Stranger Things Version
Wicked Academy

Sala de Música


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Mensagem por The Vanity em Sex Jun 05, 2015 6:26 pm

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Sala de Música
A sala de música é consideravelmente menor que as outras da academia, pois foi desenhada para possuir o melhor isolamento acústico possível. É simples, sem decorações, porém equipada com instrumentos de todos os gêneros. Apesar de ser altamente recomendável que cada aluno tenha seu instrumento pessoal, a sala está preparada para amparar qualquer adolescente esquecido. As cadeiras estão dispostas em meia lua, seguindo a organização de uma orquestra profissional, com fileiras mais elevadas que as outras e um espaço reservado no centro para o maestro - nesse caso, o professor encarregado. Não se deixe enganar com a aparência séria, o que esses prodígios musicais mais tocam são músicas deste século.



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Aula 1: your song
A música nasceu como uma forma de exaltação à divindades, os sons eram produzidos pelo corpo numa dança ritmada que compassava batidas de mãos e pés criando o que serviu de base pra todo o conceito musical que se tem hoje, essa ideia saltava em minha mente enquanto a caneta batia contra o tampo da mesa durante um devaneio enquanto eu esperava até que os alunos chegassem na sala, aquela sensação era sempre a mesma, já havia subido em palcos ou estado diante de uma turma de adolescentes, como esta que chegaria, centenas de vezes, mas sempre gostava de estar no ambiente antes, andar pelo palco, sentir a energia, era como se eu me tornasse intimo do lugar e isso fazia tudo fluir melhor.
Não tardou muito pros alunos chegarem, em alguns minutos a sala estava cheia, alguns traziam seus instrumentos musicais, outros chegavam perguntando se podiam pegar aqueles que ficavam na sala, o que era bastante coisa, a sala tinha a estrutura de uma orquestra sinfônica, com instrumentos de percussão ao fundo, sopro ao centro e cordas indo do mais agudo ao mais grave na frente de tudo, além dos clássicos ainda haviam guitarras, baixos, teclados, todo o arsenal de uma banda contemporânea, seu posicionamento não dava a entender que ficavam fixos num lugar ou em outro. Deixei que todos chegassem e começassem a brincar com seus respectivos instrumentos, ou não, ninguém era obrigado a saber a tocar nada, caminhei por entre alguns tambores que estavam no chão me aproximando das cadeiras ocupadas pelos alunos e sorri – Sejam bem vindos a aula de música, parece que já estão bem a vontade! – disse notando que alguns já deixavam algumas belas notas soarem pela sala – Meu nome é Ernest, estou aqui para guiá-los por esse universo maravilhoso que é a música, só pra dar uma breve introdução, ela nasceu como uma forma de exaltação à divindades, os sons eram produzidos pelo corpo numa dança ritmada que compassava batidas de mãos e pés criando o que serviu de base pra todo o conceito musical que se tem hoje, porém infelizmente isso se trata de um período muito antigo, antes mesmo da invenção de qualquer forma de escrita que se tenha conhecimento hoje, então é claro que também não havia um sistema métrico de notas pra registrar essa sinfonia corporal, isso só foi surgir alguns milênios depois, com os mesopotâmios, que também ainda não era o nosso dó ré mi fá, mas já era música por escrito, e por ser escrito ainda hoje podemos reproduzi-la, e é isso que vou tocar pra vocês agora - Sorri pra eles caminhando até um teclado que havia ali perto e folheei algumas páginas da pasta de partituras que se encontrava sobre ele até chegar numa página simples e fácil, tirei os óculos do bolso interno do paletó e encarei os garotos começando a dedilhar as notas.(música ao fim do post)
A reação dos garotos era impagável, demonstrava certo desapontamento, mas já esperava por isso, mas afastei do teclado tirando os óculos - Claro que pra uma geração que tem David Guetta remixando músicas da Nicki Minaj, a primeira sinfonia do mundo pode parecer um pouco antiquada, mas levem em consideração que eles desenvolveram o próprio sistema de notas e inventaram os próprios instrumentos de ossos, madeira e pedras preciosas... Sim, os mesopotâmios gostavam de ostentar aos deuses apesar de tudo, o que quero dizer é que pra um começo, isso é genial. Porém estamos aqui fazendo o nosso começo! – nessa última frase ficou claro que minha voz ganhou mais vida, finalmente eu tinha chego ao ponto que queria desde o começo da aula. – Não conheço nenhum de vocês ainda, mas preciso conhecer pra isso dar certo e é isso que vamos fazer agora, não sei se vocês todos sabem tocar alguma coisa ou não, Sabem? – Um segundo de silêncio se fez na sala, claro que eles também não sabiam se todos sabiam – Não se sintam intimidados, quero apenas que me mostrem o que sabem fazer e como sabem fazer, se expressem através de sons, cantem, toquem, batuquem, assoviem, me façam ver o mundo através das notas, vocês tem total de liberdade agora, mostrem o que quiserem, queria poder dizer que isso vai ser livre e sem pressão, mas na verdade vai valer ponto pras ordens, então me impressionem! – terminei indicando uma parte mais elevada do salão, a qual usaríamos de palco.

#tags | XX words | notes ©


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Mensagem por Andrew H. Sibley em Ter Jul 07, 2015 10:02 am

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Music is soul of all
nice class !
Música sempre foi algo essencial. Desde que eu possa lembrar-me, sempre fui apaixonado por músicas de todos os tipos, principalmente aquelas que possam me dar a chance de expressar-me. Sempre haveriam músicas que lhe fariam se sentir mais animado assim que você as ouvisse, haveriam também canções tristes que expressariam todos os seus desapontamentos em momentos inoportunos. Era por isso que uma de minhas aulas escolhidas foi justamente a música. Poder estudar, me expressar e poder ter a chance de tocar o máximo de instrumentos possíveis me fez ter uma grande expectativa para a minha primeira aula. Estava vestido com roupas formais e não muito chamativas, como de praxe, entretanto ainda sim considerei algo formal demais, mas ao olhar no relógio vi que eu poderia chegar atrasado demais para a aula, o que me fez praguejar baixinho enquanto terminava de pôr o sapato perfeitamente lustrado e saía em direção à aula de música.

Alguns alunos ainda entravam na sala bastante equipada, o que me fez sentir-me menos culpado por não ter chegado na hora certa, e adentrando na sala realmente pude notar a grande quantidade vasta de instrumentos espalhados por todo o local. As cadeiras dispostas em formato de meia-lua, bastante organizado e bem limpo, assumi logo um assento e observei o professor que deveria ter no máximo seus quarenta e cinco ou cinquenta anos começar a falar. "Bem na hora", pensei comigo mesmo, cruzando a perna e me atentando à tudo que ele dizia. Ele começa nos saudando agradavelmente, parecendo bastante entusiasmado com sua primeira aula, e algo nele parecia transmitir-me certa confiança e profissionalismo. Enquanto ele explicava sobre a origem da música, pensava nas antigas histórias sobre como a música até mesmo era utilizada como forma de sedução e hipnose, sobre como ela era utilizada pelos gregos em seus cultos, com direito a vinho e bastante comida em seus templos, ou os egípcios e sua devoção fiel aos seus deuses, tocando seus instrumentos antigos, que agora me fugiam da memória. Exibi um pequeno sorriso. História era sempre bom.

Era realmente uma pena, ressaltava Ernest, não haver nenhum tipo de pergaminho, escrituras ou até mesmo desenhos nas rochas de partituras, mas se pensarmos bem; naquela época nada disso existia, a não ser seus instrumentos improvisados. Ergui ambas as sobrancelhas numa expressão abobada de surpresa quando ele revela que tocaria algo antigo para nós e, em seguida, minha expressão se formou algo meio que desconfiado, afinal a canção não era exatamente bela, mas ainda sim me parecia algo envolvente, provavelmente em algum instrumento deveria ser belo e mais condizente. Uni as sobrancelhas, uma pequena ruga formada na testa, ainda tentando ver algo interessante e belo na canção, mas realmente não me era bonito em nada a canção, mas, como eu já havia notado, em algum outro instrumento deveria ser interessante. Um violino, violão, piano, talvez? Tentei me lembrar das antigas aulas de piano e movi automaticamente os dedos sobre a coxa da perna esquerda, como que puxando da memória as aulas.

O sorriso sobre seu comentário de estarmos acostumados com remixes e músicas com letras sem sentido como as de Nicki Minaj, pois eu também concordava com ele, apenas não comentaria por timidez e também por hoje em dia muitas pessoas chamarem as músicas dela de "músicas de qualidade". Pensei, ironicamente; que tipo de sensações as músicas dela e as de muitas outras artistas passavam? Falavam sobre as partes íntimas, sobre sexo e sobre drogas, ou sobre coisas sem sentido como um manual de como ser uma vadia com um traseiro grande, o que me pareceu naquele momento totalmente ridículo. Eu geralmente gostava de músicas com um pouco mais de letra, mesmo sendo letras muitas vezes repetitivas e tristes, eu as adorava, pois expressavam exatamente minhas opiniões, meus sentimentos e meu humor. Esperava ao menos ser compreendido por alguém ali.

Ergui o olhar quando ele passa a lição. Lógico, não iríamos apenas ficar de cara pra cima ouvindo-o falar sobre as origens da música: iríamos ter de nos apresentar. Observei os instrumentos, sabendo que eu havia tido aulas de piano uns tempos atrás, e era razoável, assim como no violino, e no violão eu não tocava fazia um tempo. Me senti nervoso, mas quando ele falou em "cantar" eu me senti melhor, me fazendo suspirar. Me ergui de meu assento com passos determinados e fui à frente dos assentos posicionados em meia-lua, exibindo um nervoso e pequeno sorriso, pegando um violão e de pé me posicionei bem no meio da parte mais alta que era o "palco" onde nos apresentaríamos. Suspirei, tentando ajeitar as palhetas com os lábios murmurando a letra da música apenas para mim, na tentativa de lembrar-me de quais seriam as determinadas notas a atingir, e também para eu não me esquecer da letra da música que, para minha sorte, não era gigantesca, era curta e expressiva.

- Bem, a letra da música para mim é bastante expressiva, além de emitir um sentimento de melancolia e falta de apego que me faz gostar de cantá-la. Por isso a escolhi... - enquanto comentava num tom médio de voz, eu passava os dedos pelos cordões do violão, sem realmente tocá-lo, terminando de explicar os motivos para escolher a canção erguendo o olhar e passando os olhos por cada um deles. Comecei a tocar o violão, era um ritmo bastante envolvente e fácil, enquanto isso eu fechava os olhos, segurando-o e comecei a cantar.

Where the blue moons shines
Where the tears melt ice
In see of guilt
By the fallen stars
Lonley chimes, sing of pain
There's a storm, only love remains

Minha voz iniciou a canção em um tom bastante baixo, limpo e sem rouquidão, acompanhando o ritmo emanando do instrumento como vibrações melancólicas, que pareciam me inspirar a continuar tocando o instrumento com todo o empenho o possível, prolongando o "In see of guilt" ao findar da estrofe enquanto eu logo emendava a próxima estrofe com a testa enrugada como se expressasse uma dor efêmera, acentuando-a quando na próxima estrofe minha voz aumentou um pouco, prolongando o "chimes" e "pain".

I've been stung by a star seed honey
He shone love like a lightning honey
I been hit by a star seed honey
His love burn like a lightning honey
I'm right here I'm your star crossed lover
I lie here like a starless lover
I'll die here as phantom lover
I never learn

No próximo verso eu podia pôr meu próprio tom à canção, sem precisar deixar minha voz um tanto quanto afinada e pude engrossar o tom, terminando cada "honey" com um tom lacrimoso adicionado, inclusive abrindo os olhos e finalmente fitando a plateia e depois o céu quando cheguei em "phantom lover" minha voz ficou rouca, entretanto ainda assim emiti-a com carinho e dei de ombros lentamente, sentindo toda a vibração da canção, envolta em dores e o pesar de um coração partido, cantando agora o nome da canção duas vezes, por fim tocando o violão no ritmo da canção por mais alguns segundos, até que por fim cessei e, com passos rápidos, pus o violão curvando meu corpo para baixo e voltei com passos rápidos até meu assento, cruzando as pernas e mordendo o lábio inferior, erguendo meu olhar e fitando o professor em busca de respostas.

Observações: A música que cantei está num link abaixo, só passar o mouse na imagem.

I'm with Ernest S. Hildebrand, aka Teacher of Music, and i'm wearing this clothes, and i'm listening this song. I'm in music class. I'm Andrew.

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Egyptians

Violin, Cello and Piano
The music is here


M
eu corpo inteiro tremia antes mesmo de levantar da cama. O despertador tocou ás 6:00a.m e agora eram exatamente 6:30. Já era para eu estar de pé, de banho tomado e com aquele uniforme ridículo no corpo e caminhando para o café da manhã e depois para a aula de música. Aula de música. Eu estremecia so de ouvir a simples frase. Na noite passada meu pai ligou para mim para se certificar de que eu ainda estava viva e na escola, como se ele se importasse.

Olhei para a cadeira da minha escrivaninha e encarei o uniforme. Levantei hesitante e fui até o pequeno banheiro ligando o chuveiro e deixando o vapor preencher o banheiro e me aquecer enquanto me enfiava embaixo do chuveiro. Não demorei como de costume, foi um banho rápido. Me arrumei o mais rápido possível, pegando meu material e andando pelos corredores da Nordic.

O violino dentro da case parecia mais pesado do que nunca. A bolsa com partituras e livros parecia querer me puxar para o chão e voltar correndo de volta para o quarto e nunca mais sair de lá. Mas eu continuava em frente, seguindo a fila de estudantes que iam direto para o refeitorio, mas eu tomei outro rumo. Desviei do refeitorio e segui em direção a aula de música.

Ao me aproximar da sala, pude ver alguns alunos já com seus instrumentos em mãos indo para o mesmo destino que eu. Meu coração oscilava a cada passo que eu dava em direção a sala, e todos aqueles alunos calmos, confiantes e alegres so pioravam meu estado físico e espiritual. Apertei a alça da cade com mais força e obriguei meu corpo a seguir em diante.

Ao entrar na sala, eu fiquei um tanto quanto admirada com a variedade de instrumentos que estavam naquela sala. A sala não era tão grande, mas sua variedade de instrumentos era o que chamava atenção. Me dirigi imediatamente até um assento para relaxar as pernas. O professor já estava presente na sala, observando os alunos que chegavam, tocavam seus instrumentos ou apenas conversavam uns entre os outros. O professor se levantou e se apresentou calmamente, logo entrando numa introdução do que seria música e como era a primeira música do mundo. Aos meus ouvidos ela não era tão agradável assim, mas era como minha mãe costumava dizer ''Toda música tem sua beleza escondida, ache-a''. E sua beleza estava ali, escondida entre as notas tocada pelo professor e pouco apreciada pelos alunos da sala.

Então, a hora do terror chegou. O professor pediu para que tocássemos ou cantássemos algo. Minhas mãos começaram a soar de novo enquanto um a um ia até o palco e mostrava o que sabia fazer. ''Se você tem medo de uma simples aula, imagine de uma apresentação num show como sua mãe. Ela estaria tão decepcionada agora...'' A voz do meu pai soou pela minha mente e comprimi um lábio contra o outro. Ele estava certo, minha mãe ficaria decepcionada comigo pela minha atitude naquela aula.

Depois que um garoto com um violão terminou de cantar, segurei meu violino e meu arco com força e fui até o palco, tremendo. Eu não sabia o que dizer quando encarei os alunos e o professor, apenas deixei que a música falasse por mim. Eu fechei meus olhos e encostei a crina de leve nas cordas, pressionando as cordas contra o espelho para que as notas saíssem corretas. O tremor no meu corpo não existia mais, apenas a vibração de meu braço direito nos vibratos. As notas conversavam entre si quando eu as pressionava e a crina as fazia soar perfeitamente.

Ao fim da música, respirei fundo e fui passando o arco pelas cordas suavemente, até o som sumir e ficar um silêncio na sala. Não olhei para o professor nem para o alunos, apenas voltei para meu lugar encarando meus proprios pés até sentar no meu lugar.

Música:
 



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Mensagem por Andrew Carson em Qui Jul 09, 2015 1:53 am

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Thunder!

A aula de música me mantivera animado, depois de uma semana afastado doente eu finalmente estava de volta. Odiava ter deixado Kara sozinha para o baile, mas fora preciso. Olhei para o cello que me mantivera ocupado enquanto estava longe dela, ela me motivava a ir alem, e fez até o cello ficar legal fazendo o arranjo de Thunderstruck, a maior entusiasta de nossas adaptações partira e eu precisava voltar a anima-la. Sendo assim quando soube da aula a primera coisa que fiz foi enviar-lhe uma mensagem avisando a música que iriamos tocar. Ela não rebateu, nem disse que não, ensaiamos mais algumas vezes por Skype e finalmente era a primeira aula, limpei o cello, afinei as cordas e troquei a crina do arco. Se houvesse uma apresentação seria pauleira. Eu era muito ridiculo. Ri de mim mesmo enquanto saia do dormitório com o cello nas costas.

Encontrei com Kara a minha espera na entrada do predio dos Greeks, dei-lhe um beijo na testa e um abraço apertado antes de prosseguirmos. O prédio principal era perto, a sala de música era no segundo andar, entramos na sala pequena mas bem mobiliada com os mais repletos instrumentos, vi um grande baixo acústico que fez meus dedos coçarem para dedilha-lo mas me restringi ao meu cello, sentei ao lado de Kara enquanto ela tocava uma melodia triste eu dedilhava algumas notas aquecendo meus dedos. O professor começava a falar e eu parava de tocar ainda exercitando meus dedos. Ele parecia ser um cara bacana, falava sobre teoria de uma forma interessante. Depois de falar um pouco ele resolveu mostrar o que ele falava, ele começou a tocar e senti aquela coisa que você sente quando ouve uma criança tentando tocar. Era estranho, mas foi legal. Ele saiu do teclado e agora sua voz ganhava uma entonação de "olhem eu amo isso então colaborem!" sorri com a empolgação do professor e depois de falar ele nos deixou demonstrar o que sabiamos fazer, alguns cantaram outros tocaram, grandiosamente diga-se de passagem dei um leve cutucão nas costelas de Kara e sorri a incentivando com o olhar avisando que era nossa vez. Ela levantou meio contrariada e fomos ao palco. Ela se sentou e me juntei a ela, olhei para os outros alunos e para o professor: - Não se deixe enganar pelo começo... Essa música tem um valor especial tanto para mim quanto para Kara.

 
Sorri me sentando ajeitando o cello, relaxei e sorri para Kara que já tinha os olhos fechados, excitação era a palavra certa para o que eu sentia naquele momento lembrando cada minima nota de Thunderstruck meu coração batia acelerado, ela começou a tocar delicadamente e a segui no ritmo lento da melodia inicial que ela havia escolhido com sua mãe. A música tinha nossa cara, nossa melodia, começava suave e começava a ficar, digamos, selvagem, a intensidade da música me deixava arrepiado, eu ficava com a base, tocava com selvageria e velocidade, de olhos fechados tudo que eu conseguia imaginar era a velha banda que eu tanto amava, imaginava Angus Young com sua guitarra saltitante pelo palco enquanto eu acertava as cordas com a crina do arco em total sincronia com Kara. Eramos um completando o outro. A selvageria e a velocidade da musica dominavam meu ser, eu queria levantar, tocar com toda minha vontade, como se aquela fosse minha última apresentação, brincar enquanto eu tocava sempre fora meu alvo, eu me entregava. Por uns segundo silencio total e voltavamos a tocar, impiedosos, era um som que me deixava impulsionado a fazer mais, mais e terminavamos. Parei de tocar deitado no chão abraçado ao Cello, Kara parecia morta de vergonha, levantei limpando as roupas, eu não era nenhum exibicionista, mas essa musica me tirava do sério, sorri empolgado para Kara enquanto voltavamos aos nossos lugares carregando cada um seu cello. Até que para a primeira aula eu pensava que haviamos ido bem.


Música Tocada:
 

Ran - Cupcake Graphics







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Mensagem por Kara Hoffman em Qui Jul 09, 2015 1:54 am

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Cause Baby, 2Cello's Better!
Se havia uma matéria que tinha o dom de me tirar o sono por causa de ansiedade era a aula de música. Depois de teatro era uma coisa que fazia com eu me esquecesse de mim esma e de tudo a minha volta. Desde os 5 anos de idade descobri uma paixão no Cello que me amarrava de todas as formas imagináveis. Quando comecei as aulas de teatro com Andrew quase caí de costas quando o ouvi tocar num recital de natal. Minha mãe costumava brincar que eramos feitos um para o outro. E eu continuava concordando com isso a cada coincidência do destino.  

Para a primeira aula de música e limpei e afinei o cello , coloquei-o na capa e esperei por Andrew a entrada da sede dos Greeks, assim que ele desceu pegou minha mão com seu cello no ombro e sorriu enquanto caminhávamos até o prédio principal. Subimos para o segundo andar onde encontramos a sala de música pequena e com instrumentos bem posicionados, sorri pegando uma das cadeiras da frente junto com Andrew, tirando o cello da capa olhei pela ultima vez o arco, ele estava novo, pronto para uma apresentação.  Vi o professor rodar um pouco pela sala assim que ele entrou  e parei quando percebi que ele iria começar a aula. Andrew dedilhava algumas cordas, o professor começou a falar atraindo toda minha atenção, eu não conseguia parar de prestar atenção até que ele começou a tocar, eu já havia ouvido aquela melodia quando iniciara nas aulas de violoncelo, fazia parte da teoria. Quando terminou reprimir meu impulso de ovaciona-lo com palmas. Ele voltou a falar agora dando-nos a oportunidade de mostrar o que sabiamos fazer, Andrew me deu um leve cutucão nas costelas e sorriu, esperei algumas pessoas se apresentarem e resolvi levantar a mão para sermos os próximos. Andrew me acompanhou até onde os outros já haviam se apresentados, sentei sentindo a mão gélida e respirei profundamente fazendo a respiração acalmar ajeitei o cello no meu ombro e sorri para Andrew antes de fechar os olhos e começar a sentir cada nota tirada no arco. Começamos com uma melodia clássica, essa era a mágia da coisa. Andrew e eu havíamos feito um arranjo em cima de músicas que nos agradavam e a escolhida para a aula fora Thunderstruck do AC/DC, mamãe costumava vibrar sempre que tocávamos para ela. Sorri  pensando no rosto dela, a melodia começava a ficar mais rápida, violenta eu diria. Cada nota envolvia meu corpo e eu já me encontrava em estado de graça, quando Andrew segurou a base e eu comecei a acalmar meu arco e fazer os toques do nosso arranjo, você reconheceria a melodia de qualquer canto se já tivesse escutado AC/DC. Andrew permanecia no som de apoio enquanto eu realizava os solos específicos da música. Eu sorria com cada toque e arranjo, era impossível não sorrir e vibrar com a intensidade da música.  Andrew se empolgava e levantava, fazendo mil firulas com seu cello, sempre o exibido, a intensidade da musica era incrível, era como correntes elétricas por meu corpo. Ao final da música o ultimo ressonar do arco sobre as cordas levantei arfante e sorri olhando para os outros alunos e Andrew. Respirei fundo tentando não cair de emoção, eu tremia toda vez que tocava aquela música. Um pouco mais calma consegui descer do palco voltando para o meu lugar com Andrew.


Música apresentada:
By Flawless

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Mensagem por Arya J. Hastings em Sab Jul 11, 2015 10:52 pm

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Music Class




I'm really here ... now ...



Ah, o que seria o mundo sem música, sem o som dos pássaros, dos remixes agora tão populares e do próprio lirismo composto nas canções? Aliás, e o  próprio ringtone do celular ?!

Até mesmo uma primária melodia arrepiava Arya e apesar da imensa escola; não tinha sido tão impossível encontrar a sala de música, primeiramente pela grande parcela de alunos indo em direção de um mesmo corredor, muitos carregando instrumentos musicais. Segundo, era sempre a mais "atrasada" de sua turma e quando finalmente estava chegando à sala de aula, ao passar pela porta muitos já brincavam com os próprios instrumentos e outros andavam por aí, apesar do intenso nervosismo [Sua determinação se apagava a cada passo que dava para dentro da sala, uma vez que se encontrava completamente sozinha e desconhecida.] literalmente se jogou em uma das cadeiras vagas; tentando se concentrar ao máximo.

Desde a infância, conviveu com a música; e este foi principalmente um dos fatores de ter escolhido a mesma como matéria principal. Não havia dúvidas de que era talentosa o suficiente para encarar as aulas sem dificuldade, em sua família era considerada a "prodígio musical" pois sabia cantar e tocar com extrema facilidade. O primeiro dia de aula era sempre o pior e o que determinava sua postura com o professor pelo resto do ano e sua empolgação expressava tudo isso "Ele não vai começar a aula? Parece que consegui chegar cedo, então...".

Seus pensamentos foram interrompidos com a voz do professor que se apresentava. Tentava listar tudo que o mesmo falava em sua cabeça. - Música, divindades e corpo... Ok! - Sussurrava, parecia estranho imaginar todos aqueles povos ancestrais fazendo música com o corpo, deveria se parecer com um ritual mágico. Assentia com a cabeça conforme o assunto ia se prolongando, apesar de se parecer com uma "menina do pop" a garota passava horas ouvindo músicas instrumentais e antigas, era legal ver como a melodia tinha evoluído conforme o tempo. - Hmm, professor? - Levantou um pouco a voz, demonstrando que tinha dúvidas. Esticou a mão para que este soubesse quem perguntava, mesmo tendo poucos alunos na sala. - Se compararmos essa música com as atuais, o senhor diria que estamos regredindo ou evoluindo?

[...]

Tremeu quando o professor terminou a explicação e o primeiro aluno pôs-se a se apresentar. Ela realmente desejava que sua apresentação fosse a última, sabia dos preconceitos por não ser exatamente ocidental. Balançava as pernas ansiosamente como se fosse a próxima a ganhar um grande prêmio "Um pacote de marshmallow, talvez?" e como se fosse um cachorrinho, compraria uma recompensa caso fosse bem. Tinha em mente a música que cantaria e esta era em parte coreana, claro, ninguém iria entender mesmo tendo um real significado para ela, pois ouvia essa música nos seus piores e mais tristes momentos para acalmar o coração. Levantou sem enrolação quando chegou sua vez e foi para o pequeno "palco" onde os alunos se apresentavam, curvou-se antes de se apresentar. - Ok, hm.. Eu me chamo Arya e... - Seu tom de voz baixou quando olhou para toda a multidão, entrelaçou os dedos e prosseguiu. -Essa música tem um grande significado para mim... Porém ela é toda em coreano, acho que não irão entender.  

Dirigiu-se ao piano, começando a tocar cada tecla com delicadeza, deixando os olhos semicerrados podendo enxergar apenas um canto da parede, sua voz começou doce e baixa; enquanto prosseguia tocando a melodia de acordo com a voz. Tudo parecia lento ao seu redor, era uma música puramente sentimental.

Manyageh naega gandamyeon
naega dagagandamyeon
neon eoddeogeh saenggakhalgga
yonginaelsu eobtgo

Manyageh niga gandamyeon
niga ddeonagandamyeon
neol eoddeogeh bonaeyahalji
jaggoo geobi naneun geol



No fim da primeira estrofe  foi aumentando o tom. Cada vez mais intensa, os olhos da coreana lacrimejavam de emoção pois toda a melodia passava limpa por entre os dedos e a voz era combinada com exatidão, ora doce ora forte como sempre havia desejado.

Naega babo gataseo
barabolsu bakkeman eobtneungeon amado
wemyeon haljidomoreul ni maeumgwa
ddo keuraeseo deo mareojil saiga dwelggabwa

Jeongmal babo gataseo
saranghanda haji mothaneungeon amado
mannam dwiyeh gidarineun apeumeh
seulpeun nanaldeuri dooryeowoseo ingabwa


Prolongou as últimas duas palavras voltando novamente a diminuir seu tom [Era mais do que esperado milhares de carinhas desentendidas e tediosas, mas em sua cabeça tudo estava as mil maravilhas.]

Manyageh niga ondamyeon
niga dagaondamyeon
nan eoddeogeh haeyamanhalji
jeongmal alsu eobtneungeol

Naega babo gataseo
barabolsu bakkeman eobtneungeon amado
wemyeon haljidomoreul ni maeumgwa

ddo keuraeseo deo mareojil saiga dwelggabwa

Jeongmal babo gataseo
saranghanda haji mothaneungeon amado
mannam dwiyeh gidarineun apeumeh
seulpeun nanaldeuri dooryeowoseo ingabwa


Nos últimos versos cantados, prolongou cada palavra aumentando as notas. Dedicava-se ainda ao toque do piano e dividia a missão perfeccionista com a dor que sentia tocando essa música, a saudade de sua casa. Cantava com toda a paixão de ser cantora, transmitia o amor para que todos que a ouviam; ao mesmo tempo que se sentia sensível também estava feliz pois sua música estava quase terminando.

Naega babo gataseo
saranghanda haji mothaneungeon amado
mannam dwiyeh gidarineun apeumeh
seulpeun nanaldeuri dooryeowoseo ingabwa


E enfim o último verso, no qual cantava com toda a alegria e força de vontade; prolongando uma nota alta em "nanaldeuri". Ao fim da última melodia levantou-se e agradeceu voltando para o mesmo lugar que estava sentada, não esperava aplausos e nem grandes elogios.

"Eu realmente estou aqui... Agora..."  

Música apresentada:

♥inspired
♥credits

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Nordic
i feel pretty, so pretty  
I used to be so cute to me, Just a little bit skinny. Why do I look to all these things to keep you happy
___________________________________________________________________
Naquela manhã a confusão me tomou por completo, no exato momento em que fui induzida a despertar pelo irritante barulho do alarme; estava completamente perdida, sem saber o que esperar de mim mesma, resumindo, mas uma das minhas crises emocionais que não influenciavam em muita coisa na minha personalidade. Pelo menos uma hora daquela manhã resumiu-se em um preparo pré-aula. Um longo banho quente – com direito a meus queridos produtos europeus –, demorados minutos para decidir qual roupa deveria usar em meu primeiro dia naquele instituto – de segunda á sexta eu seria vista por todos ali, eu não podia falhar no quesito imagem – e por último um breve estudo de minha grade de aulas do dia. Literatura, física, linguagem, entediantes! Esgrima, música, educação física, uh, soavam muito bom. Uma das principais coisas que me faziam apreciar minha ingressão na Weston, além do ambiente extremamente competitivo entre ordens, era o quão divergente eram com seu método educacional. Que instituto norte-americano disponibilizava um clube de esgrima e astronomia para seus alunos? Aquele lugar não era nem um pouco comum, e eu simplesmente adorava isto.

O primeiro cenário que vislumbrei após a saída de meu dormitório fora o corredor nada movimentado do primeiro andar da sede dos nórdicos, minha ordem. O único som ouvido por ali era o estalar dos saltos Givenchy em contato ao porcelanato, nada além daquilo, somente um som abafado matinal de aves piando e a brisa soprando as folhas das árvores adjacentes a sede. Rolei os olhos, bufando logo em seguida o ar de meus pulmões; eu não conhecia uma nórdica sequer, não sabia se elas eram convidativas a uma aliança, se usavam conjuntos Kate Spade como aquele que eu havia decidido vestir aquela manhã, ou se pelo menos nutriam um instinto competitivo tão forte quanto o meu. Nem mesmo os meninos nórdicos me eram familiares; eu só conhecia a uma única pessoa naquele lugar, minha irmã, Mary Elizabeth. "Hora de mudar isto", pensei, jogando aos fios alourados para detrás dos ombros, firmando a bolsa Tommy Hilfiger que pendia em meu ombro direito e desenhando um sorriso impassível nos lábios rubros.

***

"Aula de música. Professor Ernert, de sorriso casto e discurso que pendiam entre o interessante e típicas palavras de um professor que sabe demais. Alunos com olhares brilhantes de excitação e dedos ansiosos pelos instrumentos que os cercavam", eu escrevia a tudo aquilo em um canto de meu fichário enquanto assistia a primeira aula de música ser desenvolvida. Primeiro uma pequena demonstração do professor, logo após fora a vez dos alunos se mostrarem. Cruzei as pernas, assim como meus finos braços para assistir aquilo; e até me surpreendi quando os talentos foram exibidos. Somente eu esperei por longos solos instrumentais ali? De início um menino mostrou que sabia fazer música com a voz – e era este o principal motivo de minha ingressão a aula. Eu tinha aquela paixão pela canto, pela demonstração de sentimentos através de versos expressivos e tocantes. Era incrível como algumas músicas pareciam falam com você, falar por você, falar de você.

Pus-me de pé assim que o solo de uma menina de cabelos escuros acabou. Todos ali pareciam excitados em mostrar o que sabia, assim como eu. Em alguns passos ligeiros me encontrei no centro da sala, encarando os olhares dos presentes. Por meio segundo aquilo foi impactante, o suficiente para me fazer esquecer o que eu realmente deveria fazer. "Foco. Cante! Mostre o que sabe." Obriguei-me em mente. — Eu passei quase todo o início da aula pensando no quê cantar, porque é esta parte da música que eu tenho grande ligação, ao canto. E bem, eu decidi cantar está música porque ela tem estado m minha mente desde que ouvi. É um mashup, a junção de duas belas canções.  A propósito, Sou Hanna Campbell. — Um sorriso fino atravessou meus lábios e eu ousei convidar alguns dos instrumentistas ali para fazer um acompanhamento na canção, dando a eles as partituras que em instantes busquei na bolsa. Arrastei um banco alto para o centro da sala, dando um sinal sigiloso para os meninos iniciarem. "Eu posso fazer isso." Pensei, antes do som das cordas de um violão começar a ecoar pela sala e minha respiração se acalmar, meus olhos se fecharem e eu me concentrar na canção. Foi impossível não voar mentalmente para meu passado quando minha voz cantou os primeiros versos; "I wish could tie you up in my shoes, make you feel unpretty too." As memórias apareciam de modo opaco, quase impossível de se ver, mas eu sabia que ali estava uma garotinha de longo cabelos loiros, ao lado de sua irmã de cabelos negros, ambas tão adoráveis, mas não me recordava de sentir isto interiormente. E foi exatamente isto que busquei expressar no verso que seguiu, guardando a imagem da menininha de sorriso torto e cachos dourados quando cantei ao "I was told I was beautiful, but what does that mean to you?" Por puro instinto joguei os fios que caiam a frente de meu ombro direito para trás, exibindo pouco mais de minha face enquanto mantinha um olhar vidrado em um ponto qualquer, como se encarasse um espelho invisível enquanto entoava o verso "Look into the mirror who's inside there, The one with the long hair. Same old me again today", deixando que minha voz aumentasse pouco para alongar as ultimas palavras daquela estrofe.

I wish could tie you up in my shoes
Make you feel unpretty too
I was told I was beautiful
But what does that mean to you
Look into the mirror who's inside there
The one with the long hair
Same old me again today


Com as pernas cruzadas, enrijeci os ombros e lancei um olhar por cada um da primeira fileira, enquanto minha voz – agora em um tom mais afinado e também consideravelmente alto cantava ao "My outsides are cool, my insides are blue". Meu olhar caiu por poucos segundos, quando ouvi minha voz entoar aquilo; alguém teria notado que aquela música mais pareciam uma mensagem auto-biográfica? Tratei de desenhar um sorriso curto nos lábios enquanto seguia cantando, revestindo meu tom de auto-controle e serenidade para os versos seguintes: "Everytime I think I'm through, it's because of you". Mais uma vez lá estava eu, vagando em mente em meu passado; desta vez o verso "I've tried different ways, but it's all the same" me fez recordar não só a mim mesma mas coisas que fiz para me mostrar; quando se tem um pai que atenta-se mais com quem terá aquela noite em sua cama ou na sua próxima obra de arte de sucesso ideias de como chamar sua atenção aparecem em um turbilhão, uma pior que a outra, claro. Fechei os olhos, findando a estrofe e puxando ligeiramente o ar antes de me aprontar para a seguinte, meus dedos seguiam o ritmo da canção em um tamborilar sobre minha coxa e meu corpo se movia sutilmente também, eu estava envolvida naquilo.

My outsides are cool
My insides are blue
Everytime I think I'm through
It's because of you
I've tried different ways
But it's all the same
At the end of the day
I have myself to blame
I'm just trippin'


"You can buy your hair if it won't grow, you can fix your nose if he says so, you can buy all the make up that M. A. C. can make" Um sorriso casto tomou meus lábios e minha voz tratou de alternar-se em um tom consideravelmente mais alto de um verso ao outro; em um canto de minha mente algo tentou me persuadir a apontar alguns dali na medida que eu ia citando coisa por coisa no verso, mas me contive, apenas deixando um sorriso sugestivo desenhar meus lábios com o "But if" saltando dali. "you can't look inside you, find out who am I too. Be in the position to make me feel so damn unpretty" Cantar aquilo tornou a me fazer esquecer qualquer gracinha, novamente parecia que cada palavra cantada ali era dita a mim, e mesmo que eu mantivesse toda aquela postura e o timbre vocal totalmente afinado, sem deixar qualquer deslize, eu não podia deixar de me sentir incomodada por dentro. E isto só pareceu piorar quando entoei ao "I feel pretty, Oh, so pretty, I feel pretty and witty and bright!" Nada daquilo soava tão verdadeiro para mim, mesmo que o sorriso em meu rosto dissesse o contrário, eu não me sentia bonita, não quando pensava em meu passado. Joguei os cabelos para trás, erguendo o cenho e apoiando por fim o queixo em meu punho cerrado – do braço que era apoiado acima de uma coxa –, e tudo isto enquanto cantarolava "And I pity any girl who isn't me tonight."

"I feel pretty
Oh, so pretty
I feel pretty and witty and bright!
And I pity
Any girl who isn't me tonight"

Findando aquela estrofe uma sequência de vocalizes se iniciaram; a cada fim destes eu puxava o ar, recuperando-o, e fora assim por quatro vezes, antes que eu tornasse a cantar o refrão, mas não parecia a mesma coisa que da primeira vez. Meu timbre mostrou-se mais forte, mais alto, eu até arriscava lançar alguns curtos melismas a cada findar do verso, isto até que eu chegasse ao "But if you can't look inside you", foi quando minha voz tomou seu tom suave mais uma vez para entoar aqueles últimos versos; "Be in the position to make me feel so damn unpretty, I feel pretty, but unpretty."

Com um sorriso largo agradeci aos meninos que me acompanharam, e dirigi o mesmo sorriso aos alunos que se assistiram aquilo. Encarei ao professor, lançando-lhe um agradecimento em especial com um singelo olhar e um aceno com a cabeça antes que eu ocupasse meu assento mais uma vez, tomando meu fichário para uma última nota secreta: "Jamais cante algo que revele tanto de ti."





_______________________________________

Music Class — Wearing, this.


My outsides are cool, My insides are blue
Everytime I think, I'm through, It's because of you.


____________

❝ baby be the class clown. i'll be the beauty queen in tears.

H BY H.

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Mensagem por Sebastian Tucker em Dom Jul 12, 2015 6:00 pm

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Greeks

Fire
.
Desolation comes upon the sky
                                                                     
“- Seu irmão morreu, Sebastian.”

Sentei na cama sob um salto sentindo meu coração acelerar e a respiração falhar. Meu corpo se encontrava todo molhado de suor por conta daquele maldito pesadelo que acontecia com freqüência desde que eu era criança. Nunca entendi o porquê, afinal de contas eu só tinha um irmão e ele era mais novo que eu. Esse é o tipo de coisa que a gente nunca vai entender. Puxei todo o ar pros meus pulmões e levantei da cama me encaminhando pro banheiro. Tomei um longo banho, coloquei a toalha presa na cintura e escovei os dentes seguindo para meu armário. Assim que o abri fiz certa careta, aquele lugar era pequeno demais pra caber todas as minhas roupas. E não me venha com esse papo de “Ih, é bicha! Se importa com a roupa que veste.” Porque bicha é o teu pai. Me importo e muito com minha imagem, cresci num meio onde isso era importante e continuara sendo pra mim. Ah, quer saber? Não devo satisfação pra ninguém. Pode falar o que quiser. Afastei a cortina da janela, tampando parte dos olhos pelo incomodo da luz do dia, para checar como estava o tempo e voltei ao meu armário. Me decidi por uma calça jeans preta, uma camisa Henley na cor roxa, jaqueta do tipo College e um tênis Cavalera nos pés.

Música - Segundo andar, sala 01


Assim que entrei na sala pude ver que ela era pequena e tinha a estrutura de uma orquestra sinfônica o que, sem dúvida, ajudaria muito na acústica. Vi algumas pessoas sentadas com instrumentos nas mãos, outras tocando com alguns amigos, outros tímidos no canto e mais algumas pessoas chegando e trazendo seu próprio instrumento. Ergui a sobrancelha nesse instante. Era para ter trago o instrumento? Tirei meu horário do bolso e lá não tinha nenhum aviso. Em todo caso, dei de ombros andando com as mãos nos bolsos da jaqueta e passando os olhos em busca de alguma cadeira vaga até que meus olhos se voltaram para um garoto – já tinha visto em uma reunião dos greeks - que brincava, não no bom sentido, com as cordas de um Martin & CO legítimo. O som daquele violão era inconfundível. Era feito de uma madeira brasileira selecionada especialmente para aquele modelo e só existiam 50 em todo mundo. Infelizmente quando eu ia comprar já tinha esgotado. Aquilo era uma preciosidade e aquele babaca estava acabando com ele. Bufei andando até ele e puxando o violão de suas mãos. – Sai. – Disse, indicando para que ele saísse dali para eu sentar. Ele arqueou a sobrancelha me desafiando com o olhar. Revirei os olhos inclinando um pouco o tronco para olhar melhor pra ele. – Eu disse: Sai. – Falei pausadamente com meu tom sério. Não piscava ou mostrava qualquer expressão de desistência.  - Sai logo antes que eu mesmo te tire daí e estrague a madeira desse violão caríssimo nessa tua cabeça grande. – Completei entre dentes, apenas para que ele ouvisse. “Anda cara, não vai arrumar confusão.” Ouvi outro falando enquanto puxava o amigo. "Babaca." pensei dando de ombros e me sentando, começando a brincar, da maneira certa, com as cordas daquele violão.

O início da aula foi dado pela apresentação do professor. Ernest, um nome tão estranho quanto o meu. Um tanto baixo, gorducho, cara de inteligente. Esse ultimo se confirmou com seu pequeno – e belo – resumo da história da música. Acho que nós nunca saberemos ao certo quando a música surgiu, uns acreditam que surgiu com a criação do universo, sendo uma coisa Divina, outros acham que começou com os sons produzidos pelos primeiros seres vivos do universo a bilhões de anos. Ela então teria sido apenas decodificada pelo homem, ganhando diversos instrumentos para transmitir seus sons. Creio que precisaríamos de uma aula inteira somente de teoria para todo mundo entender o real significado que tinha aquela matéria. Em música não bastava ter talento ou rostinho bonito, como é visível hoje em dia. É necessário esforço, dedicação e paixão por aquilo. Eu era um cara artístico, amava música, teatro, fotografia, cinema, pintura, desenho e tudo relacionado à arte, mas era uma pena que não tinha habilidade usando o lápis.  Música é um meio de comunicação e um dos primeiros meios de comunicação da humanidade, vale ressaltar. Na Grécia antiga, quando não existia escrita, os Deuses eram adorados com flauta, harpas e tambores – os primeiros instrumentos criados sendo a primeira mais antiga. Música fala por nós e as vezes nem nos damos conta.  

Ernest logo depois tocou a música mais antiga do mundo e, convenhamos, não era a coisa mais bonita do mundo. Em algumas partes da melodia era possível lembrar, vagamente, a nona sinfonia de Beethoven. Não sabia se estava viajando, mas era aquilo que podia distinguir. Fiz algumas caretas ao longo dela por imaginar aquilo sendo tocado em ossos. “Incrível como a humanidade pode evoluir tão rápido” pensei após a música ser acabado.  O passo seguinte era para Ernest nos conhecer, pediu para que fossemos a frente e mostrássemos o que conhecíamos de música. Aquilo não era problema pra mim, o problema em si era encontrar a música certa. Então, decidi deixar algumas pessoas irem primeiro.

O primeiro garoto a se apresentar cantou uma música um tanto quanto melancólica e eu estava largado na cadeira, olhando meus próprios pés quando os acordes de violino penetraram meus ouvidos. Cacete, eu adorava violino e era um instrumento que não tinha tanta facilidade. Admirava demais quem tocava. Levantei meu olhar podendo ver uma garota ruiva de traços bem marcantes. Reconheci a melodia de My Immortal e arrumei minha postura esboçando um singelo sorriso. Cada nota saia perfeitamente sincronizada com a melodia, pareciam friamente calculadas para se encaixarem ali. O silencio pairou pela turma quando ela terminou, e eu, particularmente, estava de queixo caído. Depois foi a vez de um casal ir a frente, ergui as sobrancelhas olhando pra trás. Era possível ir em dupla? O início da música Thunderstruck foi reconhecido por mim e achei de começo uma versão bem chata, diga-se de passagem, mas logo fui surpreendido pela bomba de energia e paixão que os dois colocavam em seus instrumentos. A parte "rock ‘n roll" ficava nas mãos do garoto e quando os dois terminaram meu queixo estava ainda mais aberto. Eles eram bons pra caralho! Adorava instrumental, ela conseguia te prender e te cativar mesmo sem letra nenhuma. Não contive bater na mão do cara e o cumprimentar depois do final da música onde ele se jogou no chão dando mais um show. Depois foi a vez de uma garota japonesa, chinesa, coreana... Sei lá o que ela era, pra mim eram todos iguais. Sua música foi legal, a melodia era calma e bem trabalhada. Dava pra ver que a menina, Arya se não me engano, cantava com a alma ali. Foi bonito de se ver, mas não entendi absolutamente nadaque ela falou. Ou seja, se ela estivesse falando que sentia falta de comer carne de cachorro, eu estaria achando bonito.

A seguinte também foi uma garota, uma garota bonita. Muito bonita por sinal. Sua voz era doce mas a mesmo tempo potente e conseguia alternar em diferentes notas, provavelmente ela cantava a bastante tempo. A letra da música dizia muito e a loira cantava com muita verdade. Lembra do que eu disse lá em cima? Que músicas falam por nós? Embora eu duvidasse que uma garota daquele porte se achasse feia, nada era impossível. Esbocei um pequeno sorriso ao final da bela apresentação e assim que Ernest disse “Próximo.” Me levantei carregando o violão Martin & CO comigo e tendo certeza da música que tocaria. Sentei na cadeira que a garota se sentara antes e arrumei o pedestal para que ficasse na minha altura.

- Olá, sou Sebastian Tucker e vou cantar uma música de um músico atual que eu admiro muito. Acho que ele vai ser um ícone da música daqui a alguns anos. – A música podia ser tocada com ou sem capotastre, mas como não tinha nenhum a mão, afinei o violão rapidamente para que desse o tom certo e respirei fundo. - Oh, misty eye of the mountain below, keep careful watch of my brothers' souls, and should the sky be filled with fire and smoke – Iniciei a música somente com a minha voz, calma e suave. No terceiro verso aumentei a nota em “Sky” a deixando soar naturalmente apesar de ter pressionado meus olhos. - Keep watching over Durin's son – O primeiro acorde, Lá menor (Am), foi ouvido somente na ultima palavra e então iniciei um pequeno dedilhado. A sensação de tocar naquele violão era incrível, as cordas eram macias e deslizavam entre meus dedos.

If this is to end in fire
Then we should all burn together
Watch the flames climb high into the night
Calling out father, stand by and we will
Watch the flames burn auburn on the mountain side

And if we should die tonight
Then we should all die together
Raise a glass of wine for the last time
Calling out father, prepare as we will
Watch the flames burn auburn on the mountain side
Desolation comes upon the sky


Minha voz agora estava em um tom mais baixo deixando que a melodia que saia do violão sobre saltasse propositalmente. Aumentei o tom no inicio de alguns versos e no meio de outros, terminando estendendo o “i” engatando com um curto dedilhado. A segunda estrofe estava no mesmo tom que a primeira, balançava um pouco os ombros no ritmo da música com os olhos fechados. E abri os mesmos no ultimo verso olhando diretamente para os olhos de uma garota ao fundo.

Now I see fire, inside the mountain
I see fire, burning the trees
And I see fire, hollowing souls
I see fire, blood in the breeze
And I hope that you'll remember me

And if the night is burning
I will cover my eyes
For if the dark returns then
My brothers will die
And as the sky's falling down
It crashed into this lonely town
And with that shadow upon the ground
I hear my people screaming out


Iniciei com um tom visivelmente mais agudo, aumentando o ritmo do violão e trocando alguns acordes para que se moldasse ao tom improvisado que eu dava a música. Alonguei diversas notas dando alguns sorrisos ao longo dela. Era uma composição incrível tanto de melodia quanto de letra, o talento de Ed Sheeran era invejável. Até pra mim. Pulei uma estrofe seguindo direto para o final e conseqüentemente minha voz ficou no mesmo tom anterior.

Now I see fire, inside the mountain
I see fire, burning the trees
I see fire, hollowing souls
I see fire, blood in the breeze

I see fire, oh you know I saw a city burning (fire)
I see fire, feel the heat upon my skin (fire)
And I see fire (fire)
And I see fire burn auburn on the mountain side


O refrão chegou e levantei da cadeira me animando mais com a música. Intercalava alongar o “I see fire” ou parar no meio de uma palavra e iniciar um segundo verso. Algumas pessoas da turma cantavam junto comigo, o que fez aumentar meu sorriso. O tom da minha voz estava mais potente e apesar disso, limpo. Terminei a música deixando soar o ultimo acorde junto com minha voz e agradeci voltando para meu lugar.

_____________________________________________________________________________
Notas: -
Música: Clica aqui
Roupa: Roupa usada
with: -
_____________________________________________________________________________


thank you secret from TPO.

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Mensagem por Pietro Bertolazzo em Seg Jul 13, 2015 7:13 pm

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It's a love story, baby!

"Hands up brand new
Hands up brand new
Why? Why now you're stuck
you're stuck, you're stuck..."



Um despertar violento não era exatamente o que eu esperava para começar bem o meu dia. Depois de ficar até tarde da noite conversando com alguns colegas da ordem Greek, tudo o que eu queria era uma noite de sono. Mas é claro... nada pode ser do meu jeito pelo menos uma vez na minha vida. Eu mal havia fechado os meus olhos e já fui obrigado a os arregalar quando ouvi o estrondoso som da voz de Alex Turner cantando "Balaclava" ao meu lado. Com certeza foi um erro ter escolhido aquela música tão boa como o toque de alarme do meu celular. Bufei de frustração e desliguei aquele barulho horrível, levantando-me rapidamente em seguida.

Abri a porta do guarda-roupa e dei de cara com uma bela visão: o espelho, ou melhor, o reflexo daquele belo garoto de cabelos bagunçados, nariz empinado, trajando apenas uma cueca boxer branca. Nada como um pouco de amor próprio pra melhorar um dia que começou mal. Depois de fazer algumas poses sensuais para o espelho, escolhi a roupa do dia. Tirei umas dez camisas do cabide, cinco calças e três pares de tênis. Comecei a pensar em qual eu usaria. Escolhi um conjunto de uma camisa xadrez azul e preta com um shorts branco, mas me lembrei que eu já havia usado aquele mesmo conjunto há três semanas. Imagina o que todos iriam comentar quando reparassem que eu estou repetindo a roupa? Seria uma vergonha imensurável para mim. Passei pelos menos mais vinte minutos pensando, até que finalmente decidi que usaria uma camisa fina branca com os dois primeiros botões abertos, uma calça jeans da Calvin Klein e um daqueles tênis que minha mãe havia comprado na Inglaterra. Depois, levei mais dez minutos para decidir qual perfume eu usaria. Nada seria pior do que abraçar alguém e ouvi-la comentar: "Nossa, você já usou esse perfume antes".

Enfim, depois de tomar um banho demorado, secar e pentear cuidadosamente meus cabelos, vesti a roupa e passei o tal perfume. Eu estava pronto para sair em público sem passar nenhuma vergonha e arrancar olhares apaixonados das garotas. Eu já estava quase descendo as escadas do corredor masculino, quando me lembrei que eu nem sabia para que aula eu estava indo. Voltei rapidamente para meu quarto e reli meu calendário. Oh, meu Deus! Eu estava muito atrasado para a minha primeira aula de música! Quase em desespero, peguei meu violão que ficava pendurado na parede e fui correndo para a sala de música da Academia. Mas não corri tanto, para não chegar lá suado.

Quando entrei na sala, o professor já estava falando. Fiquei morrendo de vergonha. Como meu dia poderia ser pior?

-Com licença, professor. Desculpe o atraso. - Eu disse, cabisbaixo e numa fala interdental - Tive problemas com... com... uma doença muito grave.

-Uma doença chamada "sono" - Alguém soltou, no meio dos alunos.

Me preparei para dar uma resposta muito mal-educada, mas percebi que era um rapaz da Greek que disse aquilo, portanto, eu só dei uma pequena risada e pedi licença ao professor para me sentar. Como ele parecia ser um rapaz simpático, ele deixou que eu me sentasse, mas me advertiu de que aquilo não deveria acontecer novamente. Fiquei ao lado do garoto que havia me zoado. Só então reparei naquela sala. Ela era pequena, mas dava para ver que seu isolamente acústico era impressionante. Atrás de mim, havia um monte de instrumentos musicais, de todos os tipos. Reconheci de longe até mesmo alguns instrumentos raríssimos. Mas não tive muito tempo para falar, logo reparei que o professor estava dedilhando uma música que eu conhecia de cor e salteado: a primeira música do mundo.

Eu já havia tocado, estudado e ouvido aquela mesma melodia pelo menos umas quinhentas vezes no Instituto Ashton Moore, o colégio interno do Texas onde estudei. Meu ex-professor de música contara que os mesopotâmios adoravam os deuses com aquela coisa desafinada. Olha, se eles realmente faziam isso, dá pra entender porque os deuses deixaram que a Mesopotâmia desaparecesse. Se eu fosse uma divindade, eu ficaria extremamente ofendido em ser homenageado com aquilo. Logo esperei que o professor (que mais tarde descobri que se chamava Ernest) nos entregasse um livro enorme de cifras e nos obrigasse a tocar, como faziam comigo no internato. Mas para minha surpresa, ele apenas pediu que nós nos apresentássemos, tocando qualquer instrumento e cantando qualquer música. Fiquei aliviado ao ouvir auquilo, pois eu já sabia exatamente o que eu tocaria no meu querido violão. Nosso palco seria uma parte mais elevada à frente da sala, onde Ernest estivera.

Eu pretendia me oferecer para ser o primeiro a tocar e agradar o meu professor, para compensar o atraso, mas um garoto passou à minha frente. Eu logo percebi que ele não era um Greek, então meus ouvidos estavam prontos para perceber e criticar mentalmente qualquer erro. Bem, assim que ele começou a tocar, eu imediatamente me lembrei de meu pai. Não porque ele gostava daquela música ou porque a letra era bonita, mas sim porque aquilo com certeza era uma canção para se tocar num velório. Quando ele acabou, fiquei com vontade de acender algumas velas na sala de aula em homenagem às almas dos nossos entes queridos ou então aguardei que alguém chegasse com um caixão.

Enfim, depois dele, uma garota tocou uma música qualquer num violino. Como ela também não era da Greek, eu quis criticar, mas eu infelizmente não entendo nada de violino, portanto, apenas fiquei a olhando com minha melhor cara de "isso está horrível" até que ela terminasse. Para a sorte dela, ela nem olhou na minha cara. Depois de ver que dois alunos das ordens rivais já haviam se apresentado e ninguém da Greek havia se voluntariado, eu decidi me levantar. Mas levantei-me junto com um dos rapazes da minha fraternidade. Disfarçadamente, eu voltei ao meu lugar e esperei que ele começasse a sua apresentação. Uma outra garota subiu ao palco com ele e o casal começou a tocar uma música no cello. Eu me distraí propositalmente para que, ao contrário do que eu havia feito até agora, não notasse nenhum erro.

Depois do casal, eu achei que era minha vez, mas novamente alguém foi mais rápido. Dessa vez, uma garota asiática (e que não era uma greek). Ri baixinho comigo mesmo, pois logo a imaginei cantando a abertura de algum anime. Para minha surpresa, ela disse que cantaria uma música em coreano. Agora, me diga, que tipo de pessoa canta coreano nos Estados Unidos? Essa menina deve ter algum problema mental. De qualquer forma, ela cantou algo sonolento nessa língua alienígena que as pessoas falam na Coreia. Mas também tenho uma breve desconfiança de que ela inventou qualquer coisa, como a língua Simlish, do jogo The Sims.

Em seguida, quem se apresentou também foi uma garota da fraternidade rival. Eu nem sei o que era aquilo que ela estava cantando, mas ela parecia achar que estava muito bonito. Na verdade, eu reconhecia aquela música como sendo datada da pré-história, nos tempos em que ser "emo" e "gótico" era moda. Ela voltou para seu lugar e eu olhei para ver se ninguém se levantaria. Quando eu ia me voluntariar, um colega Greek se levantou também e pela terceira vez eu fui obrigado a voltar para meu lugar.

Eu conhecia aquele cara, não a ponto de sermos amigos ou mesmo colegas, mas eu já tinha ouvido falar dele e já o tinha visto varias vezes. Sabia que seu nome era Sebastian e que, como eu, ele era extremamente bom na música. Por isso, decidi prestar atenção em sua apresentação, confiando cegamente que ele não iria errar e impressionaria o professor Ernest. Graças a Deus eu estava certo. Sebastian cantou e tocou lindamente, como já era de se esperar de um membro da minha ordem. Assim que ele desceu do palco, eu me levantei subitamente.

-Se alguém aqui estava cogitando se levantar, eu sugiro que tire essa ideia da cabeça imediatamente. - Ameacei, levantando meu violão como se fosse um cassetete.

Eu não sei se peguei pesado demais, se fui grosso demais ou pareci realmente perigoso, mas ao menos eu devo ter intimidado alguém, já que ninguém ousou movimentar um dedo. Respirei fundo e fui até o palco rapidamente, subindo ali e trazendo o microfone para mais perto de mim. O professor me encarava fixamente, o que me deixava um pouco nervoso, mas nada que fosse realmente me atrapalhar.

-Meu nome é Pietro Bertolazzo - Falei, ao microfone. - Desculpem a revolta, mas eu realmente estou ansioso para tocar. - Eu fingi uma risada. - Talvez vocês não aprovem essa gênero musical, mas eu fui educado no Texas... e eles ouvem muito country. Essa música é da Taylor Swift, antes da era pop.

Limpei a garganta e encarei cada um dos alunos. Mesmo os alunos de outras ordens estavam na expectativa. Pelo visto, meu nome já havia passado de boca em boca como uma aposta para as aulas de música. Eu não podia decepcionar meus amigos e muito menos meus inimigos. Eu sentiria aquela música como nunca senti na minha vida. Logo meus dedos dedilharam as cordas do violão, sem a palheta, para que o som fosse mais natural. Muito em breve, a introdução de "Love Story" saía de meu instrumento musical perfeitamente. Fechei os olhos, para fins de melhor interpretação.

We were both young
When I first saw you
I closed my eyes
And the flashback starts
I'm standing there
On a balcony in summer air

O começo da música foi cantada doce e suavemente por mim. Eu não estava tão nervoso assim e imaginar a história que aquela música contava fazia com que eu ficasse calmo e cantasse melhor. Lembrei de Miss Langbottom no Instituto me ensinando a controlar a respiração enquanto cantava e dos elogios que eu recebia por ir bem nas lições. Abri um pouco meus olhos e encarei Ernest, que me olhava com expressão analisadora. Desfocalizei o professor e olhei para meus colegas da Greek. Um deles fez um sinal de "positivo" com o polegar pra mim, o que me fez sorrir.


Romeo take me
Somewhere we can be alone
I'll be waiting
All that's left to do is run
You'll be the prince
And I'll be the princess
It's a Love Story
Baby, just say "yes".


Nessa parte da música, toquei o violão mais rapidamente, demonstrando toda a minha habilidade. Para completar, eu ainda fiz uma expressão meio maliciosa, com direito a piscadinha e tudo, no momento da música em que eu digo "você será o príncipe e eu serei a princesa", o que arrancou risadinhas da maioria dos alunos. No momento do solo, eu me afastei do microfone e toquei olhando apenas para meus dedos, cheguei a fazer uma dancinha como se estivesse num show de rock.

Por fim, chegou a última estrofe:


Cause we were both young
When I first saw you.


Prolonguei um pouco mais do que deveria a última palavra e finalizei com um suspiro aliviado. Sem esperar qualquer reação da plateia, voltei para meu lugar e aguardei o fim daquela aula. Mais uma vez, eu esperava ter arrasado... afinal, eu sou Pietro Bertolazzo.

Música da rainha:
 

valeu @ cács!


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Mensagem por Daniel Ludke em Ter Jul 14, 2015 3:15 pm

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Falling in the pieces

Bip. Bip. Bip.

Não havia melhor despertador no mundo do que as notas curtas e contínuas de sua máquina de café.  
Deixou a escrivaninha e dirigiu-se para sua pequena bênção mecânica, cujo produto final fumegava, enchendo o quarto de calor e a sensação breve, porém ilusória, de estar em casa. Daniel não conseguiu lembrar de nenhum momento em que tivesse repousado os olhos sobre as casas multimilionárias - com seus cachorros que praticamente alimentavam-se de ouro em pó, os homens e mulheres cujos rostos eram tão endurecidos de botox que provavelmente superavam o escudo do Capitão América em termos de dureza - e pensado "Puxa, se algum dia eu for embora daqui, vou sentir falta."

Primeiramente que, puxa era um vocábulo o que ninguém usava. Segundo, um bando de velhos podres de rico não eram a melhor companhia, definitivamente. Mas foram quinze anos de sua vida entre os muros altos e a segurança máxima. E apesar de não gostar de admitir, esse era seu mundo. E deslocar-se para tão longe dele não estava sendo uma experiência exatamente agradável.
Aliás... Já estava tão tarde assim?

***


Felizmente foi fácil entrar na sala sem ser notado, uma vez que os alunos já estavam se apresentando. Reprimiu um gemido frustrado, por presumir que aquilo teria de ser feito por todos eles, provavelmente como uma forma de medir habilidades, tal como havia sido na sala de artes, com as camisas brancas. Localizou facilmente Arya e Alice, embora elas não estivessem juntas. Ou haviam chegado em horários diferentes, ou estavam brigadas. De novo. Asiáticas e suas diferenças irreconciliáveis.

Como Alice estava mais ao fundo, e havia um lugar vago ao seu lado, Ludke caminhou calmamente até ela - Perdi a hora. - falou em tom baixo - Nós vamos ter de subir lá, também? - diante da afirmativa alheia, ela suspirou e voltou o olhar para o palco. Inicialmente, talvez por conta das luzes, ele não pôde reconhecê-la de imediato. Porém, observando mais cuidadosamente, constatou que aquela era Daenerys, a garota que conhecera em uma de suas andanças noturnas. Tal como previra, ela era realmente muito habilidosa. Era uma pena ter chegado praticamente no fim de sua apresentação.

Logo após a garota, dois alunos subiram, o que subitamente inspirou Daniel - Então podemos ir em duplas... - observou - Escute - inclinou-se para perto de seu ouvido, a fim de que ela pudesse ouvir claramente sua ideia - nós podemos apresentar um de nossos números. Eu estou pensando em tentar algo com o piano, e você pode pensar em uma canção. - ele, Alice e Arya costumavam tocar e cantar juntos. Ambas garotas possuíam habilidades vocais impressionantes e Dan era muito bom com instrumentos, o que lhes rendiam horas bastante prazerosas com praticamente a única coisa que os três tinham em comum.

Após a dupla - cuja apresentação fora impressionante, ele tinha de admitir - uma figura rosa e saltitante  - Arya - subira. Era engraçado vê-la ali, parecendo tão tímida, quando geralmente ela era a mais extrovertida dos três. A garota saudou a turma e dirigiu-se ao piano, iniciando uma canção triste, porém bonita. Em algum momento da apresentação alheia, Alice lhe indicara a canção que tinha em mente. Daniel a ouviu atentamente, e voltou a endireitar-se no assento - Vou precisar de alguns minutos para me lembrar da sequência, já faz um bom tempo que não a ensaiamos.

Buscou o ipod em seu bolso direito, e colocou os fones. Sua sorte era ter gravado todas as melodias em uma lista de reprodução, de modo que ele provavelmente a encontraria por lá. Selecionou a faixa e deixou que as notas tomassem de conta de seus ouvidos, corpo e espírito. Não demorou muito, e suas mãos já estavam respondendo, tocando um piano imaginário. O estado de êxtase dissipou-se apenas quando a música acabou e ele tornou a abrir os olhos. Assentiu calmamente diante do olhar indagador da ruiva, e voltou a atenção para as apresentações.

Uma vez que parecia haver uma ordem de apresentação silenciosamente estabelecida, Daniel e Alice esperaram até que o aluno mais próximo deles se apresentasse para poderem se dirigir ao centro. O inglês andou calmamente, evitando qualquer tipo de contato visual com quem estava ao redor, uma vez que mantinha suas orbes fixas no instrumento de aparência elegante utilizado por Arya em sua apresentação.
Antes de sentar-se, Daniel preocupou-se em ajustar a altura da banqueta uma vez que, por ter sido ocupada anteriormente por pessoas de estatura menor, estava mais elevada. Após baixar o assento, o rapaz acomodou-se e foi testando algumas teclas, apenas com o intuito de familiarizar-se ao instrumento enquanto Alice fazia uma breve introdução.

Os alunos, apesar de estarem em grande quantidade, mantinham-se em silêncio, atentos, o que facilitou grandiosamente para que Ludke conseguisse se concentrar. Ele jamais havia tocado na frente de tanta gente, e torcia interiormente para que isso não viesse a ser um fator negativo. A garota posicionou-se ao lado do piano, de modo que ele poderia observá-la. Assim que esta inclinou a fronte, como numa indicativa de que poderia começar, ele desligou-se de tudo o que estava ao redor deles.

O tom que usariam estava algumas oitavas acima da música original. Não era realmente difícil, longe disso. Se o pianista se ocupasse apenas com a melodia de base, notaria que toda a canção era basicamente constituída por uma melodia composta de quatro períodos, com o diferencial apenas de tons. A quebra da rotina acontecia durante a ponte e entre o refrão e o verso seguinte.

A shot in the dark,
A past lost in space
Where do I start?
The past and the chase?
You hunted me down
Like a wolf, a predator
I felt like a deer in love lights

A voz de Alice encheu todo o ambiente durante a segunda repetição dos períodos, alta e clara, fluindo com uma emoção latente. Ela nunca lhe contara o motivo exato para ter uma ligação tão profunda com essa música em questão, mas ele podia sentir toda a dor e agonia que o eu-lírico apresentava nos versos.

You loved me and l froze in time
Hungry for that flesh of mine
But I can't compete with a she wolf
Who has brought me to my knees
What do you see in those yellow eyes
Cause I'm falling to pieces x4


Os dedos acompanhavam delicadamente a voz como se suas notas pudessem envolvê-la, protegê-la, para não haver distinção entre instrumento e voz. Ambos fluíam em um tipo de harmonia contínua, compactando-se de modo a parecerem um só corpo, um único pulsar. Quando a voz de Alice recolheu-se por aquele instante, o piano elevou-se numa sequência agitada de dedilhados contínuos, novamente em quatro períodos. Após estes, ela retornou trazendo consigo novamente a placidez do segundo verso.

Did she lie in wait
Was I bait to pull you in
The thrill of the kill
You feel, is a sin
I lay with the wolves
Alone, it seems
I thought I was part of you

Uma vez que já ganhara confiança o suficiente para compartilhar a atenção com algo além das teclas, ergueu a vista. A primeira coisa que encontrou foram as orbes alheias direcionadas para si. Piscou brevemente para ela, encorajando-a, e sorriu. Sentia que ambos estavam canalizando os sentimentos certos para a performance e ganhando cada vez mais desenvoltura. No momento em que se pôs a observá-la, já não conseguia olhar para mais nada.

You loved me and l froze in time
Hungry for that flesh of mine
But I can't compete with a she wolf
Who has brought me to my knees
What do you see in those yellow eyes

Já estavam aproximando-se do fim, de modo que começaram a jogar mais energia. Tanto a voz quanto o piano se tornaram mais intensos, mais carregados de emoção para preparar o ápice da música e assim encerrá-la. Daniel sentia-se leve, quase como se estivesse inebriado. Mas o sentimento dualizava-se, uma vez que ele também estava imperturbável, sólido como uma rocha e cada vez mais forte.

I'm falling to pieces
Falling to pieces
I'm falling to pieces
Falling to pieces

I'm falling to pieces
Falling to pieces
I'm falling to pieces
Falling to pieces


Quando Alice começou a executar a nota mais alta de toda a música, ele acelerou o ritmo, quase rindo da maneira natural como seus dedos saltavam de uma tecla para outra, cada mão ocupando-se com um trabalho diferente. Houve um momento em que o piano ainda mantinha-se energizado como uma última tentativa de manter-se em pé e a voz fora diminuindo. Porém, ambas logo voltaram a compartilhar da mesma sintonia, minguando-se juntas, dando a impressão de exaustão e dor. Alice fazia isso perfeitamente. Sua voz soava sôfrega, tal como alguém esgotado diante de todas as batalhas que a vida lhe impusera, e as notas agora eram agudas e delicadas. O ritmo foi diminuindo até que a última frase soasse como um último suspiro de vida, esvaindo-se. Ambos dirigiram-se silenciosamente de volta para seus lugares.

The song:
...

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Mensagem por Alice D. Madsson em Ter Jul 14, 2015 3:19 pm

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Data de inscrição : 07/07/2015

Music
My soul is here.
Assim que saiu da sala de Teatro Alice sequer vira Arya. Na confusão e euforia da aula que acabara, ela se perdera da prima e, quando entrou na sala de musica, não pôde se sentar perto da mesma uma vez que todos os lugares estavam lotados ali na frente. Dirigiu-se quase ao “fundão” da sala e se sentou uma das cadeiras vagas que havia por ali, rezando para Daniel aparecesse logo e não a deixasse ali, sozinha. Havia tanta gente para a bendita aula que a menina não sabia se conseguiria se manter tão afinada como de costume. “Céus, Ludke. Eu vou socar a sua cara se me abandonar.”, ela pensou e fixou a atenção no professor.

Ouviu com admiração a simples melodia expressa por seu professor e sorriu levemente, fazendo algumas breves anotações sobre as coisas que ele dissera anteriormente enquanto o mesmo tocava.

Alice era confiante. Tanto em seu canto quanto em sua habilidade para tocar mas acabava se sentindo desconfortável por tocar diante de tantas pessoas sem seus dois pontos de apoio e, embora Arya estivesse ali, só aquilo não bastava para acabar com seu desconforto.

O primeiro garoto a se apresentar parecia extremamente talentoso e, Alice sentiu-se ainda mais pressionada a fazer algo decente, embora não conseguisse pensar em nada muito impressionante.

Quando a garota ruiva começou a tocar My Immortal no violino Alice não pode deixar de sentir um arrepio subir por sua coluna, começou a cantarolar a música em um tom que apenas ela conseguia ouvir. Estava tão entretida em acompanhar a ruiva com a voz que nem notou Daniel se aproximando e acabou dando um leve salto na cadeira. – Atrasado, Ludke! Eu quero te bater, achei que ia me largar aqui. – murmurou com seu rotineiro veneno, logo se acalmando – Sim, todos nós temos que apresentar algo. Mas eu ainda não sei o que vou fazer... – ela murmurou.

A súbita pergunta de Daniel ao que o casal subiu no palco novamente fez Alice ser arrancada de seus pensamentos – Parece que sim... – respirou fundo e inclinou a cabeça para o lado do loiro, ouvindo o que ele tinha a dizer com tanta atenção que a apresentação do casal quase lhe passava despercebida. Ela sorriu. Daniel e Arya eram suas melhores companhias. Eles podiam fazer uma espécie de “trio musical” uma vez que as vozes eram de uma harmonia incrível.
Alice deu um sorriso discreto com o canto dos lábios enquanto via Arya, cada pêlo de seu corpo se erguera durante melodia que a prima cantava e tudo que ela pôde fazer foi sorrir e vangloriar-se do talento que tinham. Enquanto pensava que era a emoção expressa na voz alheia que trazia a beleza da música, Alice apenas virou o rosto e sussurrou próximo ao ouvido de Daniel – Nós podemos cantar She Wolf. Já fizemos isso várias vezes. Consegue se lembrar? – ela voltou para seu lugar, como se nada tivesse acontecido e assentiu quando o outro disse que iria tentar se lembrar. Quando Arya acabou ela a aplaudiu de alto e bom tom, sorrindo.

Enquanto ele parecia ouvir a musica, Alice apenas o olhava de forma intrigada e curiosa. Será mesmo que ele conseguiria se lembrar em tão pouco tempo? Um sorriso de alívio cresceu em seu rosto quando ele assentiu e ela finalmente fixou a atenção nos outros que estavam se aprsentando.

Alice sabia que havia sérias chances de seu psicológico parecer bastante abalado depois da música. Ele lhe trazia muitas lembranças. Eram lembranças dolorosas para a vida de Alice. Sua mãe a repudiando, sua namorada a abandonando por outra pessoa... a dor do desprezo e do fracasso do primeiro amor para quem ela havia se dedicado de forma pura. Alice tirou o casaco, largando-o no encosto de sua cadeira, e ficou apenas com as jeans rasgadas e a camisa branca levemente rasgada nas laterais enquanto caminhava em direção ao centro do palco. – Meu nome é Alice e aquele – apontou com a cabeça de forma discreta – é Daniel, ele irá tocar enquanto eu estarei cantando She Wolf. – sua voz poderia ser descrita como autoritária ou arrogante se não estivesse tão suave, ela caminhou de volta para perto do piano e apoiou as palmas das mãos sobre a tampa do mesmo.

Acenou discretamente para Daniel, inclinando a cabeça e o tronco para frente, indicando que ele poderia começar. Alice deixou que as enxurradas dolorosas de lembranças viessem em rios enquanto buscava seu timbre mais forte para começar a música, tudo isso em alguns segundos enquanto o maior introduzia a música com o piano:

A shot in the dark,
A past lost in space
Where do I start?
The past and the chase?
You hunted me down
Like a wolf, a predator
I felt like a deer in love lights



Agradecendo mentalmente por sua voz não falhar, ela fixou seu olhar no amigo e nos movimentos habilidosos com os quais ele tocava as teclas. De forma firme mas ainda sim delicada, como deveria ser.

You loved me and l froze in time
Hungry for that flesh of mine
But I can't compete with a she wolf
Who has brought me to my knees
What do you see in those yellow eyes
Cause I'm falling to pieces
I'm falling to pieces

Ela repetiu o ultimo verso mais três vezes e a cada vez que ela o repetia sua voz adquiria mais dor e força, era algo de mesma proporção. A medida em que a vida lhe trazia problemas, ela se tornava mais e mais forte. Deixou a destra pender ao lado de seu corpo enquanto apenas o som do piano invadia o local com um ritmo mais acelerado enquanto Alice respirava fundo.

Did she lie in wait
Was I bait to pull you in
The thrill of the kill
You feel, is a sin
I lay with the wolves
Alone, it seems
I thought I was part of you




Sua mão se fechou em punho de forma instintiva, o som do piano sempre acompanhando o timbre forte, sofrido e determinado enquanto prolongava a nota em “you” sem elevar o tom. Deu um sorriso tímido com o canto dos lábios quando seus olhos se encontraram com os do mais velho. A confiança que tinham um no outro e a dor de Alice pareciam ser os elementos chaves para aquela música.

You loved me and l froze in time
Hungry for that flesh of mine
But I can't compete with a she wolf
Who has brought me to my knees
What do you see in those yellow eyes
Cause I'm falling to pieces

Conforme se aproximavam do final a ruiva deixava que seu ar fosse se esvaindo de pouco em pouco a cada verso que cantava, dando ainda mais dramaticidade a coisa. Mesmo com todo o tom de “tortura” que timbre alheio passava, Alice estava com a postura confiante e firme. Como se nada mais a abalasse. Era praticamente a mascara que ela colocava em si mesma todos os dias.

I'm falling to pieces
Falling to pieces
I'm falling to pieces
Falling to pieces

I'm falling to pieces
Falling to pieces
I'm falling to pieces
Falling to pieces



Embora a nota mais alta não tivesse sido tão alta como deveria, ela ainda sim fez um bom trabalhando em mantê-la e até em complementa-la por um tempo consideravelmente longo. Sua mão direita, antes deixada ao lado de seu corpo, se apoiava na altura de seu diafragma enquanto ela minimamente curvava o tronco, deixando que aquela parte da música levasse todo seu ar. Recuperou o ar e as últimas frases saíram claras e tão sôfregas quanto o restante da melodia. Assim que sua voz se silenciou o piano a acompanhou, como se naquele momento ela já não existisse mais.


The song:

Wolf
I'm falling to pieces.


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Mensagem por Nadia Winbledeaux em Seg Jul 20, 2015 5:33 pm

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unsustainable
All teenagers scare the living shit out of me, They could care less!
Nadia corria como se o próprio diabo a estivesse perseguindo, tentando, sem sucesso, realizar várias tarefas enquanto esforçava-se para não chegar atrasada na primeira aula de música do ano. Enfiava o ukulele de madeira escura na bolsa estilo carteiro, enquanto impedia os óculos de grau de escorregarem por seu nariz delicado, assoprando mechas do cabelo loiro que escapavam do coque bagunçado. Era um desastre ambulante, esbarrando em outros alunos e professores, trombando em armários e, simplesmente, deixando um rastro de caos por onde passava. Aquela situação um tanto quanto desagradável fora o resultado de uma noite mal-dormida e um despertador sem bateria, que obrigara a jovem a realizar uma pequena mudança de planos em sua rotina: multi-tarefar.

O fichário de couro preto contendo suas partituras e o portfólio de artes escorregava devagar por debaixo do braço da garota, e, quando este caiu no chão, esparramou todas as folhas de papel no pátio interno da Weston Academy. Winbledeaux caiu de joelhos para juntar o material, que estava sendo espalhado tanto pelo vento quanto pelos adolescentes passando com pressa, sem se importar em ajudar uma colega qualquer. Ela enfiou tudo de volta no lugar e voltou a correr, xingando em três línguas diferentes - inglês, francês e um pouco de espanhol - descaradamente. Quando o sinal tocou, Nadia apressou o passo para entrar na sala de música, uma visão do paraíso no fim do corredor, antes das portas se fecharem definitivamente.

Felizmente, percebeu não ser a única a perder o horário de manhã; juntou-se ao outro garoto tentando entrar sem ser notado, espremendo-se pela porta. Dentro da sala, o professor, maravilhoso, diga-se de passagem, tocava uma melodia sem graça, simples e um tanto quanto tediosa. Nadia se perguntou por quê diabos alguém tão talentoso contentou-se com esta demonstração ridícula, e um olhar irritadiço enfeitou a face da loira. Silenciosa como um elefante de patins, se arrastou até uma cadeira vazia no fundão e largou a bolsa e o fichário no chão, fechando o cu com o barulho que fizeram ao tocar o solo. Detestava isso, sua falta de jeito natural com as coisas. Após a explicação rápida sobre a música medíocre - "mais antiga do mundo", bocejo - e a tarefa, Dia engoliu em seco. Odiava ser o centro das atenções. O D I A V A.

Observou em silêncio enquanto os colegas se apresentavam, agarrando o ukulele como se fosse uma âncora e ela estivesse se afundando no Oceano Atlântico. Mas, por que tanto medo de palco? A resposta é simples, Nadia realmente não faz parte do mundo da música, suas habilidades, apesar de decentes, eram longe das maravilhas que vários dos alunos apresentavam. Seu coração batia em ritmo frenético, dando saltos repentinos e acelerando o fluxo sanguíneo da egípcia. Conseguia sentir as bochechas esquentando e o pé tremendo de nervosismo. Percebeu, também, tarde demais, a ordem de apresentações, notando que sua vez se aproximava.

Cacete, por que escolhi essa aula mesmo?

Acabando a demonstração ridiculamente boa da japa e do cara atrasado, o professor lançou um olhar significativo para Winbledeaux. Esta engoliu em seco e se levantou, quase derrubando a cadeira no processo. Deixou escapar um riso nervoso e foi até o centro da sala, onde deveria tocar. Olhou para os outros desconhecidos e abriu um sorriso irônico.

Saudações, aí — Soltou, sentando no pequeno banquinho e ajeitando o ukulele. Sabia exatamente o que tocaria. Se queriam uma demonstração de sentimento e opinião, ah, pois receberiam. Qualquer um que conhecesse a história de Nadia, entenderia o desprezo por trás das palavras e da melodia cheia de pontadas — Nadia Winbledeaux, ukulele e Tennis Court da Lorde — Alguns olhavam embasbacados, chocados pela voz marcada de sarcasmo.

Os dedos dedilharam um corda qualquer de modo bruto, marcando o início da música e silenciando a todos. Ela lançou um olhar raivoso para Ernest que, em sua cabeça, representava todo a Academia e as burocracias que obrigavam-na a estudar ali. Ou melhor, ficar presa ali, pois o colégio era, literalmente, sua prisão domiciliar condicional. Apesar de não ser cantora, sua voz era melodiosa, e a raiva acumulada explodiu dando um tom acusatório à letra de Tennis Court:

Don’t you think that it’s boring how people talk?
Making smart with their words again
Well I’m bored

Because I’m doing this for the thrill of it,
Killing it
Never not chasing a million things I want
I am only as young as the minute is full of it
Getting pumped up from the little bright things
I bought

Apesar das palavras em si não terem esse propósito original, Nadia adequava-as à sua causa, deixando a frustração e o ódio temperarem o som alegre do ukulele. Até agora, focara-se nos acordes G Am F, nessa ordem. Para o refrão, deu uma pausa dramática:

But I know they’ll never own me (yeah)

Mudou para a sequência G C Am G F C G Am F e continuou. Tocava com naturalidade, sem o peso de um músico profissional, e cantava como se estivesse conversando com a platéia, o que, de fato, fazia. Dava um sermão no professor, o rosto mudando conforme a melodia seguia, acompanhando o sentimento com expressões de ironia e desgosto. A voz era firme, em tom de deboche, sem grandes compromissos:

Baby be the class clown
I’ll be the beauty queen in tears
It’s a new art form
Showing people how little we care (yeah)
We’re so happy
Even when we’re smiling out of fear
Let’s go down to the tennis court
And talk it up like, yeah (yeah)

Os acordes mudaram para a sequência inicial G Am F, e Nadia marcava o ritmo dando batidinhas no instrumento:

Pretty soon I’ll be getting on my first plane
I’ll see the veins of my city like they do in space
But my head’s filling up fast
With the wicked games, up in flames
How can I fuck with the fun again
When I’m known?
And my boys trip me up with their heads again
Loving them
Everything’s cool when we’re all in line
For the throne
But I know it’s not forever (yeah)

Repetiu o refrão uma vez mais, desta vez, para sua própria surpresa, a voz marcada por traços de tristeza trazidos pela lembrança de uma vida perdida. Nadia sentiu o peito doer com esses pensamentos. Graças a um erro estúpido que levou à sua prisão, fora obrigada a abandonar seus sonhos e seguir um caminho indesejado.

Baby be the class clown
I’ll be the beauty queen in tears
It’s a new art form
Showing people how little we care (yeah)
We’re so happy
Even when we’re smiling out of fear
Let’s go down to the tennis court
And talk it up like, yeah (yeah)

Diminuiu o ritmo e retornou ao tom de deboche:

It looked alright in the pictures (yeah)
Getting caught’s half of the trip though (yeah)
Isn’t it? (yeah)
I fall apart, with all my heart (yeah)
And you can watch from your window (yeah)
And you can watch from your window



Parou de tocar, fechou os olhos e deixou as cordas vocais atingirem seu máximo, cantando entre estalos dos dedos. Sentiu dar uma desafinada no auge do vocal, mas deu de ombros.

Baby be the class clown
I’ll be the beauty queen in tears
It’s a new art form
Showing people how little we care (yeah)


Baixou o instrumento no chão no meio da performance, cruzou as pernas e os braços e terminou a música sem acompanhamento:

We’re so happy
Even when we’re smiling out of fear
Let’s go down to the tennis court
And talk it up like, yeah (yeah)


Levantou-se, pegou o ukulele caído, fez uma reverência para Ernest e voltou para seu lugar, sentindo o peso de seu sermão no professor. Atrás do rosto corado de vergonha, encontrava-se traços de orgulho por ter conseguido superar a terrível tarefa.

OBS:
Onde está em itálico na letra é porque a Nadia deixou o tom mais agudo e alongou a palavra barra frase.
Música:
fuck
Nadia is at the music class, with a bunch of unknown kids. She's listening to Teenagers and she's wearing this.


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Mensagem por Mia Waldorf em Ter Jul 21, 2015 2:49 am

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Serait ce possible alors?
#2 . music:quelqu'un m'a dit
Eu estava ansiosa pela aula de música. E como não estar? A música é a voz da alma, fala qual a nossa áurea com melodia. E o que seria da dança sem a música?  A expressão não seria a mesma, fica mais fácil entender o sentimento trago pela dança quando há música para guiar. Contudo, confesso que meu dom não é bem esse. Estava mais para um hobby, uma ajuda para me entender como ser humano e para ligar com mais precisão a melodia aos passos de ballet. Independente das minhas intenções amadoras, estava animada para o novo. Minha mente já trabalhando a mil com ideias para serem transformadas em partituras.

Quando cheguei na sala de música, a maioria dos alunos já estavam sentados nas cadeiras dispostas em vários patamares. Acabei optando por me sentar mais ao fundo, já que as fileiras da frente estavam ocupadas pelos músicos com seus instrumentos em mãos e eu nada carregava. Escutei com atenção os ensinamentos do professor Ernest, que contava a história da música com paixão. De fato, a origem é bem interessante. A sua exposição ficou ainda mais enfática quando apresentou a música mais antiga do mundo. Sua execução foi muito bem feita, mas confesso, não gostei. Achei simplória demais, sempre fui fã de arranjos.

Para minha surpresa, aquela primeira aula não seria só teórica. O professor anunciou que estava na hora de mostrar nossas habilidades. Não sei o porquê de pensar que isso não aconteceria, talvez tenha ido para a aula distraída demais. O fato era que agora eu teria que pensar rapidamente em alguma música que soubesse de cor. Olhei para o instrumento que toco, o piano, exibindo-se majestoso do lado oposto da sala. E, olhando para ele, a única coisa que me veio em mente foi uma parte da nona sinfonia de beethoven, a primeira música que aprendi a tocar. Precisei decorar as notas para conseguir tocá-la, então até hoje apresento a música sussurrando “Mi mi fá sol sol fá mi re dó dó ré mi mi ré ré/ mi mi fá sol sol fa mi ré dó dó ré mi ré dó dó” . Não, não poderia tocar essa. Não sou tão boa como os outros, mas posso apresentar algo mais elaborado que uma versão infantil da nona sinfonia.

A medida que o tempo passava, mais e mais apresentações excelentes soavam perfeitas na acústica da sala. Pareciam que todos eram profissionais, o que para mim foi um pouco assustador. E, sem sombra de dúvidas, o melhor cover para mim tinha sido ‘thunderstruck’, por um casal com seus cellos. E não só por ser uma fã de ac/dc, mas também por ter adorado a vibração e sintonia dos dois. Um cara, cantando Ed Sheeran, e uma garota da minha ordem, cantando Lord, também chamaram minha atenção com suas interpretações. O primeiro pela voz, que teve a técnica para alcançar as notas do Ed, e a segunda pela emoção, ela parecia sentir a música.

Finalmente a minha vez. Levantei-me com um sorriso no rosto, abaixando o vestido florido, e levantei a mão. – Oi, pessoal! Eu sou a Mia Waldorf, eu toco piano e vou desenferrujar o meu francês interpretando Quelqu'un m'a dit. – Enquanto falava, caminhava até o piano. – Espero que o senhor não se importe de me emprestar o piano, professor, o meu não consegui carregar pra aula! – brinquei antes de me sentar no banco acolchoado que acompanhava o instrumento. Com a postura ereta de bailarina, levantei o tampo de madeira que cobria os teclados e posicionei minhas mãos. Com familiaridade, comecei a tocar a intro da música, lenta e suave. Era como se estivesse tocando na sala da minha casa novamente, para as experientes paredes escutarem com compreensão. Logo foi minha deixa para começar a cantar. Meu timbre não é nem dos piores nem dos melhores, mas minha afinação é perfeitamente aceitável.

ouvir Quelqu'un m'a dit:

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux

Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore
Serait ce possible alors

On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main
Alors on tend la main et on se retrouve fou

Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore
Serait ce possible alors


Deixei as palavras francesas fluírem com um leve sotaque enquanto meus dedos deslizavam pelo teclado do piano. Não ter a partitura da música poderia ser prejudicial, então precisei me concentrar nas partes mais complicadas de serem tocadas. Entretanto, no todo, estava conseguindo êxito na minha versão da música.

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit

Tu vois quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux


A sala estava em silêncio. Acho que não conheciam a música, ou não sabiam falar francês, ou só respeitaram o meu cover que não era uma imitação da Carla Bruni. Lembrei-me de cantar com intensidade, ou seja, alto o suficiente para que minha voz não fosse abafada pelo piano. Durante toda a música, busquei leveza no tom de voz que cantava, porque a música era suave como uma conversa tranquila. Por fim, cantei o último refrão e, feliz, acompanhei a melodia do instrumento com minha voz, com "hmmm" e "aaa", realmente curtindo o que estava fazendo.

Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore
Serait ce possible alors

Educadamente, meus colegas aplaudiram. Agradeci me curvando como no final de uma apresentação de ballet enquanto as cortinas se fecham. Tinha sido muito divertido e gostoso para mim cantar e tocar, esperava que também tenha agradado o resto do pessoal. O quanto antes o professor pudesse dar suas observações sobre minha performance, mais alegre eu ficaria. Estava curiosa para saber o que ele achou e o que eu preciso melhorar. Voltei para meu local, no fundo da sala, e terminei de assistir as apresentações, até que fomos liberados e eu me retirei da sala de música.

tradução:
Alguém me disse
Falam que nossas vidas não valem grande coisa
Elas passam em um momento, como murcham as rosas
Falam que o tempo é um bastardo
Que de nossas tristezas ele faz um casaco

No entanto alguém me disse
Que você ainda me ama
Alguém que me disse que você ainda me ama
Será isto possível então?

Falam me que o destino se diverte conosco
Que não nos dá nada e que nos promete tudo
Que a felicidade está dentro do alcance
Então você estende a mão e se descobre louco

No entanto alguém me disse
Que você ainda me ama
Alguém que me disse que você ainda me ama
Será isto possível então?

Mas quem me disse que você sempre me ama?
Eu não recordo mais, era tarde da noite
Eu ouço ainda a voz, mas eu não vejo o rosto
"Ele ama você, isso é segredo, não lhe diga que eu disse a você"

Você vê alguém dizendo a mim que você ainda me ama
Você realmente me disse que você ainda me ama
Seria isto possível então?

Falam que nossas vidas não valem grande coisa
Elas passam em um momento, como murcham as rosas
Falam que o tempo é um bastardo
Que nossas tristezas são aparência

No entanto alguém me disse
Que você ainda me ama
Alguém que me disse que você ainda me ama
Será isto possível então?
GO EGYPTIANS! X

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Mensagem por Riley Stravinski em Ter Jul 21, 2015 6:58 am

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Egyptians



the entertainer


A maioria das aulas até ali passara em um borrão despercebido. A mente da garota viajava entre lembranças e desejos futuros, causando uma breve repreensão em si mesma cada vez que "acordava" de tais distrações. "Se minha concentração 'tá assim na primeira semana, imagina no final do semestre", Riley pensou, com um toque de amargura.

O fato é que odiava ser obrigada a algo, e ela fora obrigada pelos pais a estudar na Weston Academy. Quaisquer tentativas de argumentar contra a decisão foram repelidas com severidade.
"Nós só queremos o seu bem, querida. Você pode continuar estudando música lá." E, quando seus protestos tornaram-se mais veementes: "Nem mais uma palavra. Até você atingir dezoito anos, a decisão é nossa."

Ah, a garota odiava quando os pais se impunham desta forma autoritária, sem ao menos pensar no que ela queria de verdade. Considerando tudo, até que estudar naquele local tinha seu lado positivo; ao menos não seria importunada a cada hora do dia por aqueles que a haviam criado.

Terminou de guardar seus materiais na mochila, passando-a para as costas, e saiu da sala de matemática com um suspiro. Consideraria seriamente a possibilidade de voltar para seu dormitório e passar o resto da manhã na cama, caso a próxima aula não fosse aquela pelo qual Riley estava naquele lugar.

Música.

Alongando o pescoço enquanto caminhava pelos corredores, ela aproveitava para observar os passantes. Era engraçado; sem querer estereotipar, ela facilmente identificava a que Ordem cada estudante pertencia. Havia algo no trejeito, no modo de falar, no brilho do olhar, que indicava tratar-se dos explosivos Nordics, dos estudiosos Greeks, ou dos distraídos Egyptians.

Com as facções, o colégio tinha acirrado a disputa típica do colegial, e isso deixava a Stravinski nervosa. Ela odiava conflitos de qualquer natureza, embora fosse inegável que defenderia com unhas e dentes seus princípios e desejos. E foi com estes pensamentos em mente que entrou na sala de música, entre tantos outros estudantes com o mesmo propósito. Procurou um assento afastado da frente da sala, de onde pudesse observar tanto a aula quanto os outros alunos. Acomodou-se e puxou um chiclete de um pacote, mascando-o enquanto aguardava o início da classe.

Tão logo o professor iniciou sua fala, Riley desligou-se de seus pensamentos e prestou atenção. O discurso sobre a criação da música já era bem conhecido da garota; na verdade, escutava-o de sua mãe, mais ou menos na frequência com que se recusava a praticar piano, que era bem alta. Após isso, o mestre dedicou-se a tocar aquela que detinha o título da música mais antiga do mundo. Era uma melodia animadinha, até, e em muitos pontos lembrava a famosa An die Freude de Beethoven, ou seria o Ode à Alegria que recordava essa antiga canção?

De qualquer forma, a aula prosseguia, e a tarefa agora era mostrar por que todos escolheram aquela aula. Fazendo pequenas bolinhas com o chiclete, Riley deixou muitos alunos apresentarem-se antes de subir ao palco. Não prestou atenção na maioria, pois novamente perdera-se em pensamentos ao tentar descobrir como proceder dali em diante. Estava claro que tocaria um elegante Steinway & Sons, mas apenas porque nunca tentara nenhum dos outros instrumentos ali - além da harpa, claro, mas esta fora uma experiência curta e desastrosa.

Depois que uma garota - Mia - apresentara-se amavelmente no piano, Riley decidiu que chegara a hora de executar sua tarefa. Levantou-se e dirigiu-se para o piano no palco, parando para jogar o chiclete mascado na lixeira. O silêncio ainda reinava absoluto enquanto a russa sentava-se na banqueta, regulava sua altura e mexia seu corpo de um lado para o outro, acomodando-se. Respirou fundo, observando o instrumento. Era assaltada por tantas memórias que quase esquecera de que era observada por uma pequena multidão. Levantando os olhos, apresentou-se. ― Meu nome é Riley... Stravinski. ― Calou-se. Deveria dizer o que iria performar mas, para ser sincera, não fazia a menor ideia.

Passou a ponta dos dedos de leve pelas teclas monocromáticas, sem emitir som algum. Quase podia ver a mãe a seu lado, os cabelos presos em um firme coque, o rosto severo e vermelho, as palavras ditas em tom baixo que assustavam mais que qualquer grito.
"Você não sabe distinguir um acorde menor de um maior, mia figlia?" E ela bate o longo indicador na pauta musical. "Isso aqui é um acorde minore. Minore! Entendeu?" E a pequena garota entra em desespero pela enésima vez naquele dia. Quer sair daquela sala, ir brincar fora de casa, mas não. Precisa tocar, até os dedos travarem, até a vista cansar, até os braços doerem...

― Riley?

A voz do instrutor retorna Riley à realidade em um sobressalto. Ela olha rapidamente a seu redor, engolindo em seco, como conferindo se o fantasma de sua mãe ainda permanecia por perto. ― Desculpe, professor. ― Ela baixou os olhos; suas mãos tremiam. Respirou fundo e continuou. ― Eu vou tocar The Enternainer, de Scott Joplin. É um clássico de mil novecentos e dois, algumas pessoas podem reconhecer a melodia de filmes ou videogames... Enfim. ― Levantou as sobrancelhas, irritada consigo mesma por gaguejar no meio das frases. Mas, procurando deixar isso de lado e concentrar-se, voltou a baixar os olhos para o piano.

Logo seus dedos iniciaram a dança descendente entre as teclas, em uma velocidade mediana. Para aquela música, em específico, Riley não precisava de partituras; treinara por tantos anos que poderia tocar no escuro e sem escutar as notas. Após a introdução, onde o ritmo intensificara-se, ela podia ver cada nota em sua mente, como se gravadas em fogo. Junto com a melodia, outra lembrança parecia remexer-se no fundo da consciência da ruiva.  

Ela tinha oito anos. Praticara por quatro horas, naquela manhã, e não aguentava mais. Seu pai estava no escritório, como sempre, distante demais para salvar a pequena Riley da severidade do treinamento da mãe. Seus dedos tremiam tanto do esforço repetitivo que, após errar novamente o trio de The Entertainer, ela bateu os cotovelos nas teclas e escondeu o rosto, chorando.

Alertada pela ausência da melodia, sua mãe aparece. Não faz menção de consolar a filha... pelo contrário! Em um grito, ordena que a pequena pare de derramar lágrimas sob o instrumento - poderia estragar as teclas!

― Nunca mais quero tocar. Eu odeio o piano! ― Riley berrou, levantando-se e derrubando a banqueta de madeira no processo. Antes que a mãe abrisse a boca para repreendê-la, ela continua. ― E odeio você por me obrigar a isso!

E tentou afastar-se da sala, esconder-se em seu quarto, correr para a cozinha, qualquer coisa, mas a mãe segura seu pulso com força antes que pudesse reagir. Por um momento, seus olhares se intercruzam. Dois pares de orbes claras, uma criança e sua versão adulta, em um embate silencioso e raivoso. Riley não prevê o que está por vir.

Um sonoro tapa no seu rosto.

A surpresa é tanta que as lágrimas até lhe somem. A mãe nunca lhe batera antes.

Riley era jovem demais para entender a sucessão de sentimentos que tomaram lugar no rosto de sua mãe. A própria surpresa, choque, raiva, tristeza, antes de culminar em uma expressão neutra, uma profunda inspiração e um tom de voz bem mais controlado, como se os últimos segundos não tivessem existido.


― Agora, quero ouvir a quarta seção de novo. ― Cada palavra fora pronunciada separadamente em seu claro sotaque italiano, tirando quaisquer margens de resposta para a pequena. Virando as costas, a mulher saiu apressadamente da sala, deixando para trás uma pequena garota que estava em conflito demais consigo mesma para esboçar uma reação decente.


A ruiva não percebera, mas imprimira um toque tão grande de raiva a cada pressão nas teclas que a peça perdera seu tom cômico. Seu rosto contorcera-se em uma máscara amarga, mas sem errar uma mísera nota. É, a mãe fizera bem seu trabalho. Riley tocava a introdução pela segunda vez, sem nunca desviar os olhos das teclas. Não estava ali, na realidade; estava na sala bem-iluminada e arejada da casa onde crescera, extraindo de um piano os sons mais perfeitos que conseguia, sob o olhar rigoroso de uma mulher que aprendera a odiar.

O último período da música era a seção D, tocada uma oitava acima do tom principal. A velocidade era rápida e constante, as notas tocadas equivaliam a praticamente toda a extensão das teclas. Riley balançava a cabeça de um lado a outro, negativamente, acompanhando o movimento das mãos, alternadamente. Quando, por fim, atingiu o que finalizava a música, levantou-se de um salto da banqueta.

A respiração estava forte, pesada. O nariz, franzido, e a boca, torcida em uma expressão indecifrável. Alguns segundos passaram-se antes que o eco das notas finalmente desaparecesse de sua mente, e foi só ai que lembrou-se que estava na sala de música, na Weston Academy, bem longe de casa e bem longe de sua mãe. Passou o olhar rapidamente sob os alunos, então, virou-se para o professor e curvou-se levemente. Desceu o palco em seus passos silenciosos, voltando para o lugar afastado em que deixara sua mochila. Mantinha uma máscara séria no rosto e decidiu que, a menos que tratasse de sua raiva pelo piano, era melhor não aproximar-se mais dele no futuro.



música apresentada:

valeu @ carol!


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Aula 2: l♡ve s♡ng


Talvez algumas opiniões se divirjam quanto a isso, mas a primeira aula de música havia sido um sucesso, nota de aplausos mentais, se eu quisesse por todos aqueles garotos num palco hoje poderia fazer isso sem medo, e saber que a turma era de um nível tão alto só me dava mais confiança pra voltar e ver até onde podiam chegar.

Fazendo um flash back das apresentações da semana passada, já disse que todas foram boas, mas algumas foram excepcionais! Existia alguma coisa na água da ordem nórdica que os fazia se destacar de todos os outros, analisando cada apresentação, meus pensamentos sempre retornavam pro mashup nórdico cantado por Hanna, outras apresentações foram de uma magnitude muito próxima, um rapaz grego que cantou Ed Sheeran passou perto de ganhar o bônus de melhor apresentação, mas era impossível não dá lo pra garota Nórdica.

Os alunos que se dedicaram exclusivamente a tocar, em geral não acabaram dando quanto eu gostaria que dessem, houve um nórdico, Ludke, sem dúvidas o melhor instrumentista da turma, sua performance foi em parceria com outra garota da mesma ordem, ambos geniais, tão geniais que inspiraram a aula seguinte.

Como na semana anterior, cheguei na sala alguns minutos antes do horário, tempo o suficiente pra ajeitar algumas partituras e até mesmo tomar algumas decisões de última hora sobre que rumo a aula tomaria, agora que já os conhecia até certo ponto, pensava em alguma forma de tirá-los de sua zona de conforto, correndo o risco de fazer justamente o contrário, o tema perfeito pra aprofundar cada um dentro da matéria, apesar de cliché, é o amor! E como um sentimento novo que nasce de uma mera troca de olhares durante as férias de verão, She Wolf permitiu-me ver que Ludke e Arya tinham a química que eu queria encontrar em outros ali. Não tardou até que a sala fosse de deserto absoluto pra pré venda de ingressos da Katy Perry, deixei uma última pilha de partituras sobre o piano e com um sorriso gentil estampado nos lábios fui até o centro da sala, notando que os alunos apresentavam uma postura diferente se comparados a aula anterior, aquele receio e ar dúvida havia agora dado espaço pra jovens que emanavam confiança. - Bom dia, meus queridos! Antes de começar a aula quero pedir uma salva de palmas para nossa colega Hanna, quem arrematou os pontos extras de melhor performance. - Meus olhos se voltaram pra garota quando pronunciei seu nome, e gesticulei para que se levantasse e agradecesse os aplausos, quando a garota voltou a se sentar aparentemente corada pela exposição, minha atenção voltou a ser dividida entre todos. - Amor! -disse de maneira bem destacada, fazendo a palavra soar como uma espécie de título a tudo que viria a seguir - Amor é o mais contraditório dos sentimentos, fogo que arde sem doer, ferida que dói e não se sente, aquele contentamento descontente, como bem disse Camões, sem dúvida o maior produtor de cultura de todos os tempos, seja na música, no teatro, na literatura ou no cinema, amor costuma ser a fonte de 98% de tudo o que nos rodeia. - Nao era um dado real, mas nesse momento eu demonstrava um olhar tão apaixonado por cada uma das informações proferidas que até eu acreditei que aquela hipérbole se tratava de uma constatação, meu semblante se tornou mais ameno antes que eu continuasse mantendo agora um ar explicativo na voz. - Claro que com tantas visões de amor, não dá pra esperar que haja uma hegemoniedade na coisa toda, a idéia de amor sofre mudança desde Platão até Pablo. Mas uma coisa é certa, pro amor valer a pena ele geralmente vai envolver você e mais alguém, por que precisam ser dois, or three, or four. Citando nossa contemporânea Britney Spears. - Sabe quando você percebe que falou um monte mas ainda não deu informação nenhuma, eu estava me vendo nessa posição agora, um suspiro se deu antes de partir pra um texto mais direto e livre de firulas - Aonde quero chegar com tudo isso é que dessa vez vocês farão um trabalho em duplas, trios também serão aceitos, mas a regra é que cantores deverão se juntar com instrumentistas - Uma falha que tinha sentido nos instrumentos era a falta de continuidade na apresentação, aplicando um cantor pra ajudar esperava que houvesse alguma evolução nesse trabalho. E obviamente essa filosofada não foi por nada, músicas de amor! Se apaixonem uns pelos outros outros e me façam "shippar" vocês no palco. - Finalizei fazendo uma breve reverência e abrindo espaço para quem quisesse começar.


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Mensagem por Sebastian Tucker em Sex Ago 07, 2015 9:18 pm

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Greeks

STYLE
.
I got that James Dean thing that u like
Cheguei ao meu quarto exausto depois da minha corrida matinal e tive que correr para o chuveiro onde tomei um banho rápido. Não queria chegar atrasado à aula de música então busquei a caixa com roupas que ganhei da Calvin Klein – uma das vantagens de ser modelo é essa: ganhar roupas de graça – e puxei uma calça jeans preta, uma blusa branca e calcei meu vans. Penteei meu cabelo para trás, peguei meu celular e sai vestindo uma jaqueta preta. Humor de hoje: Gótico.

Fui o primeiro a entrar na sala de aula e estava relativamente feliz naquele dia considerando os fatos das ultimas semanas. Primeiro meu pai: Além de me proibir fazer qualquer trabalho como modelo, me tirou a mesada. Contudo, o velho ainda não sabia lidar comigo como minha mãe sabia. Ela mesma me ligou no fim da semana para avisar que a Calvin Klein me queria em mais uma campanha e que autorizaria minha saída. Por isso eu lhes aconselho: Sejam inimigos de qualquer pessoa da sua família menos da sua mãe. Segundo e pior caso: Descobri que minha ex-namorada, que me odeia, estuda aqui. Isso me perturbou por um tempo tendo em vista que ao invés de virar uma baranga ela estava ainda mais gata, embora tivesse ficado chata e tagarela. Mas não quero falar disso, o importante é não nos cruzarmos e graças a Deus esse colégio é gigante e a probabilidade disso acontecer é quase nula. Enfim, tive um papo rápido com o professor onde pedi algumas dicas para melhorar meu desempenho e fui caçar um lugar no meio da, agora cheia, sala.

A primeira coisa que aconteceu foi Ernest pedir uma salva de palmas para Hanna, a loirinha bonitinha, e a mesma agradecer. Não pude evitar bater fortes palmas, arriscar uns assobios divertidos e falar algumas gracinhas apenas por brincadeira. Fomos interrompidos pelo gordinho gritando a palavra “Amor” e logo fiz uma careta. Tudo bem que ele estava certo em dizer que amor era uma das maiores inspirações para tudo na vida, mas não tinha tema melhor não? Eu não era bom com sentimentos. Em todo caso, o professor nos deu as instruções para a aula do dia: Deveríamos formas duplas, trios ou até mesmo grupos onde necessariamente deveria ter, pelo menos, um cantor e um instrumentista.

Assim que me levantei em busca da minha dupla ou grupo, um garoto, de estatura média, veio até mim pedindo para fazer dupla comigo, pois adorou meu trabalho na aula passada. Não contive um sentimento de orgulho dentro de mim e aceitei, é claro. Eu disse que sou um cara legal. Ele sentou do meu lado e começamos a conversar sobre possíveis músicas que podiam se encaixar bem no tema e ainda cativar a platéia, mas o cara era um zero a esquerda, concordava com tudo que eu falava e já estava ficando meio chato. Respirei fundo para não dizer um palavrão ali mesmo, então decidi que precisava tirar a água do joelho. Avisei ao professor que iria ao banheiro e me apressei em não demorar, tínhamos que decidir o tom certo da música. Quando entrei na sala, avistei minha dupla conversando com uma garota que me era muito familiar. Mas não podia ser. Não aqui. Não na MINHA aula. Andei com passos firmes e fui recebido com aquele tom arrogante e prepotente dela como se aquela fosse a sua dupla. – Deixa de ser otária, Waldorf. O cara é minha dupla. – Fui grosso enquanto a puxava pelo braço, tirando-a da minha cadeira, mas logo o professor nos interrompeu dizendo que seriamos um trio. Ótimo. Será se o tema poderia ser mudado pra ódio? Repudio? Ou “Como conviver com minha ex namorada gata que me odeia”, talvez? Eu aceitaria os três temas. Quem sabe uma consulta num psiquiatra também.

Tentei argumentar com o professor de que já tínhamos uma música escolhida: Em vão. Mia continuou tagarelando dando N justificativas, mas como eu disse antes: Em vão. Ernest não mudaria de idéia. Foi então que, ignorando-a, voltei a falar com minha dupla. – Como eu disse antes, a gente pode mudar o tom de para lá menor, o que tu acha? – Olhei para Kyle, que ficou calado olhando pra Mia como se dissesse “Não vai dizer a música pra ela?” e então eu bufei. – A música é Style, da Taylor Swift. – Pronto, como o esperado, ela implicou com a cantora e ainda sugeriu outra música. Tudo bem que Taylor Swift não é a melhor cantora da atualidade, mas quer alguém com mais músicas de amor que ela? Todas tinham algo por trás das letras e isso era bom de trabalhar no palco. A discussão se prolongou por um bom tempo até que me irritei e sugeri fazer um mash up das duas músicas: Style e Blank Space. Mia, por um milagre divino, concordou e logo comecei a discutir a melodia com Kyle que tocaria o violão. A seqüência seria: Dó com baixo em Sol (C/G), Lá menor (AM), Fá (F), Sol (G) e voltaria pro Dó com baixo em Sol (C/G). Para mash ups era sempre melhor uma melodia mais simples onde combinasse o ritmo das duas músicas. Escrevi a combinação das duas num rascunho e decidimos onde cada um cantaria. Ficou decidido que a voz dela se sobressairia e eu ficaria com a harmonia dos versos e algumas estrofes. Nunca esperei tanto pra uma aula de música acabar quanto aquela, então quando o professor disse que teríamos que começar  levantei sem nem ao menos olhar na direção da garota e foi recíproco, até porque quando chegamos ao palco ela virou de costas pra mim e fiz a mesma coisa. Provavelmente era uma cena no mínimo engraçada, tendo em vista que Mia era MUITO mais baixa que eu. Não conseguia sentir, de fato, as costas dela perto da minha, mas conseguia sentir aquele calor de quando tem algo te incomodando próximo, sabe? Mas música era muito importante pra mim e ela não estragaria minha apresentação. Respirei fundo e comecei com o refrão de Style:

I got that James Dean day dream look in my eye
And you got that red lip classic thing that I like
And when we go crashing down, we come back every time.
Cause we never go out of style
Out of style


So it's gonna be forever
Or it's gonna go down in flames
You can tell me when it's over
If the high was worth the pain
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
'Cause you know I love the players
And you. love. the game.


Kyle entrou com o violão assim que falei “James” juntamente com Mia cantando o refrão de Blank Space. Minha voz não estava tão grave quanto costumava ser porque eu precisava harmonizar ela com a de Mia, mas saiu na afinação perfeita, o que me deu mais confiança para saber que eu poderia atuar um pouco ali. Waldorf não estava indo mal, eu realmente gostava do timbre da voz dela. Era calmo, suave e gostoso de ouvir. Tanto que não pude deixar de me lembrar dela cantando enquanto me fazia cafuné.

Midnight, you come and pick me up
No headlights
Long drive, could end in burning flames or Paradise

Acordei dos pensamentos quando ouvi o “Oh” prolongado dela e sentia sua mão puxando meu braço enquanto a acompanhava em “Midnight.” Estreitei um pouco os olhos não entendendo exatamente o motivo daquilo e pude ver, com o canto do olho, o olhar atento de Ernest. Provavelmente Mia tivera a mesma idéia que eu em interpretar a música. Criei harmonia em “headlights”, “long drive” e “Paradise” sem nunca quebrar nosso olhar.


Cause we're young and we're reckless
We'll take this way too far
It'll leave you breathless
Or with a nasty scar
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
But I've got a blank space, baby
And I'll write your name

Ela agora começou com Blank Space, se afastando de mim uns dois passos. Eu continuei ali parado, apenas olhando pra ela cantar com um sorriso entre os versos, que interpretei como provocação. Fala sério, ela estava usando aquela merda de batom vermelho que eu tanto adorava e ainda tinha a audácia de sorrir pra mim! Se aquilo não era provocação era o que? Como o combinado, fiz a harmonia entre um verso e outro, às vezes muito baixo propositalmente, só para que pudesse ter algo completando a voz feminina.

I got that James Dean day dream look in my eye
And you got that red lip classic thing that I like
And when we go crashing down, we come back every time.
Cause we never go out of style
Out of style

Mas não aguentei até que ela terminasse sua parte. Assim que terminei de harmonizar o penúltimo verso, dei três passos para frente, acabando com a distância que existia entre a gente, enquanto cantava o primeiro verso com um sorriso malandro no rosto. No momento em que cantei o segundo verso, subi minha mão para o rosto dela fazendo um carinho com as costas dos dedos e contornando seus lábios vermelhos, do jeito que ela gostava e, é claro, Mia não deixou de me provocar ainda mais com aquele sorriso. O que me deixou com vontade de brincar mais um pouquinho e um pouco mais pesado, talvez. Então, iniciei o terceiro verso mantendo a afinação dando mais um passo pra frente e envolvendo a cintura dela com um dos meus braços carinhosamente, com a intenção de fazê-la lembrar de como era bom estar comigo, enquanto mantinha minha mão acariciando seu rosto. Vi que ela abaixou o olhar e puxei seu queixo em “we come back every time” a encarando nos olhos enquanto cantava, como se estivesse afirmando pra ela que a gente, embora todos os acasos: “We never go out of style”. Senti-a fraquejar nos meus braços e afirmei o verso anterior com certa superioridade e obviedade cantando “Out of Style”.


- Fade into view... – Apesar de ela ter conseguido alcançar a nota, senti a voz de Mia tremula e seu olhar baixo novamente. Talvez aquela mistura de lembranças tenha sido demais. Eu sei o quanto ela sofreu. Recebi uma ligação da mãe dela chorando e me xingando de todos os palavrões possíveis enquanto esbravejava que a filha dela não parava de chorar. Ela não conseguiria seguir com o verso seguinte sem chorar, a conhecia bem o suficiente pra saber isso, e eu sabia, também, que Mia não choraria ali, na frente de todo mundo e muito menos na minha frente. Foi por isso que completei o verso seguinte sem pensar duas vezes. - It's been a while since I have even... – Senti ela se afastar enquanto cantávamos o verso seguinte juntos. – Heard from you. – Respirei fundo e mordi o interior do meu lábio enquanto buscava o olhar dela de novo.


I should just tell you to leave cause I
Know exactly where it leads but I
Watch us go round and round each time

Mia estava visivelmente nervosa, mantinha as duas mãos com as palmas voltadas para mim, mas não errava nenhuma nota. Conseguia ver que tinha dor ali e não me sentia bem com isso. Não me atrevi a fazer a harmonia que estava combinada.

I got that James Dean day dream look in my eye
And you got that red lip classic thing that I like
And when we go crashing down, we come back every time.
Cause we never go out of style
We never go out of style


So it's gonna be forever
Or it's gonna go down in flames
You can tell me when it's over
If the high was worth the pain
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
'Cause you know I love the players
And you love the game

Eu até tentei me aproximar dela quando chegou meu refrão, mas a mesma fez um gesto com a mão para que eu parasse. O que me irritou. Eu poderia pedir desculpas? Poderia sim, mas não ia. Sabe por quê? Porque ela não me ouve. Ela só quer saber do que ela acha que é certo, tem que ser tudo do jeito dela e se não for, esta fora. Minha mãe costumava falar que éramos idênticos nessa questão, mas discordo. Apesar de parecidos, Mia era muito melhor que eu. Eu me irritava mais fácil e tinha a cabeça mais dura que a dela. E era muito mais competitivo que ela. Foi por isso que liguei o foda-se no cavalheirismo de deixar minha voz menos impactante para que a dela se sobressaísse. Ela que se virasse e se tivesse que ficar com nota baixa, ficasse. Foda-se. F-O-D-A-SE.

I got that long hair, slicked back, white t-shirt.
And you got that good girl faith and a tight little skirt,
And when we go crashing down, we come back every time.
Cause we never go out of style
We never go out of style.


'Cause we're young and we're reckless
We'll take this way too far
It'll leave you breathless
Or with a nasty scar
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
But I've got a blank space, baby
And I'll write your name

Aumentei meu tom de voz na estrofe seguinte, sem perder a afinação e comecei a andar na direção dela de novo enquanto passava a mão no cabelo penteado para trás e tirava a jaqueta preta, mostrando a blusa branca que eu estava usando por baixo e a puxando-a para frente como se jogasse na cara dela tudo aquilo que ela gostava e agora fingia não sentir absolutamente nada. Ela aumentou a voz também, andando para longe de mim. Comecei o segundo verso com certo deboche no modo como cantava, mas mantendo a afinação. Juntei as duas mãos na frente do peito imitando uma santa e apontei para suas pernas em seguida. Minha respiração estava mais pesada e podia ver que ela me desafiava da mesma forma, colorindo todos os versos e gritando em “breathless” alcançando uma nota que eu não sabia que ela fosse capaz. Em seguida, virou de costas pra mim e foi andando pra frente. Maldita! Ela sabia que eu odiava quando me davam as costas! Foi por isso que em “we come back every time” eu puxei ela pelo braço e a segurei firme pela cintura, fixando meu olhar no dela e cantando o “we never go out of style” com certa agressividade e obviedade, mas aquela porra de olhar me quebrou de uma forma absurda e acabei, involuntariamente, encostando nossas testas enquanto repetia o  “out of style” mais calmo e suave.


Midnight, you come and pick me up
No headlights
Long drive, could end in burning flames or Paradise

Cantamos juntos o ultimo refrão e pude sentir uma pequena palpitação dentro do meu peito. Nós, sem dúvida, terminaria como aquele final de estrofe dizia: Em chamas ou em um paraíso. Eu votaria nos dois, Mia tem um fogo interno que não quero que ela perca. Porém, contudo, entretanto, embora eu tivesse sentido essa palpitação, estivesse queimando por dentro de vontade de beijá-la, sorri pra ela com certo deboche enquanto os colegas aplaudiam a gente. Não sabia o que eles tinham percebido, mas deixaria claro que aquilo era apenas atuação. Não deixaria ninguém pensar nada ao contrario. Fui até Kyle e dei um toque em sua mão em agradecimento e parabenizando-o pelo bom trabalho, sem deixar de falar em alto e bom som. – Se virou bem pra caralho acompanhando a gente nas partes que não estava combinado a mudança de tom. Mas e ai, gostou da minha atuação? Interpretei bem a música?

Logo estava longe de Mia e sentado ao lado de Kyle enquanto assistia a apresentação dos outros alunos e ignorava a queimação dentro de mim onde eu sentia necessidade de olhar pro grupo dos egípcios.

| 2803 words | Checar Spoiler ©



Legendas e música:
Azul = Sebastian cantando sozinho
Azul itálico = Sebastian como voz principal e Mia harmonizando
Verde = Mia cantando sozinha
Verde itálico = Mia como voz principal e Tucker harmonizando
Italico e Negrito = Ambos cantando juntos.

Vídeo:

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Mensagem por Mia Waldorf em Sab Ago 08, 2015 1:36 am

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Blanck f*cking Space
#13 .  clothes: aqui with tucker
Empurrei a porta da sala de música devagar, com medo de interromper o discurso do professor ou alguma apresentação. Por sorte, ninguém pareceu notar minha entrada à francesa, todos estavam reunidos em duplas ou trios, conversando, rindo e afinando instrumentos. Apesar de envergonhada, precisava descobrir a introdução que havia perdido. Logo, direcionei-me até o professor Ernest, pedindo desculpas pelo atraso e buscando orientação. Mesmo parecendo não ter gostado  da minha falta de pontualidade, Ernie, educado como sempre, explicou que deveríamos cantar uma love song com muita veracidade. Em seguida, ele me indicou um garoto sentado a alguns metros, com um violão em mãos, para que eu combinasse a música a ser apresentada.

Se quiser falar de amor fale com o marcinho, a música é a melhor maneira. O sentimento mais confuso e complexo inventado pelos seres humanos de fato é pauta para as canções mais tocantes que já escutei. Amor platônico, não correspondido, correspondido, perdido, só carnal, transcendental... São tantas opções que, no caminho até o garoto do violão, fiquei cogitando qual estilo seria o melhor para fazer com que o professor e meus colegas pudessem sentir a emoção que a letra e a melodia passam. Uma clássica Whitney Houston talvez? Ou algo mais moderno, como Rihanna? Estava prestes a dar ideias quando alguém no mínimo desagradável se aproximou de mim e da minha dupla. – Tucker... – disse ao revirar os olhos – Eu sei que é difícil ficar longe de mim, mas eu tenho uma apresentação para preparar. – Continuei em tom irônico – Então, xô! – Balancei as duas mãos como quem expulsa um cachorro de rua.

Infelizmente, aquela aula não teria o final feliz que imaginei. Depois de ouvir pela boca do meu ex namorado – e atual pesadelo - que a minha dupla na verdade era a dupla dele, o professor confirmou que nós três éramos um trio. Tentei argumentar que três é demais, Tucker poderia cantar sozinho já que ele só ama a si próprio. Eu também não me importaria de mudar de grupo, sugeri já apelando ao máximo. Contudo, Ernie foi irredutível e nós fomos obrigados pela desgraçada Lei de Murphy a fazer a apresentação juntos. Se eu não tivesse me atrasado, poderia ter feito com algum amigo. Sem alternativa, restou-me ser minimamente profissional. Posso não ser a melhor das atrizes, mas consigo fingir por 3 minutos ter algum sentimento pelo infeliz. Entretanto, como estava lidando com um cabeção, já não nos entendemos na escolha da música. - Taylor Swift? É sério isso? Se for para cantar alguma música dela que seja Blank Space, que é menos melosa. – falei revoltada. Ele queria Style, mas cantar “nós nunca saímos de moda” com certeza não me deixaria relaxada por ser uma mentira absurda demais até mesmo para atuar.

O cara do violão, por sua vez, era um verdadeiro figurante, topava qualquer coisa que escolhêssemos, o que complicou bastante o voto de minerva para escolha da música. A sugestão de Tucker de fazer um mashup combinando as canções parecia ser a única saída para o impasse, então decidi concordar. Entretanto, depois do consenso, estava com outro problema. Sou uma amadora, enquanto ele, um cantor com técnica profissional. Eu me recusava a ser apagada pelo talento dele, mesmo sendo uma cantora medíocre, faria de tudo para me destacar e mostrar que tenho sim potencial. Por isso, quando fomos nos apresentar para a turma, tratei de esquecer o quão irritante era a respiração dele e me foquei na música. Nosso instrumentalista começou a dedilhar o violão, dando início a canção, e para não precisar ficar olhando para o rosto do meu ex, virei de costas. E assim a melodia fluiu sem complicação e sem desentendimentos.

I got that James Dean day dream look in my eye
And you got that red lip classic thing that I like
And when we go crashing down, we come back every time.
Cause we never go out of style
We never go out of style
I got that long hair, slicked back, white t-shirt.
And you got that good girl faith and a tight little skirt,
And when we go crashing down, we come back every time.
Cause we never go out of style
We never go out of style.

A voz de Tucker, com sua afinação perfeita, soou nos versos do refrão de Style. Ao mesmo tempo, também cantei o refrão de Blank Space. Nossa versão acústica não era pop como as versões originais das músicas, mas sim calma, cantada como quem conta a história de um passado que não volta mais. Foi mais fácil me concentrar estando de costas, pude controlar bem a respiração para atingir as notas desejadas em cada palavra. O final de cada verso morria nos meus lábios com marcação precisa no tempo da música. E meu tom de voz, melancólico, com quebras agudas no timbre quando assim cabia.

So it's gonna be forever
Or it's gonna go down in flames
You can tell me when it's over
If the high was worth the pain
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
'Cause you know I love the players
And you. love. the game.

Cantei o último verbo pausadamente. Estava tão satisfeita com aquele início que fiquei muito confiante para continuar a canção. Talvez ter o Tucker nesse dueto não fosse tão mal assim. Eu lembrava de como era sentir alguma coisa e poderia usar isso a meu favor, por que não? O tempo que eu perdi com ele tinha que ter alguma serventia. Se Ernie queria emoção, então eu lhe daria emoção! Cantei um “oh” prolongado, querendo exibir minha voz e trazendo um saudosismo sutil na voz. Ao mesmo tempo, virei meu corpo devagar e segurei no braço do Sebastian para fazer com que ele me olhasse.

Midnight, you come and pick me up
No headlights
Long drive, could end in burning flames or Paradise

Continuei cantando Style, com a segunda voz de Tucker criando harmonia em “midnight”, “headlights”,”long drive” e “Paradise”. Os versos combinavam até demais com o início do nosso namoro: dois inconsequentes querendo uma aventura sem saber no que daria. Dei sequência na música partindo para Blank Space. Com dois passos para trás me afastei e cantando de um jeito mais relaxado, sorrindo entre as palavras.

Cause we're young and we're reckless
We'll take this way too far
It'll leave you breathless
Or with a nasty scar
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
But I've got a blank space, baby
And I'll write your name

Entre um verso e outro do refrão de Blank Space Tucker cantou junto a mim, sendo que no último refrão eu o cantei sozinha em simultaneidade com a volta dele para Style.

I got that James Dean day dream look in my eye
And you got that red lip classic thing that I like
And when we go crashing down, we come back every time.
Cause we never go out of style
Out of style

Eu não podia acreditar. Ele estava me provocando. Colocando velhas piadas internas no seu jeito de interpretar a música e de me olhar. Ressaltando os versos nas partes em que sabia que me faria recordar dos elogios ao seu charme old school de James Dean e que ele adora quando uso batom vermelho – o que me fez arrepender de, ironicamente, estar usando. Acabei me perdendo no primeiro verso e só consegui acompanhar fazendo a segunda voz a partir do segundo. Tentando manter o foco na intensidade (altura) e na afinação, dei congraçamento pra melodia ao segui-lo em “that red lip classic” (dando um sorriso provocativo automático nessa parte); em “crashing down, we come” e no primeiro “out of style”.

- Fade into view... – Comecei mais uma vez em Style, alongando as vogais abertas com a voz levemente trêmula apesar de conseguir alcançar as notas altas. Talvez aquele dueto tenha tocado na ferida demais. Não por eu ainda gostar dele, mas pelo orgulho. Por eu estar cantando o amor com alguém que me fez sofrer, que me enganou e que eu estava bem por não ter mais notícias. Eu fraquejei e não consegui continuar o verso. Minha ênfase agora era em não chorar desnecessariamente, ainda mais na frente dele e dos meus colegas. Seria humilhante demais. - It's been a while since I have even... – Por sorte ou por profissionalismo, Tucker não deixou que meu erro fosse notado e completou o que me faltou cantar. Mas eu já estava de volta, menos de um segundo era o necessário para segurar a barra. - Heard from you.- Então terminei o verso com ele e segui o resto da estrofe sozinha. Continuei, irritada e nervosa, os olhos fechados e as palmas das mãos voltadas para ele, evitando qualquer aproximação.

I should just tell you to leave cause I
Know exactly where it leads but I
Watch us go round and round each time

Então a última combinação de refrões começou. Eu o encarava, cantando gesticulando e focando na minha produção vocal e em como ela se encaixava na dele. Estritamente profissional, com expressões de dor ensaiadas nas notas mais altas.

I got that James Dean day dream look in my eye
And you got that red lip classic thing that I like
And when we go crashing down, we come back every time.
Cause we never go out of style
We never go out of style


So it's gonna be forever
Or it's gonna go down in flames
You can tell me when it's over
If the high was worth the pain
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
'Cause you know I love the players
And you love the game

A questão é que ele, implicante como é, estava tentando se sobressair, cantando mais alto. Eu, claro, não ficaria para trás. Aumentei minha voz, mantendo a afinação. Nem percebi que havíamos andado, só sabia que estava cara-a-cara com Tucker enquanto cada um cantava sua música da Swift. Talvez a cena fosse um pouco ridícula já que ele é mais alto e eu precisava olhar para cima para desafiá-lo. Baixinha invocada, provavelmente. Mas lá estava eu com tanta emoção na voz e não sabia se o professor notaria com o Sebastian cantando em simultaneidade.

I got that long hair, slicked back, white t-shirt.
And you got that good girl faith and a tight little skirt,
And when we go crashing down, we come back every time.
Cause we never go out of style
We never go out of style.


'Cause we're young and we're reckless
We'll take this way too far
It'll leave you breathless
Or with a nasty scar
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
But I've got a blank space, baby
And I'll write your name

Recuperando do meu grito de “breathless”, atingindo uma nota que nem sabia que conseguia, acalmei a respiração para finalizar a música com a serenidade do início. Virei-me de costas, porque Tucker começou a fazer uns gestos irritantes que poderiam me tirar da personagem. Contudo, ele me puxou de um jeito um pouco agressivo demais e me forçou a encará-lo. Por ser inesperado, não o fuzilei com os olhos, apenas o olhei e recebi em troca um olhar sem ironia, sem provocação. Mais uma vez cantei o alongado “oh” para marcar a última estrofe da canção, com Tucker cantando em sincronia. Repeti a melodia e letra com tranquilidade, olhando-o nos olhos e prendendo um sorriso, como se nada tivesse acontecido.

Midnight, you come and pick me up
No headlights
Long drive, could end in burning flames or Paradise


Acabamos. Quando ouvi os aplausos solidários dos meus colegas quase despenquei numa cadeira, aliviada. Parecia que eu estava cantando há uma eternidade, era bom demais poder me afastar daquela bolha tensa e ir sentar perto dos meus amigos da ordem. Não sem antes, claro, agradecer ao instrumentalista que nem lembrei da existência durante a música. Aproveitei as canções seguintes dos meus colegas para apreciar seus talentos e ignorar meu ex que, por mais que eu odiasse admitir, fez um bom trabalho.


GO EGYPTIANS! X

legenda e música:
Azul = Sebastian cantando sozinho
Azul itálico = Sebastian como voz principal e Mia harmonizando
Verde = Mia cantando sozinha
Verde itálico = Mia como voz principal e Tucker harmonizando
Italico e Negrito = Ambos cantando juntos.

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Mensagem por Thomas B. Eckhart em Qui Ago 13, 2015 8:41 pm

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I'm in love... or not?




A água fria sobre meu rosto me despertou completamente. Quase tive um choque térmico ao rastejar-me de minha cama até o chuveiro, logo que o alarme de meu celular tocou. Mas ao menos aquilo servia para me tirar de meu estado de sono profundo. Um banho gelado, mesmo que o dia estivesse relativamente frio, poderia me fazer mal mais tarde, mas ao menos naquele momento, foi de grande utilidade.

Saí de baixo do chuveiro rapidamente, secando-me e vestindo uma roupa qualquer em meu armário. A combinação aleatória do dia foi uma calça jeans e uma camiseta de manga longapreta, com um capuz. Calcei meus tênis All Star já surrados e saí do meu quarto, rumo à primeira aula do dia: música.

Eu realmente adorava aquela atividade, quase tanto quanto artes plásticas. Em meu antigo colégio, eu aprendi a tocar violão e guitarra. Estava começando a treinar bateria quando meu tempo por lá acabou e eu acabei sendo enviado para a Weston. Mesmo assim, nunca deixei de praticar os instrumentos de corda que eu sabia tocar. Algumas músicas da Taylor Swift eram muito boas para aprender mais, por isso acabei virando fã dela. Enfim, depois de pegar meu celular e minha carteira, passei a caminhar na direção da sala de música.

---

Como na aula de artes, fui um dos primeiros a chegar. Havia apenas um ou dois alunos que haviam se adiantado ainda mais que eu. Eu adorava aquela sala... era uma espécie de paraíso musical, onde eu poderia passar o resto de meus dias. A aula de música também era uma das minhas favoritas, então nada poderia estragar a manhã.

Finalmente, os outros alunos chegaram, inclusive Riley, uma de minhas melhores amigas em toda a Weston. Obviamente, atrasada. Provavelmente ela tinha dormido demais ou algo do tipo, se eu a conheço bem. Ela se sentou ao meu lado e nós mal tivemos tempo de conversar... logo Ernest, o professor, estava na sala.

Depois de declamar um poema de Camões sobre o amor, Ernest nos instruiu dizendo que aquele seria o tema da tarefa do dia. Todos nós o encarávamos atentos, ouvindo a explicação. Segundo ele, nós poderíamos formar belos pares de músicos apaixonados um pelo outro. Nossa missão envolvia fazer duplas (ou trios) e fazer um dueto que fosse tão bem sincronizado e romântico que faria com que
todos acreditassem que os cantores se amavam de verdade.

Aquilo seria difícil pra mim, já que a única pessoa que eu posso dizer que amo havia faltado à aula. Todos começaram a formar parezinhos, enquanto eu só olhava para os lados, esperando que algum cavalheiro me tirasse pra dançar... ou cantar, nesse caso. Infelizmente, parece que eu iria ficar para titio. Mas, por ironia do destino, Riley Stravinski estava na mesma situação que eu.

Seria difícil para os dois ter que fingir um amor que passava longe de existir, já que ambos somos homossexuais, mas não havia outra saída. Era cantar com minha melhor amiga ou levar um F por me recusar a cantar em dupla. Nós dois nos entreolhamos e... sabe quando seu melhor amigo ou amiga conversa com você só pelos olhos e vocês podem dizer qualquer coisa sem abrir a boca por nem um segundo? Foi exatamente isso que aconteceu. Nós dois nos convencemos a fazer aquilo e fomos para um canto vazio da sala, planejar nossa apresentação.

-Tem alguma ideia do que cantar? - Eu perguntei. - Porque eu, sinceramente, estou pensando em cantar Fuck You, da Lily Allen.

Ela riu de meu comentário, já que ambos conhecíamos a letra daquela música. Mas depois de termos várias ideias, nossos pensamentos se alinharam e nós falamos quase ao mesmo tempo: Lucky! A música de Jason Mraz e Colbie Caillat era perfeita para nós. Riley sabia como tocá-la no piano, bem como eu sabia interpretá-la com um violão. A combinação de nossas vozes e instrumentos, se fosse boa, deixaria a todos os presentes completamente arrepiados.

Usamos nossos celulares para revisar a letra da música. Acabamos percebendo que não a sabíamos tão bem quanto imaginávamos e precisamos ensaiar várias vezes até termos a letra decorada. Ao
menos, eu tinha certeza que sabia tocá-la no violão e esperava que Riley também a soubesse em seu instrumento teclado. Duas duplas se apresentaram antes de nós, mas eu nem mesmo prestei atenção ao que eles cantavam.

-Somos os próximos! - Gritei, assim que a última dupla desceu do palco.

Peguei um violão no fundo da sala e pedi que Riley fosse se sentar em frente ao piano. Por sorte, antes de começar a apresentação, eu notei que dois instrumentos poderiam gerar erros grotescos na afinação e no ritmo. Teríamos que ensaiar muito antes. Fui até a garota ruiva e cochichei uma pergunta em seu ouvido, confirmando se ela preferia tocar sozinha e obtive resposta positiva. Deixei meu instrumento onde o havia encontrado e voltei ao palco, pegando um microfone sem fio, a fim de poder cantar perto dela e deixar tudo mais "romântico".

Riley acoplou um microfone ao piano também, para que cantássemos juntos. Finalmente, estávamos prontos. Fiz um sinal para Ernest de que a apresentação iria começar. Ele correspondeu e eu encarei minha parceira. Nós dois respiramos fundo, ao mesmo tempo, então ela começou a tocar a introdução da música.

Do you hear me
I'm talking to you
Across the water
Across the deep blue ocean
Under the open sky
Oh my, baby I'm trying

Em meu melhor papel de Jason Mraz, cantei aquilo encarando ora meu professor, ora minha amiga. Apenas no último verso, fechei os olhos, para que eu pudesse sentir a melodia em minha alma. A segunda estrofe foi cantada pela ruiva ao piano, lindamente, como era de costume dela. Aquela música era linda e me deixava emocionado, de modo que meus olhos brilharam bem no momento em que eles encontraram os de Riley e nós dois cantamos o refrão juntos.

Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again


Eu senti um arrepio percorrer minha espinha ao avançarmos cada vez mais na letra da música. Não era como se fosse Riley ali, mas eu sentia como se cantasse aquilo para cada um dos rapazes por quem me apaixonei e que antes haviam sido meus melhores amigos. Infelizmente, havia sido mais de um e me doía um pouco ouvir aquela letra. Mas eu me lembrava de como eu me sentia em relação a eles e colocava toda minha alma em meu canto. Acabei me empolgando no fim da última estrofe em que cantávamos juntos e minha voz se sobressaiu a de Riley.

And so I'm sailing through the sea
To an island where we'll meet
You'll hear the music fill the air
I'll put a flower in your hair

Na última parte em que eu cantei sozinho, consegui abaixar o meu tom para que ficasse sincronizado com o de Riley e com o piano. Parei de encarar a garota e voltei a olhar para meu professor, que nos analisava cuidadosamente, como fizera com todos na primeira aula do ano. Depois da vez dela de mostrar a força de sua voz, repetimos o mesmo refrão. Eu ainda tinha o mesmo sentimento, como se aqueles versos fossem um mantra e eu nunca fosse parar de repeti-lo.

Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
Lucky we're in love in every way
Lucky to have stayed where we have stayed
Lucky to be coming home someday


Ao fim dos tradicionais "Ooooh's", a garota parou de tocar o piano e alguns dos alunos que nos assistiam aplaudiram a apresentação. Sorri para Riley e demos um High Five, ao ver a aprovação do público e provavelmente, do professor. Eu esperava que aquilo valesse ao menos alguns pontos para a ordem dos Egyptians e que mais tarde se tornasse mais uma história engraçada entre mim e minha amiga.


Thanks @ Solaria Magnum CG

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Mensagem por Noah Braückeroux em Sab Ago 15, 2015 12:13 am

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Egyptians
                                 someone new
Certas vezes eu imagino como seria se eu não me apaixonasse, se eu fosse um simples poço de frieza qual as pessoas jogariam moedas de amor, desejando um retorno e nada retornasse, apenas promessas vazias de uma pessoa que não é capaz de amar. Não está totalmente claro para mim como eu me apaixono, várias e várias vezes, mas uma coisa é certa, o sofrer é o certo.

Ok, era certo que a bad tinha me consumido naquele fatídico dia, então, buscando todas as minhas forças para levantar da cama, rolo da mesma, colidindo com o chão e soltando um suspiro longo ao sentir o calafrio subir por minha espinha e o arrepio rápido tomar conta de meu corpo. Levantei-me do chão e joguei os cobertores desorganizadamente em cima da cama. Fui então tirando as roupas que usava, ficando completamente nu dentro do cubículo. Claro que não existia nenhuma chance de alguém me ver, as persianas estavam fechadas e a porta trancada.

Coçando o pescoço, me dirigi ao banheiro, onde tomei meu banho, escovei meus dentes e etc. Rapidamente estava pronto, então, sequei-me e fui ao guarda-roupas, escolhendo uma bermuda jeans azul extremamente maleável, com bolsos aos lados e que ficava um pouco acima dos joelhos, uma camiseta branca sem estampas e uma camisa xadrez cinza, qual eu dobrei as mangas até o cotovelo. Como calçados, vesti meu tênis all-star de couro branco que quase sempre usava para as aulas. Enfim voltei ao banheiro, onde borrifei um pouco de desodorante sem cheiro em minhas axilas e meu perfume italiano, no pescoço e espalhei um pouco nos pulsos, de modo que meu cheiro ficasse onde eu tocasse. Penteei meus cabelos de modo que eles parecessem rebeldes e voltei ao quarto, pegando a  mochila, que desta vez estava pendurada na porta e saí do quarto, trancando a porta atrás e mim e sorrindo para a frase escrita no quadro pendurado.

Ando com passos calmos até a sala de música, no segundo andar do edifício principal da Weston. Era engraçado, minhas duas aulas secundárias ficavam no mesmo andar do mesmo edifício, a outra era Rugby, qual eu não aparecera no primeiro treino, e era simplesmente minha matéria principal. Treinador Graeff Ohwalgumacoisa devia estar decepcionado, mas bem, eu tinha coisas mais importantes para fazer, como praticar meu deboísmo e ficar na cama. Abrindo a porta e sentando-me perto das massas egípcias, ouço com avidez a explicação da aula do dia. Professor Hilldebrand era um cara legal, quase esquecia de meus problemas enquanto sua voz ecoava por ali. Ótimo, eu teria de trabalhar em dupla. Eu gostava muito de trabalhar em equipe, mas na música, eu era um artista solo, fadado à eterna solidão enquanto minha voz ecoava pelo palco. Por isso, optei por trabalhar com alguns instrumentistas, eles eram gêmeos gregos, e sorriam para valer, seus cabelos encaracolados e olhos azuis os faziam parecer anjos, tirando  seus corpos malhados e mãos enormes, boas para Rugby.

— Prazer, me chamo Noah. – Apresentei-me, e eles sorriram, mostrando branquíssimos dentes. E disseram:

— O prazer é nosso – Disse o da esquerda, mordendo o lábio inferior e me lançando um olhar deveras duvidoso. — Me chamo Maurice, e este é Pierre. – Disse Maurice, dando tapinhas no ombro do irmão. E Pierre piscou para mim, sorrindo e não falando nada.
— Enfim, vocês tocam o que? – Pergunto.

— Toco guitarra, e ele, bateria. – Desta vez era Pierre falando. Guitarra e bateria. Amor. Logo, a música perfeita me ocorreu.

— Vocês conhecem Hozier? – Perguntei, e Maurice respondeu:

— Mas é óbvio, ele é nosso artista preferido. Conhecemos todas as músicas dele. – Disse Pierre. Maurice se mantinha ocupado, ajustando sua bateria.

— Ótimo. Que tal tocarmos Someone New? – Pergunto, e Pierre assente com a cabeça, transferindo a informação a seu irmão.

Depois de continuar o papo e ajustarmos as coisas que usaríamos, Thomas Eckhart descia do palco, e nós três subíamos. Estava na hora. Posicionei-me no pequeno palco, colocando o microfone no suporte e eles arrumando seus instrumentos. Comecei a falar aos meus colegas:

— Olá, agora, tocaremos Someone New, do Hozier, enfim, espero que vocês gostem. – No momento em que acenei com a cabeça, eles começaram. Pierre tocando pequenos acordes na guitarra e logo Maurice começando, dando leves batidinhas em seu instrumento. No momento correto, comecei, apoiando minhas duas mãos no microfone e fechando meus olhos, entonando:

Don't take this the wrong way
You knew who I was every step that I ran to you
Only blue or black days
Electing strange perfections in any stranger I choose

Enquanto respiro, Pierre e Maurice continuam, então, recomeço.

Would things be easier if there was a right way?
Honey, there is no right way

Um leve sorriso me tomava o rosto, e o modo relaxado qual eu cantava abria espaço para o instrumental. Mantia meus olhos fechados, de modo que o público não me deixasse nervoso.

And so I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new
I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new
I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new
I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new

Essa estrofe. Totalmente se aplicava à minha pessoa, o modo como Hozier canta e o modo como eu transfiro meus sentimentos agora, cantando para minha turma, era algo surreal.

There's an art to life's distractions
Somehow escapes the burning weight
The art of scraping through
Some like to imagine
The dark caress of someone else
I guess any thrill will do

A música claramente falava do amor, da mais pura paixão, e era isso que eu tentava transferir para meu vocal.

Would things be easier if there was a right way?
Honey, there is no right way

Continuo a seguinte estrofe, respirando um pouco, porque ela era um pouco grande e repetitiva.

And so I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new
I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new
I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new
I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new

Ok, faltava pouco da música agora. Pierre e Maurice mandavam bem em seus respectivos instrumentos, o que realmente me ajudou, essa música deixaria um pouco de fazer sentido sem o som atrás da voz.

I wake at the first cringe of morning
And my heart's already sinned
How could your sweet love and you would pray for him
How pure, how sweet a love
Aretha, that you would pray for him

Aretha, belo nome, pode-se dizer, embora certamente incomum, típico de hozier.

Cos God knows I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new
I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new
I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new
I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new
I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new
I fall in love just a little, oh, little bit every day

Love with every stranger, the stranger the better
Love with every stranger, the stranger the better
Love with every stranger, the stranger the better
Love with every stranger, the stranger the better
Love with every stranger, the stranger the better
Love with every stranger, the stranger the better

Desta vez me sentia confiante o bastante, e a última estrofe seria cantada, eu precisaria finalizar bem. Embora a música fosse um pouco animada, não pude deixar de lacrimejar um pouco, sensível como sou.

I fall in love just a little
Oh, little bit every day with someone new.

E os dois últimos versos foram cantados com precisão. Ao fim instrumental, fiz uma mesura ao público, por respeito aos meus colegas, e também porque todo artista fazia isso. Até a sineta tocar, eu e os gêmeos apenas trocamos olhares amistosos, então, ao fim da aula, saí, para voltar ao quarto e me vestir à carater para um treino de rugby.
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Nordic
bittersweetecstasy!



— Não interessa, Henry Daniel Grey! Pelo amor de deus! Que inseticida teria cheiro de Chanel? Qualquer inseticida no mundo tem cheiro ruim ou de planta verde, garoto ... — Suspirei, pela décima vez em dez minutos, foi exatamente quando atendi a ligação de Henry e quando percebi que meu dormitória cheirava fortemente a Chanel Nº 22. E quem é o culpado por isto? Meu novo, desastrado e estupidamente adorável namorado. — Eu já entendi que não foi por querer, Daniel. Mas eu vou ter que lavar o carpete! E arrumar outro frasco do meu perfume adorado. Isso vai lhe custar muitos ...  — Interrompi minhas palavras subitamente, quase gritando um rosnado quando meus olhos rodaram pelo cômodo e fixaram-se no relógio sobre a cômodo. Era questão de minutos para o intervalo da aula terminar, de acordo com minha grade de horários a aula seguinte seria de música - pelo menos uma aula na qual eu não ficaria mais interessada em pensar como mudar um pouco o visual ou em como eu sentia falta das tardes em Reykjavik. — Adivinha quem está atrasada para a aula? Eu cobrarei o que desejo mais tarde, Grey! Je t'aime. — Em segundos ditei tudo aquilo, desliguei o aparelho celular e lancei-me porta afora, correndo pelo extenso corredor vazio com um desejo imenso daquele prédio ser tão bem arquitetado como Hogwarts e disponibilizar passagens secretas a cada esquina.

***

Dueto.
Segurei-me com aquilo em mente, obrigando-me a pensar apenas naquilo e não em como eu deveria ter parecido uma completa débil de face avermelhada nos minutos antecedentes. Nada melhor que começar uma aula tendo os aplausos de toda a turma, uh? Nem mesmo meu ego havia sido capaz de exceder a surpresa daquela atitude de Ernest e tudo que consegui fazer foi reverenciar a classe num agradecimento ligeiro e me encolher no assento logo após. Amor. O anúncio veio seguidamente e eu batucava a capa de meu bloco de notas tentando chegar a alguma ideia. Bastou que uma faísca de possibilidade brilhasse em minha mente para que as coisas acontecessem ali. Como se já estivesse ensaiado um trio se ergueu e tomou as rédeas da situação. "Espera, o que?" Quase gritei aquilo quando os vi iniciar as estrofes da canção ... digo, canções. Um mashup de Taylor Swift, das minhas duas canções favoritas da artista. O que mais eu poderia fazer senão sorrir feito boba e encarar vidrada a apresentação de Sebastian Tucker, Mia Walford e ... Cailou? Já não existia nem um rastro de aborrecimento pelo trio cantar uma canção da autoria da artista que eu havia escolhido cantar.

Senti minhas mãos arderem quando findei o aplauso. Minhas bochechas doíam de tanto que havia sorrido durante a canção e quando o trio se deslocou do centro da sala para seus assentos a sala tornou a ficar quieta. Eu queria ir, queria me apresentar de uma vez antes que mais pessoas arriscassem cantar não só a mesma cantora como a mesma música que eu havia pensado cantar. Mas ... quem seria minha dupla? Olhei ao redor, vendo como cada pessoa ali parecia devidamente encaixada a uma dupla ou trio. Bufei, apertando as unhas contra a palma da mão. Quase me levantei para sair da sala em uma desculpa esfarrapada de preciso ir ao banheiro quando uma figura atravessou a porta aberta, com papéis em mão e um olhar preocupado para Ernest. Andrew! Me pus de pé em um pulo, indo em sua direção; me aproximei o suficiente para conseguir ouvir que seu atraso era por conta de um aviso dado pelo vice-diretor. Havia algo de errado? Cutuquei-o no ombro e sorri largamente quando aquele par de olhos azuis quase felinos me encararam. — Tarefa de hoje é cantar com um acompanhante e acho que após aquela encenação na aula de teatro, eu e você somos parceiros das artes! Eu já tenho uma música em mente, então respire, vá para a bateria e se prepare para Poison! -  

Era arriscado cantar Poison? Sim! Mas agarrei-me ao simples fato do professor ter dito para cantarmos música de amor ... amor, um amor tóxico também era um tipo de amor, e era este tipo de amor expressado na canção. Andrew se posicionou, e eu relaxei. Eu sabia o quão talentoso ele era com relação a música e inclusive seus dotes para instrumentos. Duas apresentações seguiram; ambas belas de sua maneira. Thomas, Riley, Noah ... minhas mãos ardiam mais por aplaudi-los. Por fim, me dirigi ao piano disposto ali no recinto, sentando-me de modo ereto no banquinho, fechando os olhos e respirando profundamente antes de permitir que meus dedos trêmulos dedilhassem as teclas. "I could have beer for breakfast, my sanity for lunch" soou em um tom devidamente alto para exceder a potência da melodia em e , em uma perfeita harmonia, dando acorde para todo um verso inicial que ia até "Anything and everything just to fill me up" Guiei meu olhar para o moreno de olhos azulados que me olhava sorridente, assim como eu mesma o fitava com um sorriso confiante, apenas aguardado meu sinal. Com o "But nothing ever gets me high like this" entoando eu fechei os olhos, alongando ao nothing ever e o high like this em um tom acima, ainda mantendo-me afinada em um simetria ao piano. Por alguns segundos somente a sonoridade do piano era ouvida, quando eu lancei uma piscadela para Andrew que saltou sua voz de modo alto, em um tom barítono ideal para um contraste com meu tom Mezzo-Soprano para a canção. "I picked my poison and it's you", ele cantou, olhando-me com certa animação quando lançou as baquetas que empunhava contra a bateria, dando viva a performance. Alarguei o sorriso, girando do banquinho e me erguendo para caminhar até Andrew, que me seguia com os olhos, enquanto eu balançava ritmadamente. Ele seguiu com o verso, cantando ao "Nothing can kill me like you do", "You're goin' straight to my head " e "And I'm headin' straight for the edge". Eu já o segurava nos ombros, antes mesmo que iniciássemos juntos ao "I picked my poison and it's you" em uma perfeita simetria. Ele seguiu com vocalizes, batucando animadamente enquanto eu rebolava a suas costas por algum tempo, antes de me apressar para próximo do piano mais uma vez, antecedendo o findar do refrão, posicionando-me mais uma vez ali.

could have beer for breakfast, my sanity for lunch
Tryin' to get over how bad I want you so much
Innocence for dinner, pour somethin' in my cup
Anything and everything just to fill me up
But nothing ever gets me high like this

I pick my poison and it's you
Nothing can kill me like you do
You're goin' straight to my head
And I'm headin' straight for the edge
I pick my poison and it's you
I pick my poison and it's you

Mais uma vez tornei a dedilhar o teclado do piano, sequer sentando-me no banco - o usei para apoiar uma perna enquanto me curvava, martelando as teclas brancas, fazendo soar um som agitado e ritmado como no início. "I can feel your whisper and layin' on the floor, i tried to stop, but I keep on comin' back for more" teve o acompanhamento do instrumento antes que duas fortes batidas provindas de Andrew me fizesse soltar o teclado e rebolar de cima a baixo antes de juntos cantarmos ao "I'm a light weight and I know it", foi então que eu montei no instrumento, deitando-me de costas em sua calda, deixando meu corpo se mover com o ritmo da canção quando entoei em alto e bom tom ao "Cause after the first time I was fallin', fallin' down" - no primeiro Fallin' eu curvei a coluna para cima, quanto ao segundo eu girei, deitando de bruços e dirigindo o olhar para Andrew que já iniciava o verso seguinte com empolgação; "But nothing ever gets me high like this".

I can feel your whisper and layin' on the floor
I tried to stop, but I keep on comin' back for more
I'm a light weight and I know it
Cause after the first time I was fallin', fallin' down
But nothing ever gets me high like this


"I pick my poison and it's you" soou de modo tão forte em minha voz, a batida unindo-se logo em seguida me fez desejar dançar loucamente ali. Aquela canção não soava em um pouco como uma canção melosa de amor e era exatamente por isto que eu estava adorando canta-la; ainda que não fosse lenta, com um toque dramático e profundo a letra expressava muito de um tipo de amor que eu conhecia bastante, um amor viciante, um tipo de sentimento que se você não tiver nem um terço da pessoa em seu dia você entra em um quase estado de abstinência. Obriguei-me a focar todo aquele sentimento conhecido para o moreno de olhar brilhante e azulado não tão distante, detrás da bateria, divertindo-se em batucar daquele modo experiente. "Nothing can kill me like you do", ele soprou, piscando para mim, dando-me um sinal para que eu cantasse ao "You're goin' straight to my head", somente para que ele tornasse a completar, brandando ao "And I'm headin' straight for the edge". Girei na calda do piano, saltando dali enquanto cantarolava com Andrew as repetições de "I pick my poison and it's you"; já me movendo para frente do instrumento para uma última participação do mesmo.

I pick my poison and it's you
Nothing can kill me like you do
You're goin' straight to my head
And I'm headin' straight for the edge
I pick my poison and it's you
I pick my poison and it's you

Afundei os dedos na tecla do piano, tardando para passar de nota em nota enquanto somente meu tom de voz em um elevado tom equilibrado entre o agudo e o grave ecoava ao "Bittersweet ecstasy that you got me in". Um sorriso brotou em meus lábios, enquanto eu encarava Andrew no lado oposto, me observando com um olhar atento, quase vidrado. "Fallin' deep, I can't sleep tonight" soou, com mais notas executadas ao piano, eu cantava com todo o prazer em voz, eu simplesmente adorava aquela canção e isto parecia nítido no modo que eu a entoava. Subi consideravelmente o tom vocal com o "And you make me feel like I'm out of my mind" e deixei-o assim, fazendo os versos soarem de modo claro, pausado e bem interpretativo, de modo que eu sorria satisfeita para alguém que estava prestes a beirar a loucura em"But it's alright, it's alright, it's alright". Na segunda repetição Andrew tornou tudo mais explosivo com suas batidas ritmadas e potentes. Já iniciei a estrofe rebolando, deixando o piano para me aproximar dele enquanto ditava verso por verso, permitindo-me esboçar sentimentos reais, com um olhar devidamente sedento e apaixonado a ele, como se ele fosse o meu veneno favorito. Quando o alcancei o timing era perfeito, pois ele parou de tocar, o que permitiu minha voz ecoar por ali com o "Nothing ever gets me high like this".

Bittersweet ecstasy that you got me in
Fallin' deep, I can't sleep tonight
And you make me feel like I'm out of my mind
But it's alright, it's alright, it's alright (2x)

Nothing ever gets me high like this.


Foi tudo muito ligeiro a partir dali. Um menino o substituiu na bateria antes que o verso final da estrofe anterior fosse findado por mim. Segurando minha mão, Andrew me puxou contra si, unindo-se em um perfeito duo com o "I pick my poison and it's you". O retumbar da bateria com a força de nossa voz unida me fez rir excitada por tudo aquilo. O menino me girou antes de me abraçar por trás quando pareceu declarar apaixonadamente ao  "Nothing can kill me like you do", só então eu me afastei do seu abraço, sem soltar sua mão quando pareci rebater seu verso com o "You're goin' straight to my head, and I'm headin' straight for the edge". Puxei ligeiramente o ar, enquanto Andrew repetia ao "I pick my poison and it's you" eu repeti somente o final das palavras, alongando ao you com um tom vocal poderosamente alto e afinado, ainda controlando o uso do diafragma quando saltei daquela nota para me unir a Andrew no resto do verso; "Nothing can kill me like you do. You're goin' straight to my head, and I'm headin' straight for the edge". Com certa força tornei a alongar o último you de "I pick my poison and it's you", por alguns segundos - aproveitei do tom forte de voz para repetir o you de modo oscilante, ora soando forte e alto, ora mais controlado e claro. Os vocalizes levaram o resto de meu fôlego, enquanto Andrew também cantava aos vocalizes diferentes ao meu. Sua mão apertava a minha, seu sorriso parecia uma energia mais para mim. E então ele tornou a me puxar, justamente quando eu cantava com a alegria nítida em voz o último "I pick my poison and it's you"; parando na ponta de um pé, encarando seus olhos de perto, com suas mãos em minha cintura e as minhas em seus ombros. Após isto o que sobrou foi nosso riso divertido e abraço apertado. — Obrigada por isto, ange! — Sussurrei em seu ouvido, antes de agradecer a classe e ao substituto de Andrew e por fim correr ao meu assento.

I pick my poison and it's you
Nothing can kill me like you do
You're goin' straight to my head
And I'm headin' straight for the edge
I pick my poison and it's you
I pick my poison and it's you



____________________

# andrew — wearing


____________

❝ baby be the class clown. i'll be the beauty queen in tears.

H BY H.


Última edição por Hanna O'Hal Campbell em Ter Ago 18, 2015 3:42 am, editado 2 vez(es)

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Mensagem por Brooklyn Kinsley em Dom Ago 16, 2015 12:41 am

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when i was your girl
O destino realmente era algo incrível.

Não havia outra frase que descrevesse melhor aquela aula de música - embora eu não achasse aquilo nem um pouco bom, ou engraçado. Pelo contrário, eu achava que poderia virar para o lado e vomitar, ou chorar, ou qualquer coisa que representasse minha indignação para com aquele tema. É claro que o professor não tinha culpa nenhuma de todas as merdas que estavam acontecendo na minha vida naquele momento. Ele não tinha como saber que eu acabara de terminar um relacionamento com uma garota que, se não era a mais importante da minha vida, chegara perto.

Eu tinha que engolir o nó que se formara em minha garganta e enfrentar aquela situação sozinha. Não podia contar nem mesmo para minha irmã gêmea, Wendy. Por que? Porque nem ela nem ninguém sabem que eu sou lésbica. E eu tenho medo de contar. Tenho medo de sua reação, tenho medo que ela afaste-se de mim. Neste exato momento, eu não posso perder o apoio dos poucos que amo.

Enquanto Ernest, o professor de música, termina de explicar a aula, eu olho ao redor. Ela não está ali, claro. Desde que eu tivera que ser retirada da Weston por uma semana, para ser internada, ela desaparecera. Aposto que dera um jeito de ser transferida para outro instituto. Eu tivera uma crise nervosa e tive que mentir por uma semana para meus pais e minha irmã, e tudo por culpa dela. Inacreditável. Ela fugira e eu ficara ali, esperando, de mãos vazias.

Pensar em todas essas coisas estavam realmente me dando vontade de chorar. Eu não estava totalmente recuperada da crise que me levara ao hospital, mas tivera de retornar à Weston para não perder mais aulas do que poderia. Felizmente, recebera uma receita de Rivotril que duraria até que a crise toda passasse. O lado bom e ruim de andar medicada por aí era que minhas emoções praticamente não surtiam efeito, a não ser que a dose perdesse seu efeito... como agora.

Felizmente, o sinal tocou e eu pude sair dali, quase correndo. Precisava colocar os pensamentos em ordem antes da próxima aula. Geografia. Precisava também pensar em que música apresentaria para a classe de música. Eu precisava fazer duplas com um instrumentista, pois gostava de cantar. Mas poderia procurar algum aluno que precisasse de duplas depois, no fórum online do instituto. Naquele momento, enquanto descia as escadas para a sala de geografia, eu comecei a pensar em músicas que poderia cantar na próxima aula.


[...]

Antes de sair do dormitório, na outra manhã, eu hesitei. Peguei o conta-gotas e o potinho de Rivotril. Eu não queria ter de fazer aquilo, de verdade. Odiava ter que ficar sob o jugo de substâncias controladas. Mas de que outra forma eu poderia cantar sobre amor e lidar com todas as consequências emocionais que isso traria? Por isso, depois de hesitar, eu puxei algumas gotas e pinguei em minha língua. Engoli com uma careta e abri a porta, rumo à aula de música.

Já estava me sentindo bem melhor quando entrei. Melhor, não; mais leve. Mas era hora de enfrentar a aula. Eddie, um ruivo fofinho que eu conhecera na intranet da Weston, era minha dupla para a aula. Ele tocava piano, e como não sabia muito bem o que escolher de música, acabou aceitando minha sugestão: When I Was Your Man.

Tudo bem, a música não era exatamente a ideia de amor romântico que o professor tinha pedido, mas ainda tratava do tema, só que sob outra perspectiva: a ótica do amor impossível, do que não deu certo, o sofrimento atrelado ao amor. Essa era a única faceta que eu tinha condições de tratar atualmente. E sim, eu ainda teria de interpretar enquanto cantava. Mas essa parte era fácil, eu precisava apenas direcionar minha dor para Eddie.

Tudo pronto, esperamos alguns alunos apresentarem-se antes de irmos ao palco. Eddie acomodou-se na banqueta do piano e eu puxei outra para sentar-se a seu lado, à frente de todos. Enquanto ele arrumava as partituras, percebi que o Rivotril me acalmara de tal forma que tinha medo de esquecer as alterações que combinamos na letra da música: eu troquei alguns pronomes para cantar como se tivesse levado um pé-na-bunda, o que era verdade. Por isso, eu tinha em mãos um papel com algumas anotações, frases que eu devia cantar diferentemente.

Eu permaneci em silêncio enquanto o rapaz tocava as notas inicias da música no instrumento. Sem apresentar-se, sem quaisquer palavras desnecessárias. Eu já estava fazendo um esforço tremendo só em ter que me concentrar a contar aquela história...


Same bed but it feels just
A little bit bigger now
Our song on the radio
But it don't sound the same
When our friends talk about you
All it does is just tear me down
Cause my heart breaks a little
When I hear your name
It all just sounds like... oooooh

O tom, como combinado antes com Eddie, era mais agudo que o normal, pois assim era minha voz. Eu cantava com delicadeza, como era exigido pelo tema, e também porque não conseguia fazer grandes esforços devido ao Rivotril. Eu terminava as frases suavizando suas últimas palavras e aumentando o tom delas. No último "oh", ah, aquela era uma vocalização difícil, mas minha garganta colaborou e não desafinei. Terminei com a boca mais aberta, o que lembrava mais o som do "a" do que do "o".

Mmm, too young too dumb to realize
That you should've bought me flowers
And held my hand
Should've gave me all your hours
When you had the chance
Take me to every party
Cause all I wanted to do was dance
But now baby I'm dancing
But I'm dancing with another man

Em todo momento, estava de frente para o palco. Porém, mantive minha cabeça virada em direção ao garoto que tocava piano. Primeiro, porque eu podia lançar olhares para ele, que não corresponderia, estava com o olhar fixo nas teclas que percorria com os dedos. E nesses olhares eu acumulava decepção e uma profunda tristeza. Quase podia sentir meu rosto ficando quente. Eu sempre coro antes de começar a chorar. Não me pergunte por que.

Your pride, your ego, your needs and your selfish ways
Cause a nice young love like me to walk out your life
Now we'll never never get to clean up the mess we made
And it haunts me every time I close my eyes
It all just sounds like... oooooh
Mmm too young too dumb to realize

Tinha até considerado pular aquela segunda parte da música, mas prossegui, principalmente porque aquela era uma das partes onde a letra havia sido editada por mim. Era onde eu apontava os erros dela. Claro, eu sabia que não era nenhuma santa, mas naquele momento, com as feridas ainda abertas, era bom poder apontar o dedo e culpar totalmente alguém. Pude sentir minha voz tremendo em "Now we'll never never get to clean up the mess we made", e fechei os olhos em "close my eyes", voltando a abri-los somente somente depois de vocalizar os "oh", longa, aguda e suavemente, como antes.


Mmm, too young too dumb to realize
That you should've bought me flowers
And held my hand
Should've gave me all your hours
When you had the chance
Take me to all the parties
Cause all I wanted to do was dance
But now baby I'm dancing
But I'm dancing with another man


Não nego, tive que conferir a pequena anotação para lembrar dos pronomes corretos. Eu inclinei minha cabeça para Eddie, observando-o intensamente enquanto cantava. Como se fosse ela. Ela poderia ter me trazido flores, e segurado minha mão. Mas não importava, não mais. O garoto continuava trazendo as notas musicais à vida. Ele não levantara o rosto nem por um segundo. Havíamos combinado tal atitude... Como se ele não se importasse com nenhuma palavra que eu estava proferindo. Respirei fundo em uma pequena pausa. Aquela parte era a mais aguda da música, e a mais dolorida, emocionalmente.


Although it hurts
I'll be the first to say
I was wrong
Oh I know I'm probably much too late
To trying apologize for the mistakes
But I just want you to know


Consegui manter os agudos, embora eles não tivessem saídos tão altos quanto eu gostaria. Minha voz voltou a tremer no final da penúltima frase, e sabe aquela voz chorosa que a gente faz antes de se derramar em lágrimas? Foi com essa voz que eu cantei a última frase, interrompendo-a subitamente para não estragar demais a música. Estava com os olhos fechados, a cabeça virada novamente para o lado, mas com uma expressão na face que indicava que eu precisava muito me controlar.

Eddie até levantou os olhos quando eu tremi. Ele só voltaria a tocar após o começo da próxima frase, então naquele momento, eu estava ditando o ritmo da música. Por um segundo, eu hesitei. Pensei em desistir, me levantar e andar até meu dormitório. Enfiar a cara no travesseiro, chorar até desidratar. Mas não podia... Pelo menos não pelo próximo minuto. Já chegara até ali, porque não encerrar aquilo de uma vez por todas?



Hmm.. He buys me flowers, he holds my hand
Gives me all his hours, cause he has the chance
Takes me to all the parties
Cause he remembers how much
I love to dance
Does all the things you should've done
When you were my man


Foi então que percebi. Aquela era minha despedida pública, mas particular, de Cameron e de tudo que ela representou. Ela fora embora e eu precisava virar a página. Era por isso que doía tanto, era por isso que eu tinha que controlar as lágrimas que insistiam em cair e borrar meu delineador. O interessante era que chorar era uma reação física que nem o Rivotril conseguira bloquear, embora eu não estivesse me sentindo tão triste quanto deveria. Na verdade, me sentia anestesiada. Mesmo assim, o choro atrapalhou levemente minha voz, tremendo-a. Compensei cantando mais devagar, quase como se declamasse. De olhos fechados, cantei as últimas frases...


Does all the things you should've done
When you were my man


.... E as repeti, enquanto as notas pareciam desvanecer no ar, junto com minha já fraca voz. Não aguentei mais. Mal Eddie tocara o que finalizara a música e eu já estava de pé, torcendo as mãos, as lágrimas ainda correndo uma trilha molhada pelas minhas bochechas. Sem dizer palavra, apenas observando o professor por alguns segundos, pedi licença e me retirei da sala. Não sabia se ia lavar o rosto no banheiro, passar na enfermaria ou até no psicólogo... só precisava sair daquele ambiente que me sufocava com a memória dela.

música apresentada:
considerações:
Eddie é um NPC.

E já passou os quinze dias da aula, mas vi gente postando... espero que seja considerado -q

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Mensagem por Andrew H. Sibley em Ter Ago 18, 2015 4:31 am

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Mensagens : 87

Data de inscrição : 22/06/2015



Poison!
Droga! Foi a primeira palavra falada por mim ao acordar e ver que estaria atrasado para a aula de música. Por aqui era um tanto quanto fácil ter apenas uma aula por dia, então eu tinha sempre de reservar meu tempo para as aulas e para praticar o canto e a minha flexibilidade física. Com passos apressados basicamente voei pelos corredores da Weston, adentrando na sala eu fiz uma leve careta de desgosto. Quanto será que eu havia perdido da aula? Tive uma extrema vergonha de ir até o professor com cara de culpado e pedir para saber o que ele deu como tarefa. Uni minhas mãos com visível embaraço quando Hanna surgiu, saltitante, parecendo eufórica e alegre demais para quem estava numa sala de aula, mas conhecendo-a o pouco que eu conhecia, sabia que ela sempre iria amar as aulas de teatro e música. Assenti para ela, pegando meu telefone e com poucas dedilhadas já escolhia a canção, e aproveitando-me das apresentações na nossa frente, eu já decorava a música, bela por sinal, apenas esperando com a loira para finalmente cantarmos a música.

Depois de algumas apresentações, eu sorri nervosamente para o professor, pensando se teria descontos por causa do atraso. Segui a loira até o palco, sentando-me de frente para a bateria. Hanna dedilhava as teclas de um teclado perfeitamente, apesar da posição minha eu conseguir ver seus dedos tremerem um pouco, mas como ela estava de frente para os outros, o teclado cobria parcialmente aquela mínima imperfeição. Para mim, Hanna era o tipo de garota que sempre estava alegre demais, pretensiosa buscando atenção o tempo inteiro e era como uma boneca Barbie na vida real, entretanto, era bom vê-la um pouco nervosa, com receios e sem um ego maior que que ela. Quando vim dar uma ajuda vocal para a loira foi no refrão, minha voz soou alta, o refrão na ponta da língua saiu facilmente, mentalmente eu me regojizava por não ter me esquecido dela fácil. "I picked my poison and it's you" fora cantada por mim acompanhando-a, prolongando o "you" quase que interminavelmente todas as vezes, simetricamente perfeito com o agudo da loira. Abri um sorriso para ela, minhas mãos manuseavam as baquetas rapidamente, eu conseguia de alguma forma dar uma nova forma para a música pop, deixando-a um pouco mais acústica e apresentável, o que era bom, pois além dos vocais, poderíamos mostrar nosso talento com os instrumentos.

Dividíamos certos versos em determinados momentos, eu conseguia manejar a bateria melhor do que eu poderia imaginar, apesar de certo tempo que eu não usava o instrumentos - eu geralmente usava mais o violão, a guitarra e o piano. Por fim, tudo parecia sair de acordo com os planos de Hanna, ao final de contas, a ponte da música foi feita com batidas rápidas assumindo uma velocidade maior até que no refrão o ritmo desacelerava, como numa lenta canção. Ajudava-a no vocal geralmente na parte do primeiro verso do refrão "I pick my poison and it's you" e continuava a tocar na bateria, até que quando eu menos esperava, a canção terminava. Sorri largamente, terminando por abraçar a loira e olhando-a nos olhos, terminando a canção com um vocal mais suave, finalizando-a. Assim como Hanna, agradeci ao público e fui até o meu assento, sentando-me lá esperando pelo o fim da aula.


Hanna x song x Clothes
© mr. houdini



Spoiler:
Ficou ruim o post, eu sei, mas é o que saiu, desculpas. Fiz o post super às pressas e com sono, sem contar que já devia ter postado bem antes, mas enfim, tá aí, espero que considere-o.

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