, não parecia prestes a atacar, era como se quisesse passar uma mensagem, como se quisesse que eu me lembrasse dele. Ele rosnou e correu para longe, e então eu magicamente livrei-me das correntes frias. Não podia controlar minhas próprias pernas, mesmo que as mandasse parar, continuavam se movendo, correndo para encontrar aquele ser tão belo. O vi ao longe, observando a imensidão sobre sua juba. Certamente o alcançaria, porém era desastrada demais e acabei caindo de joelhos. Um som agudo chegou aos meus ouvidos, tive vontade me esconder, não conseguia levantar, apenas mover a cabeça. Uma espécie de águia vinha na minha direção, estava chegando cada vez mais perto e mais rápido, fechei os olhos, esperando o impacto...

Hoje o dia se encontra parcialmente ensolarado, meus ouvintes, um bom dia para um boa caminhada, talvez até um pi... Apertei o botão de desligar do despertador com força, precisava mesmo mudar para o modo de música, não é interessante acordar com vozes de estranhos sobre sua cabeça. Como fazia todos os dias, levantei-me e me despi. O chão estava razoavelmente frio, fazendo meus passos se tornarem pulinhos de certa forma. Era o dia da primeira aula decente em que eu compareceria, estava nervosa, para dizer o mínimo. Não conhecia quase ninguém na escola ainda, e já ouvira falar que as ordens não tendem a amarem umas às outras. Não que eu fosse amar alguém. Era uma manhã calorosa, mas não porque estava quente, mas sim porque eu finalmente teria uma aula onde poderia me soltar, artisticamente falando. O banho estava frio como sempre, porém não excessivamente como era às vezes. Sequei-me com uma tolha de cor magenta e saí do minúsculo banheiro sem nada para cobrir-me. Dentre todas aquelas roupas e sapatos e casacos, optei por uma blusa negra decorada com pequeninos botões na parte superior, saia listrada de cor neutra, meia calça também negra e salto alto fechado. Preferi manter o cabelo solto, apenas penteei o fios ruivos e os organizei em ondas. Escolhi uma bolsa simples da cor vermelha e joguei, literalmente, tudo que precisava - ou achava que precisava - dentro. Por fim, coloquei o headset e tranquei a porta ao sair. Tocava Mirrors do Justin Timberlake e eu mais dançava que andava...

***

A sala não estava completamente vazia, mas também não tinha gente o suficiente para se dizer que estava cheia. Era um local agradável, com algumas mesas e armários, mal podia esperar para colocar minhas mãozinhas nos objetos de desenho que supostamente estariam dentro deles. A professora já estava ali, mas não parecia disposta a começar a aula ainda, devia estar um pouco cedo. Sentei em uma mesa bem afastada e aumentei o volume da música, que agora se tratava de Seize The day de Avenged Sevenfold. Alguns ou muitos minutos depois, pude notar que a professora se levantava, rapidamente pausei a música, deixando o headset descansando em meu pescoço e comecei a prestar atenção na mulher. Algumas palavras depois e eu já tinha muito à processar. "A arte é para todos?" Foi o que ela perguntou, sem direito à uma resposta, comecei a pensar na questão, porém logo tiver que voltar a minha atenção para a professora ruiva, a qual ditava algo à fazer. Aula prática no primeiro dia, já começava a gostar dessa ... Antonella. Arte em roupas não era exatamente o que eu tinha em mente para a primeira aula perfeita, mas certamente me surpreendeu ser tão bom. Peguei minha camisa, não podia ser uma peça mais simples, toda branca e com mangas médias. De início, não fazia ideia do que fazer com aquele pedaço de pano, mas um acontecido naquela manhã certamente me ajudaria. Como uma boa nórdic, nada melhor que desenhar o mascote da ordem de um jeito muito próprio.

Caminhei sorrateiramente entre os outros alunos e acabei conseguindo tudo o que precisava: algumas canetas, dois pincéis de tamanhos diferentes, algumas tintas de cores primordiais, uma régua e um lápis para os contornos. Não queria fazer cortes, apesar de serem uma das minhas especialidades. Escolhi uma mesa no fundo e ocupei metade dela, apesar de servir para umas duas pessoas. Coloquei meus materiais de um lado e a camisa do outro, passei as mãos na mesma até que estivesse perfeitamente reta, sem nenhuma dobra ou simples ondulação. Reposicionei o Headset em seu devido lugar e reiniciei minha Playlist. Ao som de Rude da banda Magic!, peguei o lápis com mãos firmes, apoiando a esquerda e desenhando com a direita. Decidi começar pelo rosto, que deveria ser a parte mais detalhada de todo o desenho, o focinho não demorou mais que seis minutos para ser feito, já os olhos demorou um pouco mais, esperava que transmitisse algo além de ser apenas o mascote de adolescentes mimados. Por fim, desenhei os fios lisos, porém engrenhados da juba. As patas e garras foram fáceis, porém precisei da régua em alguns pontos. E então, o esboço estava pronto. Fiz o contorno todo com caneta preta e usei tinta preta e beje no rosto e juba, já nas pastas, usara o beje apenas para o sombreamento. Para dar o toque final, usara tinta vermelha e azul como se fossem marcas de batalha. Recoloquei o fone em volta do pescoço e suspirei, estava pronto, uma camisa simples, porém customizada.

Sim, a arte é para todos.:
A arte é uma forma de expressão do homem, esse dom natural que vem desde as pinturas em cavernas, passando por pinturas à mão até chegar em tecnologias e grafites abstratos. Ressaltando que sim, a arte é para todos. A arte não é apenas pinturas, poesias ou composições. Isso vem do interior de cada um, todos temos nosso modo próprio de se expressar, uns cantam, outros pintam e tem até aqueles que fazem palhaçadas para divertir os outros. Mesmo que não a vejamos, convivemos com a arte à cada instante de nossas curtas vidas, alguns simplesmente não tem a capacidade de compreende-la, mas ela está ali, na rotina de todos. Todos vivemos em harmonia com a música, a dança e até mesmo os desenhos nos muros, alguns os chamam de vândalos, eu os chamo de artistas. Mesmo quando você está dormindo, a arte está ali, quem é que irá dizer que o ato de sonhar não é uma arte?

Can somebody please tell me why do men try to be
Something they could never be
'cause us woman our totally different pedigree


Voltar ao Topo Ir em baixo

Mensagem por Daniel Ludke em Sex Jul 10, 2015 4:50 pm

avatar
Mensagens : 20

Data de inscrição : 07/07/2015

First class

Ah, o colorido e juvenil mundo escolar! Ele já podia sentir, sem nem mesmo ter deixado seu quarto, o cheiro de humilhação, sonhos destroçados, perda de inocência e spray de cabelo.

Não foi difícil encontrar a sala. Na verdade, era o único lugar de todo a Academia ao qual ele poderia ir tranquilamente sem perder-se por todos aqueles corredores abarrotados de moleques cujas solas dos sapatos dariam para pagar meses de refeição dos mendigos da Pensilvânia. A sala de artes fora o local de seu teste de admissão [teste esse que rendeu um tipo de “fama” sobre seu nome, coisa que lhe deixara extremamente ressabiado – jamais fora conhecido, notório ou popular em seus quinze anos de vida. Pelo menos não entre pessoas com a sua faixa etária. Os médicos da clínica de manipulação de DNA não contavam.].

A disposição do ambiente parecia quase que completamente alterada desde sua última visita. Quando entrou na sala pela primeira vez, não haviam mesas, e definitivamente não estava tão arrumada ou limpa. Ele observava quase sonhadoramente o cômodo enquanto se dirigia para uma mesa, bem perto de uma das janelas. Colocou sua bolsa no chão, ao lado da cadeira, e procurou concentrar-se no que quer que a ruiva – Antonella Lorenzzi, ele sabia por ter memorizado toda a sua grade curricular diária e seus respectivos mestres na noite anterior – estava dizendo. Pela cadência de sua voz, podia jurar que ela estava ligeiramente nervosa. E quem haveria de culpa-la?

Apesar do nervosismo inicial, a mulher pareceu gradativamente libertar-se de quaisquer resquícios de insegurança. – A arte é para todos? - Mesmo que sua resposta para aquele questionamento estivesse na ponta de sua língua, nem por um momento ele pensou em externá-la. Mas logo em seguida, viu-se liberando um suspiro discreto, aliviado por não ter sido obrigado a fazê-lo. Em suma, tudo o que a professora desejava dos alunos em seu primeiro dia era que eles se expressassem por meio do próprio ato de fazer arte. Quando levantou-se para buscar uma camisa, sua carranca habitual dera lugar a uma expressão suave, ornamentada por um pequeno sorriso. “Talvez a escola não seja algo tão maçante assim.”

Aquela era, de longe, a melhor matéria de todas. Um pequeno espaço para que ele pudesse se expressar da forma mais eficiente que conseguia.

Enquanto esperava, já de volta a sua cadeira, que os estudantes pudessem pegar entre todos os materiais disponíveis os que mais lhe agradassem, ele analisou a camisa. Branca, simples, e se o seu toque não lhe enganasse, feita de algodão. O material era fundamental, até para se ter certeza de que tipo de materiais ele poderia utilizar, e o resultado final destes. Assim que a última garota retornou para seu lugar, Daniel caminhou calmamente para uma das estantes que lhe chamara atenção desde a primeira vez em que a viu: todas as suas prateleiras estavam abarrotadas de velas de todas as cores, formas e tamanhos. Começou a pegar em cada uma delas, pesando-as.

Assim que encontrou quatro velas de peso considerável, voltou para a sua camisa. Ele não pretendia queimá-la, e muito menos depredar o que possivelmente eram os trabalhos de outros alunos, longe disso. Colocou cada uma delas em uma extremidade da camisa, esticando-a. Era essencial que o tecido se mantivesse firme para o que ele tinha em mente. Com o pano devidamente preparado, desta vez ele se dirigiu para onde os potes de tinta encontravam-se -  azul, vermelho, amarelo e preto. O desenho estava perfeitamente claro em sua mente. Em tese seria simples, mas com um visual bastante interessante. Após equilibrar os potes em um braço, com o outro ele buscou dois pincéis médios e um pequeno e retornou para deixá-los.  Sem dar-se por satisfeito, ele, por fim, encontrou um pedaço de pano e encheu um copo com água – sorte sua que havia uma torneira bem discreta, aos fundos. Desta vez ele dispunha de tudo o que precisava, e pôde finalmente começar a trabalhar.

O loiro desejava fazer algo completamente diferente da obra que fizera no teste. Se nela ele preocupou-se essencialmente em transmitir as cores e formas com extrema precisão, aqui ele poderia correr a mão livremente pela extensão alva que lhe fora disponibilizada. A única coisa em comum que ambas teriam, seria o fato de que ele não faria uso de um pré-modelo, um rascunho. Mergulhou cuidadosamente o pincel na tinta preta, e ocupou-se com a gola da camisa e o limite entre o ombro, e o início da manga. Ali seriam os locais poupados da mistura de cores, e a cor se manteria sóbria e límpida.

Como vira alguns alunos com fones de ouvido, imaginou que não teria problemas em usar os seus, também. Apoiou o pincel em cima do ombro enquanto retirava seu ipod do bolso e posicionava os fones em seus ouvidos. Assim que os primeiros acordes de guitarra soaram, Daniel voltou a debruçar-se sobre seu trabalho, a música servindo-lhe como um estimulante.

Sempre fiando-se na imagem mental que desejava exprimir, o garoto buscou o outro pincel médio e começou a “rabiscar” – o que era, na verdade, apenas traços, retos, de todas as cores que dispunha. Em alguns traços ele evidenciava mais a cor vermelha, em outros, a cor preta, a cor azul, e assim por diante. Também abusava da mistura de tonalidades, o que na sua opinião, era exatamente o “charme” da pintura. Assim que coloriu as mangas e as extremidades, ele começou a fazer uso do pincel fino, mergulhando-o novamente em tinta preta.

A mão que guiava o traço era firme e precisa. Desenhou um óculos. Aquele era a única parte do leão que realmente estava bem nítida. O resto de seu rosto viria por base em traços ligeiramente imprecisos, cujo sentido estaria completo pelo jogo de cores. Seguindo esta linha de raciocínio, ele desenhou o que seria o focinho, curvando-o na forma de um “v” bastante suave. De seu centro ele traçou uma linha para baixo, que indicava a divisão entre o focinho e os lábios do animal. Ali ele fez a mesma curva suave, porém mais longa, cuja abertura estava voltada para baixo.

Lavou os pincéis médios no copo, e enxugou-os no pano. Ele precisaria apenas terminar os detalhes do rosto do animal, e os reflexos do óculos. Talvez alguns detalhes ainda com o pincel fino, mas isto ele decidiria depois que as cores já tivessem sido aplicadas. Seus pés batiam bem levemente no assoalho, no ritmo da música, e seu sorriso revelava discretamente suas covinhas. Continuou movendo o pincel com agilidade, em traços curtos. Ele sentia-se o próprio Monet, cujas obras se davam por pinceladas pequenas.
Sempre seguindo o padrão geométrico, Dan continuou pintando, sempre deixando espaços onde o tecido branco estava intacto. Sem eles, o desenho não faria o menor sentido. Quando se deu por satisfeito, começou a fazer todos os detalhes que, ao contrário da maneira como vinha pintando até agora, apresentavam um maior cuidado.

O que o trouxe de volta para a realidade foi a movimentação de alunos ao redor, levantando-se para devolver o que tinham pego. Como a camisa já estava pronta, Daniel decidiu colocar as velas e os potes de tinta em seus devidos lugares. O resto – o pano e os pincéis – ele levou para a pia, a fim de lavar tudo. Como ainda havia uma segunda parte, tratou de pegar seu caderno e responder ao questionamento.

A arte é para todos?:
Vou avisando previamente que não sou bom com palavras. Desenhos? Uma beleza. Música? Também. Mas eu não sou bom com palavras. Sei lá, de algum jeito eu sinto que eu e elas não temos a mesma empatia. Eu não consigo dobrá-las e usá-las do jeito que gostaria. Também não sou nenhum escritor brilhante, muito ao contrário. Me considero bastante bruto nesse mundo escrito. Mas espero, ao menos, me fazer entender.

Arte está para o homem tanto quanto piscar está para os olhos. É natural, sabe? Talvez seja porque eu realmente gosto disso tudo, mas consigo entender a essência do ser humano como uma obra de arte. Estou viajando muito? Acho que sim. A questão é que, por arte ser algo presente na própria essência do ser humano, ela automaticamente se torna para todos eles. Podem existir pessoas que defendam que o fazer arte não é algo geral, mas até nisso eu discordo.

Se existiu um cara no Dadaísmo que pegou um vaso sanitário e chamou aquilo de arte, então eu acredito que arte pode ser feita de qualquer coisa. Não necessariamente de materiais específicos de pintura, ou escultura, porque isso é só um tipo de arte. Dança é arte, cinema é arte, falar é arte. Talvez o que mude isso seja justamente a maneira como cada um vê o mundo. Porém, como estamos abordando o ponto de vista individual, e eu acho que tudo o que tem por aí pode ser transformado em arte, a minha resposta é, sim. Arte é para todos.
...



Última edição por Daniel Ludke em Ter Jul 14, 2015 2:30 pm, editado 1 vez(es)

Voltar ao Topo Ir em baixo

Mensagem por Anna Hool McCready em Dom Jul 12, 2015 1:43 pm

avatar
Mensagens : 36

Data de inscrição : 05/07/2015

Nordic
arts, #1
Acordara cedo esta manhã, novamente com dificuldades para me levantar da cama. Hoje eu teria aula de artes plásticas. Meu verdadeiro motivo para aceitar ficar nesse lugar era essa aula. Queria aprimorar o que eu acreditava que seria um “dom”. Me levanto e faço minha higiene pessoal rapidamente. Estava cansada de ficar trancada naquele cubículo que sou obrigada a chamar de quarto. Espero que não demore muito para me socializar com alguém ali. Outro dia conversei com um grupo de adolescentes, dois meninos e uma garota baixinha um pouco bochechuda. É um grupo um tanto estranho, admito, mas mesmo assim até que gostei deles. Gostaria de encontrar algum deles por aí qualquer hora dessas.

Me dirigi para a sala de artes, no segundo andar da escola. – Meu Deus, que lugar enorme... – Cochichava enquanto caminhava pelos enormes corredores até chegar na porta da sala. Já haviam alguns alunos por lá. Ao entrar, a professora me lançou um leve aceno de cabeça, a respondo com um sorriso de canto. Finalmente conseguia ter algo além de mal humor naquela escola. A mulher tinha uma aparência agradável e simpática. Já tinha gostado dela sem nem mesmo ouvir sua voz.

Alguns minutos se passaram e o resto dos alunos chegaram na sala, e a aula finalmente começara. Uma pergunta feita pela srta. Lorenzzi me deixara intrigada. – “A arte é para todos?” – Pensava. Como assim? Ok, vamos deixar essa pergunta para depois. Hoje estava muito mais disposta para assistir aula. Mesmo tendo dormido tarde outra vez. Pelo menos não estava mal humorada, afinal, estava fazendo minha aula preferida.  Pego uma camiseta branca e algumas tintas coloridas. Estava feliz de ter uma aula divertida, em vez de ter aquela mesma rotina de aulas chatas e com teorias demais com pouca ação.

Eu tinha em mente uma camiseta colorida no estilo hippie. Eu adorava camisetas assim, mas nunca pude ter uma. Segundo minha mãe, esse tipo de camisetas eram “inapropriadas para nossa classe social”. Mas o que ela poderia falar agora? Dou um sorriso e começo a pintar a blusa de forma totalmente individual e extrovertida. Estava feliz fazendo aquilo, afinal era o que eu mais gostava de fazer, desde pequena. Já havia tentado pintar uma camisa antes, mas não deu muito certo. Minha camisa finalmente estava pronta. Agora só faltava responder por escrito a pergunta do início da aula. Ainda estava intrigada com ela. A aula havia terminado e já tinha respondido a pergunta numa folha e a entrego para a professora.– Até a próxima, srta. Lorenzzi! – A cumprimento e saio da sala.
A arte é para todos sim!:

A Arte é para todos?


A arte esse bem natural do homem de se expressar, vem de escuras cavernas, passando por telas e pinturas até alcançar computadores e ganhar o mundo. Mas a questão é se ela existe por todo esse tempo , todos nesse tempo puderam aprecia-la?

A triste verdade é que nem sempre isso foi possível, apenas burgueses, ricos e elites puderam aprecia-la. Mas porque ela foi mais apreciada pelos mais ricos?

Primeiramente é importante ressaltar que a Arte é para todos sim! O que falta muitas vezes é a compreensão e a percepção desta, pois diariamente estamos em contato com ela, ora não a vemos, por confundir e associar o termo arte com somente pinturas, esculturas, e outros grandes clássicos da Arte, e esquecemos que ao nosso redor existe um ar artistico que é imperceptível na grande maioria dos casos. Deparamos com ela na televisão, em um filme no qual vemos atores, em praças onde vemos claramente arquitetura, e em vários outros ambientes do nosso cotidiano.
Minha camiseta -q:


Voltar ao Topo Ir em baixo

Mensagem por Nadia Winbledeaux em Seg Jul 20, 2015 10:47 pm

avatar
Mensagens : 50

Data de inscrição : 01/06/2015

unsustainable
All teenagers scare the living shit out of me, They could care less!
Algumas pessoas agradecem aos céus pela saúde, pelo dinheiro, sorte, amor, trabalho, paz mundial e outras besteiras desse gênero. Nadia estava grata pela sala de artes ser no mesmo andar da de música, algo muito mais válido. A egípcia usou os últimos minutos das apresentações musicais para planejar um sistema que funcionasse desta vez, arrumando o material na bolsa e fechando o fichário, evitando grandes desastres como os daquela manhã tão corrida. Terminada a primeira aula, após escutar os comentários finais do professor sobre sua performance extraordinária - lê-se "fora do ordinário", não necessariamente boa -, correu pelos corredores do segundo piso, desviando do mar de adolescentes, e mergulhou no ateliê. Isso mesmo, mergulho; entrou de cabeça, com a bolsa presa entre a multidão e os óculos balançando perigosamente na ponta do nariz. Após um segundo para ajeitar as coisas no lugar, retomou o fôlego e observou o local onde provavelmente passaria as melhores, talvez únicas decentes, horas naquela instituição.

O coque, antes bagunçado, agora parecia um furacão, com fios loiros escapando por todos os lados. O casaco verde-exército escorregava pelos braços, que equilibravam o material com certa dificuldade. Provavelmente parecia uma louca desvairada, porém sentia-se bem pela primeira vez desde que pisou na Wicked. Lançou um enorme sorriso na direção da professora, meio que desculpando-se pela aparência e equilíbrio terríveis, e jogou o material no chão ao lado de um banco vazio. O sinal bateu pouco depois dela sentar a bunda na cadeira, algo que deixou-a extremamente orgulhosa. Não havia se atrasado. Bom trabalho, Uimboudô, pensou. A professora, uma ruiva de aparência acolhedora, apresentou-se e explicou a tarefa.

Nadia mal conseguiu conter a agitação ao escutar as instruções, e começou a balançar o pé direito em um tique incontrolável. Curvou-se sobre seu balcão observando a pilha de camisetas brancas enquanto a mulher terminava de falar, os olhos semi-cerrados e a testa enrugada de concentração. Começar com atividades práticas conquistou o afeto de Winbledeaux imediatamente, que só queria se lambuzar com tinta, ou, talvez pintar alguém pelado. Terminada a parte burocrática, a aluna saltou do lugar e foi até a mesa de materiais. Agarrou uma blusa para si, analisou os objetos disponíveis para uso rapidamente, e equilibrou uma tesoura, tinta para tecido preta e branca, cartolina, um pedaço de papelão jogado por aí, fita adesiva e lápis grafite. Levou também um pequeno prato de plástico. Voltando ao seu espaço, despejou as "ferramentas" e organizou-as de acordo com a ordem do que usaria. Tesoura, tintas, papelão, cartolinas, lápis e o prato.

Provavelmente vários alunos fariam algo como tie-die - a própria professora divertia-se com a técnica em seu cantinho - ou talvez algo que representasse sua ordem. A própria Dia pensou em realizar algo deste gênero, mas resolveu ir pelo lado mais simples, algo que ficasse bonito e usável, porém que demonstrasse seu potencial. Era diferente trabalhar com tecido, principalmente quando sua especialidade era desenho e arte moderna, e ela não queria abusar demais deste campo desconhecido.

Sua ideia original era tingir a camiseta, porém era algo demorado demais para o tempo da aula, então teve de adaptar-se ao relógio (clique aqui para acompanhar as próximas ações, um tanto quanto complicadas de narrar). Cortou as mangas fora, transformando a blusa em uma regata cavada, daquelas que aparece a lateral do sutiã e tudo o mais. Depois, virou a peça de roupa, para trabalhar as costas, e dobrou-a ao meio. Usando o bom e velho truque da simetria, cortou linhas de cima para baixo, diminuindo o tamanho conforme realizava o trabalho, criando um padrão de rasgos decrescente. Desdobrou a blusa e esticou, puxando as laterais para alargar as tiras, tornando-as mais fáceis de trabalhar. Sobrepôs as tiras e começou a entrelaçá-las, criando uma espécie de trança com o tecido. Chegando na última, cortou-a no meio e deu nó, fechando o elo criado e terminando a parte mais complicada do trabalho. Era uma tarefa demorada, que requeria cuidado e atenção para não errar os laços, e Dia ficou orgulhosa com o resultado.

Merda — Disse, entredentes, ao esbarrar o dedo na lâmina da tesoura. Enfiou o polegar na boca e sentiu gosto de sangue. Imediatamente enfaixou-o nos restos de malha, evitando que pingasse em sua obra prima.

Pegou a cartolina e desenhou dezesseis círculos alinhados perfeitamente, usando a tampa do pote de tinta - seis centímetros de diâmetro - como molde. Cortou o interior de cada círculo, criando uma espécie de stencil. Colocou o papelão dentro da regata, para evitar que amassasse e que manchasse as costas, prendendo as extremidades com qualquer peso que encontrasse para manter tudo no lugar. Despejou parte da tinta preta e da branca no prato plástico e misturou-as com o dedo, sem frescuras. Ia limpando tudo nos restos rasgados. Virou a blusa para trabalhar a frente, colou o stencil com a fita adesiva e começou a pintar as fases da lua com o pequeno pincel esponjoso. Seguindo a sequência lógica cima-baixo/esquerda-direita, reproduziu as fases uma por uma, "esponjada" por "esponjada". O produto final agradou a artista.

O tempo de aula deu exatamente para realizar todas as tarefas e deixar a tinta secar. Durante esta última parte, Nadia escreveu sua resposta para a pergunta da professora em uma folha de papel, embolando-se um pouco com as palavras. Entregou tudo para Lorenzzi nos últimos segundos, voltou para pegar a bolsa e o fichário e correu para o corredor, pois sabia que as chances de se atrasar para a próxima aula eram gigantescas. Na saída, sorriu para a ruiva.

'Té mais, Antonella! — Da onde surgiu a intimidade? Simplesmente brotou do chão.

Minha Blusa:
Reposta:

A Arte é para todos?

Respirar é para todos? Do mesmo modo que inspirar e expirar tornou-se automático, ações mecânicas do organismo, ininterruptas e cíclicas, a arte virou algo quase que inconsciente. Os campos artísticos são tão amplos, que o ser humano falha em tentar enumerar suas diferentes formas. De sete - música, dança, pintura, escultura, teatro, literatura e cinema - passaram para onze - fotografia, quadrinhos, videogames e arte digital. O que impede a existência de outros gêneros dos quais nem ouvimos falar? Talvez, um dia, sonhar seja considerado uma arte, e quem impedirá alguém de sonhar?

Seguindo nessa linha de raciocínio, e levando em conta os vários campos artísticos, devemos chegar à conclusão de que sim, a arte é para todos, porém não são todos aqueles que conseguem se expressar da maneira desejada por ela, ou que encontram prazer em fazê-lo. Oportunidade não falta para quem procura.
fuck
Nadia is at the arts class, with a bunch of unknown kids. She's listening to Teenagers and she's wearing this.


Voltar ao Topo Ir em baixo

avatar
Mensagens : 47

Data de inscrição : 05/07/2015

Nordic
Cigarette
Meu corpo estava caído no chão, meu coração acelerado e estava totalmente suado. Senti meus músculos todos se contraindo e a dor que eu sentia no peito era insuportável. Tudo que eu queria, tudo que eu sentia era a necessidade da nicotina no meu corpo. - Socorro... - Tentei pedir alguma ajuda, mas minha voz não saía. Nenhum resquício de barulho era ouvido, exceto minha respiração pesada. Talvez mesmo se eu conseguisse pedir alguma ajuda, não adiantaria de nada, quem teria um cigarro pra um viciado? - Maldição. - Soquei o chão ainda deitado e deixei que a primeira lágrima descesse. Eu pensei que pudesse dar conta do meu vício, mesmo num colégio interno, mas as coisas por aqui ficaram tão intensas que a vontade de fumar só aumentou, triplicando meu uso. O que resultou em um estoque de um mês se esgotasse em duas semanas. De repente senti meu corpo inteiro tremendo, minha garganta se fechou,  me impossibilitando de respirar. Tentei me debater, mas a força que me controlava ali era mais forte que eu, era mais poderosa que eu. Eu...

Meus passos estavam firmes de um lado para o outro andando no pequeno quarto. Respirei fundo sentindo minha garganta arder e meus pulmões implorarem por um pouco de nicotina. Todos os meus cigarros tinham acabado e Klaus, meu irmão que viria me visitar, não dava sinal de vida. Peguei meu celular da cama digitando a trigésima quinta mensagem para ele em menos de três horas desde que acordei jogado no chão. "Klaus, eu PRECISO que tu venha me visitar. Me responde, caralho!" taquei o telefone na cama sem me importar se o mesmo cairia no chão ou não. O barulho do maldito despertador ecoou nos meus ouvidos e tudo que pude fazer foi segurá-lo e tacá-lo na parede. - Filho da puta! - Exclamei. - Eu vou estrangular Klaus quando ele aparecer na minha frente. - Afirmei pra mim mesmo enquanto entrava no chuveiro para tomar um banho.

"Eu sabia que daria algum problema, por isso escondi alguns maços dentro da caixa de sapato que papai te obrigou a levar."


Tinha acabado de sair do banheiro, ainda nu, e corri pra mala que ainda tinha algumas coisas dentro. Joguei tudo que via pela frente, esperando ver a maldita caixa preta na minha frente, mas não estava lá. Girei nos calcanhares indo direto para o armário e fazendo a mesma bagunça ali até ver, ao fundo, a caixa. O que senti ao abrir aquela caixa e dar de cara com uns 7 a 10 maços de Tesoureiro Black foi indescritível. Alcancei meu telefone digitando uma mensagem "Retiro a ameaça de morte, to te devendo uma." enviei, acendendo um cigarro logo depois e soltando uma risada ao sentir o gosto maravilhoso e o prazer que me proporcionava.

Entrei na classe até com um sorriso no rosto. - Bom dia - Disse para mulher que estava a frente da turma. Ruiva e bonita. Muito ruiva e muito bonita. Ela se apresentou, nos explicou um pouco de como funcionaria nossa aula e nos questionou “A arte era para todos?”. A resposta estava na ponta da língua e já me apressava em responder quando ela disse que não era necessário agora. Dei de ombros. Estava extremamente feliz, por mais incrível que pareça. Uma camisa foi nos apresentada e teríamos que mudá-la. Eu não era muito bom com tecidos, mas conseguia me virar. Não tive muitas idéias no inicio mas quando a garganta apertou e olhei para a mulher na frente, tive certeza do que fazer.

Esperei que alguns apressadinhos voltassem a seus acentos e me dirigi ao armário onde podia ver uma grande variedade de materiais. Peguei um pote de tinta preta, três canetas na mesma cor só que com pontas diferenciadas: Fina, média e grossa. Fiz o mesmo com pinceis. Coloquei parte do meu material sob a mesa que tinha ao lado e comecei a caçar algum pincel chato. Vasculhei por todo armário e quando encontrei sorri pra mim mesmo. Sim, com certeza a nicotina mudava MUITO meu humor. Olhei para o lado e vi uma garota morena tentando alcançar um pote que estava no alto do móvel. Chegava a ser meio fofo ela na ponta dos pés e não conseguir chegar nem perto. Atrevi-me a pegar o pote e dar na sua mão. - De nada. - Dei uma leve piscada - não era um flerte, que fique claro -, e voltei pra minha mesa.

Meu trabalho se iniciou comigo esticando a blusa ao máximo e colocando uns pesos em sua extremidade. Eu costumava pintar dando um trago, porém, obviamente, ali não seria possível fazer isso então apenas busquei meu celular no bolso, pluguei os fones de ouvido e liguei no aleatório do Spotify. A primeira música a ser tocada foi Red Head Woman do Bruce Springsteen, o que me fez, mais uma vez, rir divertido. Se Klaus me visse assim, provavelmente colocaria a mão na minha testa para ver se eu estava doente.

Peguei uma caneta para tecido de ponta média e desenhei na camisa o esboço de um rosto, marcando bem o queixo. O próximo passo foi, com a mesma caneta, desenhar o cabelo da mulher e em seguida desenhei parte de sua roupa. Olhei para o desenho e vi uma mulher sem rosto, vestindo uma blusa preta. Lancei alguns olhares para frente enquanto desenhava e acertava o formato do rosto da minha "modelo". Sua boca estava meio entre aberta, seus dentes apareciam, seus olhos pareciam olhar para o lado e parte de seu cabelo estava jogado em seu rosto. Fui em direção a seu pescoço, desenhando um lenço preto ali e logo busquei o pote de tinta preto. Mergulhei um pincel fino, marcando as extremidades do desenho e fazendo alguns sombreados.

Estava na quinta ou sétima musica quando faltava apenas um detalhe para minha camiseta ficar pronta. Busquei a caneta com a ponta mais fina e desenhei, na boca entre aberta da modelo, um cigarro. Marquei seu sombreado e ao final sorri satisfeito. Eu queria ter colocado o cabelo ruivo, mas daquele jeito era mais sofisticado. Olhei no relógio e vi que faltavam alguns minutos para a aula terminar, o que era ótimo tendo em vista que a tinta precisava secar e eu ainda precisava escrever a resposta para a primeira pergunta.

#tags | XX words | notes ©



Resposta:
Tudo que a gente vê, ouve e pensa pode se tornar arte. Algumas pessoas a limitam com pinturas, esculturas e desenhos. Com sorte encaixam música, teatro e cinema junto a esse grupo. Parece absurdo para nós, que amamos arte, ouvir ou ler coisas nesse gênero, mas sabemos que é uma coisa muito comum. A arte não pode ser limitada. Ela esta presente 24hrs por dia em nossas vidas. Seja quando passamos em frente a uma loja ou em frente a algum monumento histórico da cidade. No caso da loja, tomamos como primeiro exemplo a vitrine. Alguém preparou aquilo com muito cuidado, harmonizando cada peça e pensando no que chamaria atenção do cliente. Isso é arte. E arte também é a loja por inteiro, desde sua arquitetura até seus produtos. Um sonho pode se tornar arte. Uma pedra se torna arte. Quando você esta no seu mundo imaginando mil coisas, você esta fazendo arte. Embora existam muitos tipos de arte que são caras, tanto para praticar tanto para apreciar, existe arte gratuita pelas nossas ruas. Basta manter os olhos atentos. A arte não pode ser definida, pois cada um a tem dentro de si, cada pessoa tem seu tipo de arte, seu modo de fazer arte. Arte é apenas arte. E arte é de todos, com todos e para todos.

Camisa:

Voltar ao Topo Ir em baixo

avatar
Mensagens : 98

Data de inscrição : 21/07/2015

Nordic
Empty Brush

Arte, um termo muito vago para designar tanta coisa, de alguma forma ele se sentia atraído, mas não só mais uma mera atração, mas um envolvimento. Quando pequeno nunca pensou no sentido mais amplo da palavra, mas atribuía ao conceito de arte o que via nos muros pichados e grafitados, enfim se interessou pela palavra e ao ter a oportunidade de estuda-la na sua escola anterior poderia dizer que aquilo era uma verdadeira bagunça, um céu estrelado não tão conturbado quanto A Noite Estrelada de Van Gogh, artista que por sinal inspirou o nome de seu cachorro, um senhor pastor belga chamado Van Dog. Com menos rodeios e mais ações ele não sabia o que esperar dessa primeira aula, podia imaginar tantas coisas mas a única certeza que tinha é de que chegaria atrasado. Ele correu, correria de qualquer jeito, mas correu muito, o pior de tudo é que apesar do esforço não fazia a puta ideia de qual era a sala, o que certamente não contariam pontos para a sua performance, mas a coisa consegue ficar pior porque o mau humor crônico, mesmo nessa hora de pequeno desespero o fazia correr com muita vontade, mas esbanjar uma expressão agressiva no rosto que, quem o visse vindo em sua direção talvez começasse a rezar. Era só mais uma parte das caras e bocas que Luke fazia.

Enfim chegou, felizmente não tão acabado quanto a descrição de sua saga A Procura pela Sala sugere. Tratou de catar algum lugar no interior da sala, algum canto na parte detrás das fileiras. Sentado a primeira coisa que pensou foi “vermelho”; bastante vermelho diga-se de passagem em clara referência à cabeleira da professora que se apresentava à frente. Passado o impacto pela vermelhidão que ele nunca tinha visto em cabelos humanos ou pelagem de qualquer outra espécie se não num pica pau ele tentou manter o foco, afinal era necessário. Falar sobre arte sempre era conturbado, opiniões que se divergem mais que a distribuição de bombas num campo minado, a posição de Luke seria tida como classicista ou então académico, na verdade não se importava de ser rotulado como acadêmico afinal realmente concordava com as questões geométricas e matemáticas na arte, mas sua mente simplória apresentava uma dualidade incrível, pois além de preferir tudo o que é palpável e interpretado sem liberdade de viagens loucas pela subjetividade da mente e do artista, também sentia um forte apreço pelo grafite, afinal foi a primeira manifestação de arte a qual foi apresentado.

Então, a sra. Lorenzzi surgiu com a atividade da primeira aula, tecido. Ele esperava algo diferente, talvez primeiro a historicidade, querendo ou não a história da arte se mistura com a história da humanidade, afinal ela é manifestação cultural sujeita à mudanças dependendo de qual cenário está inserida. Se seria melhor começar a estudar a arte à partir da História da Arte desde seu início nas cavernas de Lascaux no sudoeste da França até chegar na Arte Contemporânea, não poderia dizer, afinal cabia à professora escolher o melhor método, mesmo que ele fosse teimoso o suficiente para preferir ver a história, técnicas e suportes antes, mas não questionou. Pegou a camiseta branca que lhe era oferecida, estendeu-a sobre a mesa de madeira e por minutos ficou encarando o tecido como se tentasse conversar com ele e descobrir porque diabos sabia que não seria qualquer tinta que iria pegar ali. Optou pelo grafite, falem o que quiserem, o desenho era parte importante do estudo da arte, o pensamento em toda a estrutura prévia iria ajuda-lo a ver qual técnica seria melhor para aplicar sobre a camisa, mas que já fique de aviso, não esperem dele algo abstrato sem pelo menos um pingo de direção.

Numa folha ofício que tratou de caçar, esboçou o desenho da cabeça de um cachorro de corpo em ¾, mas a cabeça estando virada para quem observa. No papel parecia lindo, bom o suficiente para enquadrar e por no seu quarto na parede ao lado do quadro com o escudo do Arsenal, um time de futebol inglês oriundo de Londres. Era hora de passar pelo tecido, cruzou os braços e às vezes até era possível vê-lo mordendo à língua num dos cantos da boca. Preparou o fundo fazendo uso de tons escuros, preto, cinza, azul marinho e roxo forte, a mistura da composição ficou satisfatória, mas quem vê poderia perceber um rombo na tintura que tomou as cores do tecido, a parte branca, meio mal calculada, mas a que ele escolheu deixar daquela forma porque certamente na sobreposição de tanta tinta e com pouco tempo para fazer iria sair algo cagado.

Nanquim, água, tinta acrílica e spray, materiais escolhidos foi a hora de colocar o desenho bem ao lado do suporte e começar a tarefa mais difícil. Fez as linhas, e nem vamos entrar na importância destas para a arte, e a partir do estudo prévio foi aplicando o contorno que limitaria seu espaço. Com aquilo pronto foi a hora de deixar seu lado colorido, e não entendam mal esse colorido, preencher os vazios na camisa. Num olhar geral parecia meio meia boca, o cachorro estava vesgo e com uma cara de babaca doente imensurável, mas aquilo ia ficar daquele jeito mesmo porque no processos ele já se estressou e chegou a quebrar um pincel, porque obviamente tinha um traço e uma pincelada grossa e agressiva. A camisa terminou desse jeito e ponto final.

Melhor dizendo, ponto continuativo, tinha algo a ser escrito e entregue. A questão que até hoje faz artistas, curadores e intelectuais se matarem e causarem confusão mais engraçada que as brigas do senado.

A Crítica à Arte:
“A arte é para todos? É uma pergunta difícil de se explicar, mas primeiro deve-se delimitar o conceito de arte, trabalharei aqui sendo esta como manifestação estética, comunicativa e cultural do ser humano. A visão de arte que temos  hoje é diferente da dos antigos, antes a arte era parte intrínseca da cultura, muito ligada à religião, mas ainda mais com o modo de vida de determinada cultura. A arte procurava traduzir as características de seu povo, seja a arte fortemente religiosa dos egípcios, a incrivelmente bem trabalhada das esculturas gregas ou mesmo a arte representativa nacional de Flanders. Acredito que a evolução e as convenções sobre a arte acabaram por coloca-la num patamar, um pedestal. A arte não é para todos, pelo menos não a arte valorizada e admirada. O museu ou a galeria tornou-se um lugar onde o pobre não entra e se vai é muito raramente pois alimenta a ideia de que aquele lugar não é para ele e sim para quem é rico e tem conhecimento. Não esqueço da aula que tive a dois anos atrás cujo professor disse: “Quem vocês acham que vai entrar num museu de arte moderna? É o operário que mora no subúrbio e levanta cedo ou o sujeito pomposo e bem arrumado com conta bancária cheia de zeros?”; a resposta ficou subentendida. A arte não alcança toda a população apesar de ser para todos, museus localizam-se em lugares de pompa, não na periferia, seu acesso é difícil para o pobre. A pessoa que trabalha 8 ou 12 horas por dia não vai conseguir entrar MoMA de Nova Iorque e interpretar ou se sentir conectado com a obra exposta pois ele não a reconhece, ela é um alienígena, diferente da arte barroca que propaga a conversão e a admiração do fiel ou do expectador. A arte se tornou um viés, distante de certas camadas, até você passar na rua e ler pixado numa parede ontem fui crime, hoje serei poesia

Terminou sua redação e a entregou. Deixou o final em aberto sobre o grafite. Não fez grandes caras e bocas para professora ao sair, na verdade parecia satisfeito com o seu trabalho.

Art Class

 
 
 
clumsy @ sa!


Voltar ao Topo Ir em baixo

avatar
Mensagens : 7

Data de inscrição : 26/06/2015

Orientador Pedagógico
"colagem"
São só marcas que irão passar. Cicatrizes que irão ajudar a crescer. Será que um tempo longe irá ajudar? A vencer seus medos, teus segredos?Mostrar quem realmente é? Decida agora o que irá ser dessa vez! Vou embora pra tentar compreender.O tempo passa e quem será que vai lembrar, esquecer o que perdeu? --------------------------------------------------------------♦
Meus dedos envolviam o pincel com precisão, enquanto levava a tinta verde à tela. A mistura maluca de cores que eu havia feito estava perfeita, mas faltava aquele toque especial, um toque que a pintura nunca iria ter.

Levanto-me, deixando o avental de lado e colocando o pincel num copo d’água, para que a tinta se desprendesse do pincel e se diluísse na água. Hoje, eu daria minha primeira aula na Weston Academy. Se estou nervoso? Um pouco. Se quero muito me enfiar em um buraco e nunca mais sair? Mais ainda. Mas eu fora contratado, a Diretora Grey confiara em mim para cuidar dos alunos, desde que a antiga professora abandonara logo depois da primeira aula.

Solto uma risadinha entrecortada ao olhar para a sala de aula, faltava meia hora para o tocar da sineta, então, comecei a trabalhar. Busquei, nos fundos da sala, jornais, revistas, tesouras, colas e cartolinas maiores que as comuns, com seu papel mais rígido, exclusivo para artes. Deixo tudo em cima de minha mesa. Logo, viro-me para o quadro e começo a escrever, em minha letra cursiva que quase parecia um garrancho, embora bem entendível.

Professor August O’Leehan, de Artes Plásticas

O que você entende sobre a arte das colagens?

Isso era tudo de teórico que eu passaria para a aula, e como essa seria a primeira vez que eu leciono na Weston, decidi que daria um pouco de diversão a eles (embora eu suspeitasse de que a primeira aula teria sido muito mais legal).

O sinal toca e os alunos vão entrando, com um sorriso no rosto, noto certa confusão em seus rostos, provavelmente estariam esperando a professora Antonella.

— Bom dia, turma. Vocês devem estar se perguntando quem sou eu – Aponto para o quatro atrás de mim. — Como podem ler, sou August O’Leehan, novo professor de Artes Plásticas, não sei bem porquê, mas a professora anterior teve que sair, tipo, definitivamente. – Dou de ombros, não cabia a mim opinar, Dou alguns passos até a frente da mesa, e me apoio nela, gesticulando enquanto falo:

— Bom, antes de mais nada queria que cada um de vocês se levantasse, dissesse seu nome, sua ordem e uma curiosidade sobre você, pode ser qualquer coisa que inclua você, família, personalidade, a sua escolha. – Enquanto cada um se levanta e fala seus nomes, eu os anoto, caso precise no futuro, ao acabar, tenho uma série de curiosidades impressionantes sobre os alunos, se queria estabelecer uma relação amigável com essa trupe de adolescentes, talvez eu devesse fazer o mesmo. — Além de ser seu professor, quero ser amigo de vocês, então também me apresentarei do modo que pedi. Sou August O’Leehan, professor de artes plásticas, ou seja, sem ordem, e sou um ativista pró movimento LGBT e feminista. – Meio que repito a apresentação anterior, devo ter parecido patético. Olho no relógio, se passaram preciosos minutos de aula.

— Hoje, turma, trabalharemos com colagens. Copiem a pergunta do quadro no caderno e depois da tarefa prática, quero que me entreguem sua resposta em uma folha destacada com nome, ordem e data. – Espero eles copiarem, então recomeço. — A colagem começou a ser utilizada mais ou menos em 200 AEC no Japão, logo depois, no século XIII ela começou a ser praticada na Europa medieval, nos séculos XV e XVI, a colagem foi muito utilizada na arte gótica, vindo até hoje, para a arte moderna e outros. Hoje, trabalharemos muito livres, digo, vocês são livres para criarem o que quiserem, mas, eu quero que vocês façam colagens que reflitam o que estão sentindo no dia de hoje. Conseguem fazer isso? É claro que sim, não? – Solto uma risadinha entrecortada, e continuo: — Podem vir aqui buscar o que precisarem, se algo que quiserem usar não esteja aqui na mesa, podem ir aos armários buscar, todo material aqui é para o seu uso.

Então os alunos começam a trabalhar, e no fim da aula, vejo belas obras, e uma pilha de papéis em cima da minha mesa contendo as respostas da pergunta. Vejo os alunos indo embora e uma enorme bagunça para arrumar. Dou de ombros. Arrumaria depois.

Informações básicas:

- Prazo até o dia 19/08, não aceitarei posts depois do prazo!
- Respostas da pergunta devem estar em spoiler no final do post.
música do subtítulo: faroeste - fauno
att @ sa!

Voltar ao Topo Ir em baixo

Mensagem por Thomas B. Eckhart em Qua Ago 05, 2015 7:50 pm

avatar
Mensagens : 83

Data de inscrição : 26/07/2015











1430 WORDS
#I♥Art


Meu celular despertou pontualmente às sete da manhã, mas a sensação que eu sentia era a de que ainda era madrugada. Aquilo só não se confirmou quando olhei para a janela do quarto e vi que os primeiros raios de sol do dia já começavam a iluminar o cômodo. Respirei fundo e esfreguei os olhos, sem nem me lembrar o porquê de eu estar acordando àquela hora.

Levantei de minha cama e calcei meus chinelos. Fui até o banheiro e olhei-me no espelho. Eu realmente estava acabado, como se tivesse bebido por sete dias seguidos e depois desmaiado no meio da rua. Bocejei e tirei os shorts e o calçado, me rastejando até o chuveiro. Deixei que a água apenas caísse sobre meu pescoço e meu rosto por alguns minutos, me despertando de verdade.

Como eu não podia gastar mais água, me ensaboei e lavei meu cabelo rapidamente, assim como me enxaguei. Sequei-me e vesti uma roupa decente. A manhã estava um pouquinho fria, portanto, escolhi que eu trajaria uma camiseta fina, de mangas longas, cinza e um pouco grudado ao meu tronco, marcando os músculos. Coloquei também uma calça jeans preta e tênis Nike brancos. Não era exatamente meu melhor visual, mas eu não ligava para aquilo. Olhei o cronograma de aulas que fixei à minha escrivaninha, para ver qual seria minha primeira aula. Não pude deixar de sorrir ao ver que eram Artes Plásticas. Aquilo retirou de mim qualquer vestígio de cansaço ou desânimo.

Depois de tomar o meu café-da-manhã, sozinho, caminhei até a sala de artes. Cheguei lá dez minutos antes da aula começar e fui recepcionado por um cara bonitinho que devia ter uns trinta e poucos anos. Ele estava pegando alguns jornais e revistas no fundo da sala e os levando para sua mesa. Ofereci ajuda, mas ele agradeceu e recusou. Sentei-me em um dos banquinhos que haviam ali perto e fiquei esperando que ele terminasse de escrever algo na lousa com uma caligrafia no mínimo peculiar.

"O que você entende sobre a arte das colagens?"

Sinceramente, eu até havia pesquisado um pouco sobre o assunto, mas pra mim, seria eternamente uma brincadeira de crianças. Eu realmente não acreditava que com tantos temas interessantes para se tratar na aula, iríamos nos divertir fazendo meleca com revistas e cola. Mas logo me repreendi por pensar dessa forma, afinal; não é porque eu faço pinturas a óleo, que todos os outros alunos também fazer. Muitos deles poderiam não saber nem desenhar direito. Não demorou muito para que os outros começassem a chegar e o professor começasse a falar.

Ele apresentou-se como August Dale e um outro nome. Ele era o novo professor de artes, mas isso não importou muito para mim, pois eu havia perdido muitas aulas, por ter pego uma pneumonia logo que entrei na Weston. Aquela seria a minha primeira vez na sala de artes, desde meu teste de admissão para a equipe artística do colégio. Depois de sua breve apresentação, ele pediu que nós fizéssemos o mesmo, falando também uma curiosidade a nosso respeito. Todos pareceram bem tímidos, mas timidez não era algo que estivesse em meu vocabulário, embora eu fosse bastante solitário. Fui o primeiro a me apresentar.

-Meu nome é Thomas Eckhart, sou da ordem Egyptian, tenho 15 anos e... - Comecei a pensar em algo que fosse curioso. Eu podia dizer que era gay, que eu não tinha família, que eu namorava um Greek, mas... falei algo nada a ver. - Sou fã de Taylor Swift e tenho uma medalha de ouro por vencer um campeonato de tênis.

Ok, aquilo havia sido muito idiota, mas ninguém poderia dizer que não era curioso. Depois de mim, todos os outros alunos também se apresentaram e, bem como o professor, analisei detalhadamente cada um dos alunos, sempre formando um julgamento mental ao fim. Finalmente, o professor se apresentou de novo. Ele foi do topo ao abismo em minha concepção em um minuto. Foi ao topo ao dizer que era um ativista LGBT, o que era ótimo (e ninguém melhor que um homossexual para dizer isto), mas ele caiu feio em meus conceitos ao dizer ser feminista. Por favor... homens feministas são uma das pragas da humanidade. Até a luta das mulheres, os homens querem roubar e ainda ousam dizer que também são oprimidos.

Finalmente, ele anunciou o assunto da aula. Eu, sinceramente, fiquei com vontade de ir embora, mas decidi ficar quando percebi que eu não teria nada melhor para fazer, já que Avalon deveria estar dormindo numa hora daquelas, assim como Riley e qualquer outro de meus amigos. Minha primeira tarefa era responder a pergunta da lousa. Pensei em fazer um manifesto me recusando a colar papel numa folha, mas decidi que não me rebelaria naquela aula... por enquanto. Apenas escrevi o que eu me lembrava de minhas pesquisas nos anos anteriores, durante as aulas de artes que tive em Londres.

Entreguei o papel para o professor, assim como os outros, e depois recebemos a missão do dia. Ele explicou um pouco sobre a arte da colagem e disse que seríamos livres para fazermos o que quiséssemos com os materiais em cima da mesa dele, desde que expressasse nossos sentimentos naquele momento. Olha, eu realmente não queria ofender ninguém no meu primeiro dia, então decidi que procuraria emoções melhores do que as que eu tinha naquela hora.

Ouvi o barulho da digestão do meu desjejum em meu estômago e tive uma ideia brilhante para expressar um pouco sobre quem eu era. Peguei uma das cartolinas disponíveis e nela desenhei um coração, bem simples, com um lápis. Fui até a mesa do professor e comecei a disputar pelas revistas. Consegui pegar uma Men's Health aleatória datada de 2011. O modelo da capa era bem gostoso, mas não ia pegar bem eu colocá-lo dentro do coração. Separei a revista e peguei mais umas três, todas voltadas à saúde e nutrição.

A primeira que abri foi a Men's Health, aproveitando para dar uma olhada nas reportagens e ficar de olho nas tendências para quatro anos atrás. Finalmente, cheguei à sessão de alimentação, que falava sobre a importância das proteínas (eu realmente acho que essa revista faz a mesma reportagem desde sua criação, mas muda as palavras). Recortei alguns pedaços de bife, depois a foto de um frango inteiro assado, ao lado de uma salada de batatas. Dei sorte de encontrar mais algumas matérias sobre nutrição e, aos poucos, meu coração já começava a se encher de comida.

Tomei posse de outra revista, dessa vez, uma quinzenal desconhecida que se chamava "Nutrition and Love". Tive uma ideia e cortei o "Love" da capa, agora transformando a revista em apenas "Nutrition and". Aquela revista era cheia de fotos de comida, algumas pegavam a página inteira. Quando terminei de recortá-la, mais da metade do coração já estava preenchida. Havia fotos de sucos coloridos, saladas, carnes e sanduíches. Uma delas, particularmente, me chamou a atenção, que foi a de um prato de macarrão espaguete, com molho de tomate e queijo ralado em cima.

A outra revista, também de mesmo título, apresentava uma manchete na capa que era bem óbvia, mas foi útil ao menos naquele momento: "Fatty food is dangerous for heart health." Aproveitei aquilo, dessa vez tirando as palavras "Food is". Agora a manchete se tornara "Gorduroso perigoso para a saúde cardíaca." Ficou engraçado.

Por causa da manchete, encontrei fotos de chocolates, doces e frituras, mas também de frutas e pães. Consegui preencher todo o coração com fotos de comida, mas ainda faltava o toque final. Peguei as palavras recortadas e as colei em cima da minha arte, formando agora a frase: Food is Love. Aquilo havia ficado maravilhoso e expressava um sentimento constante em minha vida... a fome. Assinei minha obra-prima, com caneta-piloto, e a deixei na mesa do professor. Ele a olhou e deu risada.

-Eu sou uma pessoa muito esfomeada. - Falei, sorrindo. - Comida é amor. - Eu repeti a frase da colagem, agora formando um coraçãozinho com as mãos e as colocando sobre meu peito.

Saí da sala e fui correndo para o refeitório. Tanto trabalho havia me dado uma vontade absurda de assaltar o refeitório...

Resposta:
A colagem, até hoje, é vista por muitos olhos como uma brincadeira infantil. Poucos sabem que ela, na verdade, tornou-se uma verdadeira arte, principalmente durante o século XX, com a ascenção da arte moderna. Ela na verdade, existe desde muitos e muitos anos atrás, mas ela tomou grandes proporções nos dias atuais, como uma forma de manifestação artística e de protestar, podendo ser vista em muros abandonados nas grandes cidades e outros lugares.




Voltar ao Topo Ir em baixo

avatar
Mensagens : 98

Data de inscrição : 21/07/2015

Nordic
À lá Braque

O despertar violento originou uma senhora mancha roxa no queixo, estava dormindo muito bem, até o celular despertar e por algum motivo que ele desconhece o toque habitual tornar-se uma sirene de incênedio. Não tinha o que fazer, Luke acordou com um salto, parou bem na ponta da cama e sem conseguir se equilibrar caiu batento o queixo em cheio contra a fina camada de carpete por cima do chão duro. Se sentiu uma bola de basquete quicando infinitamente, mas pelo lado bom, o susto o ajudou a despertar por completo mandando embora qualquer preguiça ou vontade de se esconder por debaixo dos lençóis por mais alguns minutos. O jeito foi terminar o despertar foi uma ducha fria para ver se amenizava a dor, esteticamente a mancha rocha estava escondida, mesmo com a pouca barba e o tom claro da mesma. Um problema a menos para Luke se preocupar. Saiu com de jeans, tenis branco e casaco fechado de sua respectiva ordem, a próxima parada era a aula de artes e só esperava que não fosse nada muito abstrato ou contemporâneo.

Na chegada mais uma surpresa, um tanto quanto incrédulo o jovem de estatura de média pra baixo olhou para todos os lados como se procurasse algo e não encontrou. Não sabia como os demais alunos iriam reagir, mas a troca de professores logo no início era algo digno de estranhamento. Deu de ombros, escolhas do gênero cabiam à administração, não a ele. Entrou na sala com calma e tratou de encontrar um lugar no fundo do cômodo onde se sentaria com certo desleixo, mas nada desrespeitoso, pelo menos não intencionalmente. Como era de se esperar chegou a hora dele se apresentar, quase que formalmente, a única questão era o que dizer. Não tinha uma história bonita de encher os olhos, era reservado em relação a seu passado, não que tivesse vergonha deste, mas não sabia como lidar com aquilo. - Me chamo Luke Shaw, tenho 15 anos... - lá vinha a curiosidade entalada na garganta, até finalmente se tocar que havia uma coisa que ele realmente amava fazer. - ...e sou um aficionado em esportes de todos os gêneros, principamente futebol. - não entrou no mérito de discutir o que achava sobre movimento LGBT e feminista, convenhamos que ninguém com 15 anos tem ideia total lucidez e domínio para falar sobre o assunto.

Sentou-se e suspirou aliviado e só então leu o que estava à frente. "Colagem..."; em seguida vieram as respostas ao estímulo: "Picasso, Braque, cubismo."; tudo veio meio solto e bagunçado, mas não se podia dizer que não havia conecção entre os termos chaves. Deu foco à tarefa, o que diabos ia fazer com colagem?! A primeira ideia foi ter uma base, fazer o desenho ou qualquer outra coisa e depois recortar para realocar aleatoricamente com um toque de Picasso, ignoremos a prepotência, mas então deu o braço à torcer para a arte contemporânea, ia fazer uma releitura e talvez até uma crítica. Tinha diferentes materiais à disposição, só precisava de algo que conseguisse pender aquilo devidamente, até porque colar metal é complicado. Arrumou um pedaço de TNT no estoque da sala e cortou em forma triangular para improvisar uma bandana para amarrar à cabeça. Para o que chamaria de "esqueleto" fez papel marchê, tiras de madeira razoavelmente finas, isopor e gesso. Com o esqueleto de uma figura humanóide aparentemente sentada sobre um objeto de boca circular. Fez um rombo na parte média da escultura, cortou 3 latas de ferro alocando-as dentro do rombo e usando um isqueiro para tentar malear as pontas e bordas para se fixarem, lógico isso tudo ele fazendo com medo de tacar fogo naquilo.

Primeira etapa feita. Olhou para o relógio e respirou fundo, uma gota de suór escorreu pela lateral do rosto e ele ignorou sacudindo a cabeça quase como um cachorro. Era como um boxeador que voltava para o ringue depois de um primeiro round difícil. Correu na lixeira e pegou papéis amaçados, picotados e variantes. Amolecendo-os com água e usando cola para fixar colocou em volta de duas estruturas que se curvavam, delienou tudo bem com uma espátula de osso e um prego quase dando aparência de músculos à eles. Com a poeira, encontrada na lixeira, misturou tudo numa panela com cola de coelho em fogo baixo até ficar com consistência gelationosa e assim jogou sob a cabeça da escultura já modelando-a afim de parecer fios de cabelos. Conseguiu um resultado aceitável. Com jornal cobriu o resto do corpo, um pedaço de toco de madeira e um ralador serviram para improvisar pó de madeira o qual usou com gelatina e papel japonês para fixar na estrutura onde a escultura estava sentada. A última manchete de jornal algo como "Poluição na lagoa xxx chega a níveis alarmantes."; ele recortou com precisão e com duas tachinhas fixou bem na frente do rosto de sua escultura.

Respirou aliviado. - Ufa... - inspirou o ar e contemplou o que tinha feito. - Não ficou ruim. - concordou observando a releitura crítica da famosa escultura O Pensador de Auguste Rodin, que com as colagens de objetos e lixo, ele deu um ar crítico à obra, quase como se tentasse colocar a figura humana em conflito mental com toda a sujeira que polui o mundo. Não sabia de onde tirou a ideia e nem como conseguiu fazer aquilo, mas estava satisfeito, o conceito que a arte contemporânea introduziu na colagem era que tudo era suporte, não tinha mais necessidade do clássico, só a arte pela arte, lógico que agora, ele colocava um conceito quase geo-político na sua "obra".

Pegou uma folha de papel pautada, escreveu seu nome e ordem no canto superior esquerdo e no centro a pergunta dada em aula:
O que você entende sobre colagem?:

A colagem é um procedimento artístico que utiliza diferentes materiais para sua composição formando uma nova imagem com nova perspectiva. Apesar de originária do oriente, na outra parte do mapa ela foi bastante negada e vista com olhar preconceituoso. Seu valor artístico não era reconhecida e dada como desprovida de qualquer valor crítico, uma coisa de criança. Só com o Cubismo durante as vanguardas do século XX, em principal o trabalho de Picasso e Braque, que a utilização de diversos materiais sobre um suporte, como madeira, pedaços de jornal e objetos, faz da colagem uma técnica que põe em questão os limites entre pintura e escultura.

Na arte moderna ela confere olhares diferentes sobre a mesma obra, como um prisma, figurando faces abstratas da mesma obra. Com a alta produção artística do gênero garantiu-se assim uma pluralidade artística rica e profunda.

Art Class #2

 
 
 
clumsy @ sa!


Voltar ao Topo Ir em baixo

Conteúdo patrocinado

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum
.
PARCEIROS & AFILIADOS

WICKED ACADEMY
Como se fosse um livro, Wicked Academy terá cada capitulo com tramas inspiradas em diversas séries. E atualmente no nosso Capitulo Dois temos como inspiração a famosa série do Netflix, Stranger Things. Como faremos a ligação entre esses capítulos? Descubra entrando no nosso RPG.

Tema por Mariana e Patrick.